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Pesquisadores fazem nova descoberta sobre o cometa interestelar 3I/ATLAS: ele nasceu em frio extremo, possui alta concentração de deutério, é o visitante interestelar mais antigo já detectado e pode revelar como era o Universo logo após o Big Bang

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 28/04/2026 às 10:58
Atualizado em 28/04/2026 às 11:02
Pesquisa da Nature Astronomy identifica que o cometa interestelar 3I/ATLAS nasceu em frio extremo e possui alta concentração de deutério. Saiba tudo sobre o visitante.
Pesquisa da Nature Astronomy identifica que o cometa interestelar 3I/ATLAS nasceu em frio extremo e possui alta concentração de deutério. Saiba tudo sobre o visitante. Foto: NASA/Goddard/SwRI/JHU-APL.
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Pesquisa da Nature Astronomy identifica que o cometa interestelar 3I/ATLAS nasceu em frio extremo e possui alta concentração de deutério. Saiba tudo sobre o visitante.

Uma pesquisa publicada na revista Nature Astronomy na última quinta-feira (23) trouxe revelações surpreendentes sobre o cometa 3I/ATLAS, o terceiro visitante interestelar confirmado pela ciência.

Utilizando o observatório ALMA, no Chile, cientistas da Universidade de Michigan descobriram que o objeto pode ter se formado em uma zona de frio extremo e isolamento na Via Láctea, possivelmente antes mesmo do nascimento de sua estrela de origem.

Com uma idade estimada em 11 bilhões de anos, o cometa é considerado uma “cápsula do tempo” que preserva segredos dos primeiros bilhões de anos após o Big Bang.

Cometa 3I/ATLAS: A assinatura química de um passado remoto

A singularidade do cometa 3I/ATLAS reside, principalmente, no estado de conservação de sua química original. Por meio de observações à distância, cientistas identificaram níveis surpreendentemente elevados de deutério — conhecido como o isótopo “pesado” do hidrogênio.

Essa assinatura química funciona como um termômetro cósmico: a alta concentração do elemento indica que o corpo celeste se formou sob um frio extremo, superando as baixas temperaturas do nosso próprio Sistema Solar.

Esse achado dá força à teoria de que o “berçário” deste cometa foi um ambiente isolado, protegido do calor de outras estrelas. Como o deutério é escasso em nossa vizinhança galáctica, o 3I/ATLAS atua como um registro físico raro de cenários que existiam bilhões de anos antes do surgimento do Sol.

Diferente dos cometas que orbitam o Sol de forma periódica, o cometa 3I/ATLAS é um viajante fugaz. Ele se junta ao asteroide 1I/’Oumuamua (2017) e ao cometa 2I/Borisov (2019) como os únicos intrusos de outros sistemas estelares já detectados.

No entanto, o 3I/ATLAS destaca-se pela sua antiguidade, tendo mais que o dobro da idade do nosso Sistema Solar.

Confira os dados técnicos do objeto:

  • Idade estimada: Cerca de 11 bilhões de anos.
  • Tamanho do núcleo: Entre 440 metros e 5,6 quilômetros (segundo dados do Hubble).
  • Velocidade de saída: Aproximadamente 220 mil km/h.
  • Trajetória: Já ultrapassou Júpiter e está deixando o Sistema Solar.

A jornada pelo Sistema Solar e o adeus

A descoberta do cometa ocorreu em julho do ano passado, permitindo que agências como a NASA e a ESA coordenassem observações globais. Durante sua breve estadia, o cometa 3I/ATLAS cruzou a órbita de Marte e atingiu sua maior proximidade com a Terra em dezembro. Atualmente, o visitante já iniciou sua trajetória de saída definitiva.

De acordo com a astrônoma Teresa Paneque-Carreno, coautora do estudo, o local exato de nascimento do cometa ainda é um mistério, mas sua existência comprova que informações valiosas sobre a formação planetária primordial estão vagando pelo espaço profundo.

Ilustração conceitual do cometa interestelar 3I/ATLAS, destacando a presença de moléculas de água contendo deutério (HDO). Créditos: NSF/AUI/NSF NRAO/M. Weiss

Por estar se afastando em alta velocidade, o objeto agora só pode ser acompanhado por telescópios de altíssima sensibilidade. O estudo do cometa 3I/ATLAS não é apenas uma curiosidade astronômica, mas uma oportunidade de observar processos químicos que ocorreram quando o Universo era jovem.

A detecção de substâncias como o “álcool interestelar” e a água rica em deutério oferece pistas sobre como os blocos fundamentais da matéria se organizavam em fases primitivas do cosmos. Assim, enquanto o 3I/ATLAS segue para a escuridão do espaço intergaláctico, ele deixa para trás um banco de dados que ajudará a recalibrar teorias sobre a evolução das galáxias.

A compreensão de que objetos tão antigos podem sobreviver a viagens milenares pelo vácuo abre caminho para futuras missões de interceptação, que buscarão desvendar a história da Via Láctea sem que precisemos sair do nosso próprio sistema estelar.

Fonte: Olhar Digital

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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