Estudo publicado na revista Earth Science aponta que oito formações geológicas no Reino Unido podem reter CO₂ industrial por décadas ao transformar o gás em minerais sólidos no subsolo.
O Reino Unido pode ter encontrado uma alternativa para lidar com emissões industriais ao identificar rochas vulcânicas capazes de armazenar carbono industrial por décadas. A descoberta, publicada na revista Earth Science, Systems and Society, indica que essas formações geológicas podem reter entre 42 milhões e 38 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂). O método envolve capturar o gás, injetá-lo no subsolo e transformá-lo em minerais sólidos, reduzindo o risco de liberação na atmosfera, conforme relatado pelo Olhar Digital.
Capacidade estimada chama atenção dos pesquisadores
Os números apresentados no estudo indicam um potencial significativo. No cenário intermediário, oito formações geológicas avaliadas poderiam absorver o equivalente a cerca de 45 anos das emissões industriais do país.
O cálculo leva em conta dados de 2017, quando o Reino Unido registrou aproximadamente 72 milhões de toneladas de CO₂ provenientes da indústria.
-
Alerta sobre suplemento usado por milhões contra dor nas articulações: estudo observacional associa a glucosamina a risco 25% maior de avanço do comprometimento cognitivo leve para demência e reacende preocupação
-
CNH digital gratuita: mais de 372 mil motoristas já economizaram R$ 51,3 milhões em São Paulo; estado tem a CNH mais barata do Brasil
-
Fim do trabalhador na mineração: Vale prevê minas 100% automatizadas, aposta em IA como ‘caminho sem volta’, investe US$ 700 milhões em P&D e planeja adicionar mais 150 equipamentos autônomos à frota.
-
Embrapa desenvolve carne de laboratório no Brasil sem sacrificar animais e testa filés de frango, salmão, caviar e anéis de lula; técnica usa células vivas, proteínas vegetais e pode reduzir impactos ambientais da produção animal
Entre as áreas analisadas, algumas se destacam pelos volumes estimados:
- Antrim Lava Group (Irlanda do Norte): cerca de 1,4 bilhão de toneladas, podendo chegar a 17 bilhões
- Noroeste da Inglaterra: aproximadamente 700 milhões de toneladas
- Oeste da Escócia: cerca de 600 milhões de toneladas
Esses resultados reforçam o potencial distribuído pelo território.
Onde estão as formações?
As regiões com maior capacidade de armazenamento estão localizadas em diferentes áreas do país.
Os pesquisadores apontam três zonas principais com condições favoráveis:
- Irlanda do Norte
- Noroeste da Inglaterra
- Oeste da Escócia
Nesses locais, camadas espessas de rochas vulcânicas estão posicionadas em profundidades adequadas para armazenar e reagir com o carbono. Além disso, algumas dessas formações apresentam grande extensão contínua, o que aumenta o volume disponível para uso em larga escala.
O funcionamento da técnica depende de uma sequência de etapas. Inicialmente, o dióxido de carbono é capturado a partir de fontes industriais. Em seguida, ele é dissolvido em água e injetado no subsolo. Ao percorrer fissuras e poros das rochas, o fluido entra em contato com minerais ricos em ferro e magnésio.
Esse contato desencadeia a mineralização, processo que transforma o CO₂ em compostos sólidos, como carbonatos. Essa conversão torna o armazenamento mais seguro, pois reduz drasticamente a possibilidade de o gás retornar à atmosfera.

Tipos de rochas favorecem o armazenamento
A eficiência do método está diretamente ligada à composição das rochas. No Reino Unido, os pesquisadores identificaram formações com características ideais para esse tipo de reação.
Entre os principais tipos estão:
- Rochas máficas, que possuem altos níveis de ferro e magnésio
- Rochas ultramáficas, ainda mais ricas nesses elementos
Essas propriedades químicas facilitam a formação de minerais estáveis, fundamentais para manter o carbono preso no subsolo.
Rochas vulcânicas do Reino Unido como uma alternativa climática
A descoberta surge como uma possível solução complementar para enfrentar as emissões industriais. Isso é especialmente relevante para setores como cimento, aço e produtos químicos, que enfrentam maiores dificuldades para reduzir completamente suas emissões.
Segundo os pesquisadores, o armazenamento geológico não substitui outras medidas de redução, mas pode ajudar a lidar com o carbono que ainda precisa ser controlado. Caso a aplicação prática confirme os resultados, o país poderá assumir um papel relevante como reservatório natural de carbono.
Limitações ainda precisam ser avaliadas
Apesar do potencial identificado, os cientistas ressaltam que os dados são teóricos. Com o tempo, reações químicas podem alterar a estrutura das rochas, reduzindo o espaço disponível para armazenamento.
Além disso, nem todo o volume identificado pode ser utilizado na prática, já que parte das formações pode não ser acessível.
Outros fatores também precisam ser considerados:
- Viabilidade econômica
- Regulamentação
- Aceitação pública
- Condições técnicas de exploração
Testes em campo são próximos passos
Antes de qualquer implementação, será necessário realizar estudos mais detalhados nas áreas identificadas. Esses testes incluem perfurações, análise do fluxo de fluidos e mapeamento das fraturas subterrâneas.
Essas etapas vão indicar se o dióxido de carbono pode circular e reagir de forma eficiente dentro das rochas, além de definir quais áreas são realmente utilizáveis.
Fonte: Olhar Digital

-
-
4 pessoas reagiram a isso.