Mineração da Vale avança para um modelo com menos presença humana nas minas, mais centros de controle, equipamentos autônomos e uso crescente de inteligência artificial, enquanto a companhia também direciona parte relevante de seus investimentos em pesquisa para descarbonização e produtos de menor impacto ambiental.
A Vale passou a tratar a automação total de minas como uma possibilidade real para o futuro de suas operações, em um modelo com menor presença física nas áreas de extração e mais atividades concentradas em centros de controle.
Essa avaliação foi feita por Rafael Bittar, diretor de tecnologia da mineradora, durante o Web Summit Rio 2026, realizado no Rio de Janeiro com foco em inovação, inteligência artificial, tecnologia e novos modelos de negócios.
Para o executivo, a inteligência artificial deixou de ocupar um papel experimental dentro da companhia e passou a fazer parte da estratégia de negócios, especialmente em sistemas automatizados, testes logísticos e equipamentos operados à distância.
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“IA é caminho sem volta”, afirmou Bittar, ao comentar o avanço de soluções digitais na operação da Vale e a expansão de tecnologias que reduzem a necessidade de atuação direta nas frentes de mineração.
Realizado no Riocentro, na Barra da Tijuca, o Web Summit Rio 2026 ocorreu entre os dias 8 e 11 de junho e reuniu empresas, investidores, startups e executivos ligados ao setor de tecnologia.
Vale mira mineração com menos presença humana nas minas
Ao tratar do avanço tecnológico no principal negócio da Vale, a exploração mineral, Bittar citou a possibilidade de uma mina 100% automatizada, embora não tenha apresentado prazo para a adoção desse modelo.

Na prática, a empresa já utiliza centros de controle capazes de permitir a teleoperação de equipamentos a centenas de quilômetros de distância, o que aproxima a operação mineral de uma rotina cada vez mais remota e digitalizada.
Nesse cenário, caminhões, perfuratrizes, escavadeiras e tratores de esteira tendem a ganhar mais espaço nas minas, enquanto equipes humanas passam a atuar de forma mais concentrada em supervisão, controle, manutenção e análise de dados.
A projeção, porém, não equivale ao fim imediato dos trabalhadores na mineração, mas aponta para uma mudança gradual no tipo de atividade exercida em operações de grande escala e alta intensidade tecnológica.
Segundo Bittar, o futuro da mineração deve ter o mínimo de pessoas localmente, com apoio de centros de controle e equipamentos autônomos para ampliar segurança, produtividade e eficiência nas operações.
Frota autônoma deve ganhar mais 150 equipamentos
Nos planos apresentados pelo executivo, a Vale pretende adicionar mais 150 equipamentos autônomos à sua frota até o fim do próximo ano, sem detalhar quais unidades receberão esses ativos.
Parte dos veículos usados pela mineradora já é formada por caminhões autônomos, enquanto novas aplicações de inteligência artificial são testadas em áreas de logística e em etapas de apoio à produção.
Com a automação, tarefas antes realizadas diretamente nas minas passam a ser executadas por máquinas monitoradas remotamente, deslocando o trabalho humano para atividades ligadas a controle operacional e interpretação de informações.
A mudança altera a dinâmica tradicional da mineração, setor historicamente baseado em grandes equipes nas frentes de lavra, e reforça a aposta da Vale em sistemas digitais para sustentar sua estratégia operacional.

Ainda não há detalhamento público sobre a distribuição dos novos equipamentos entre caminhões, perfuratrizes, escavadeiras ou outros ativos, nem sobre eventual impacto da expansão autônoma sobre postos de trabalho.
Descarbonização pode receber parcela maior do P&D
Além da automação, Bittar afirmou que a Vale avalia ampliar a fatia dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento voltada à descarbonização, área que já concentra parte relevante dos recursos tecnológicos da companhia.
Atualmente, segundo o executivo, cerca de 25% de um total de US$ 700 milhões destinados a P&D é direcionado a pesquisas relacionadas à redução de emissões e a projetos ligados à transição energética.
“Eu acredito que a gente deve aumentar ainda assim essa parcela”, disse Bittar, ao responder sobre a possibilidade de elevar os recursos para iniciativas ambientais dentro do portfólio de inovação da Vale.
Na avaliação apresentada pelo diretor de tecnologia, novos projetos verdes têm entrado na companhia e exigem mais capital conforme avançam na cadeia de pesquisa e desenvolvimento, até chegar a estágios mais maduros.
A discussão surgiu em uma pergunta sobre a possibilidade de a Vale receber, no futuro, um prêmio por minério produzido de forma mais sustentável, sem maior emissão por tonelada e com menor presença de contaminantes.
Conhecido como quality premium, esse adicional pode ser pago quando o minério apresenta maior qualidade, pureza ou características ambientais específicas, mas Bittar disse não prever prazo para aplicação desse prêmio ao produto da empresa.
Caso o mercado avance nessa direção, o minério poderia ser valorizado por ter menor emissão por tonelada produzida e menor presença de elementos como sílica, alumina e magnésio.

Automação avança sem detalhamento sobre impactos trabalhistas
As falas de Bittar indicam que a Vale trabalha com uma visão de mineração cada vez mais digital, automatizada e dependente de inteligência artificial, combinada a investimentos em descarbonização.
Esse movimento ocorre em meio à pressão por cadeias produtivas menos emissoras e por minerais usados em tecnologias ligadas à transição energética, tema que tem levado empresas do setor a buscar operações mais eficientes.
Sobre os efeitos trabalhistas dessa transformação, ainda faltam informações públicas detalhadas sobre plano de substituição de trabalhadores, cronograma por unidade ou estimativa de impacto sobre empregos diretos e terceirizados.
Também não foram informadas as minas que poderiam chegar primeiro a um modelo totalmente automatizado, nem os critérios internos usados pela Vale para definir a expansão da automação.
Por enquanto, a projeção aparece como uma direção tecnológica defendida pela área de tecnologia da companhia, sustentada por equipamentos autônomos, teleoperação, inteligência artificial e mais investimentos em pesquisa aplicada.

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