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Rochas cor de rosa misteriosas revelam um enorme segredo enterrado sob o gelo da Antártida

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 14/01/2026 às 18:36
Descoberta de enorme granito sob a geleira Pine Island esclarece fluxo de gelo antigo e melhora modelos sobre a Antártida.
Descoberta de enorme granito sob a geleira Pine Island esclarece fluxo de gelo antigo e melhora modelos sobre a Antártida.
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A identificação de um corpo de granito com quase 100 quilômetros de largura e até 7 quilômetros de espessura sob a geleira Pine Island conecta blocos rochosos superficiais à dinâmica do gelo há cerca de 175 milhões de anos e ajuda a refinar modelos sobre o comportamento passado e futuro da Antártida Ocidental

Um vasto corpo de granito enterrado sob a geleira Pine Island, na Antártida Ocidental, foi identificado por cientistas após décadas de indícios superficiais, revelando uma estrutura com cerca de 100 quilômetros de largura e impacto direto na reconstrução do fluxo de gelo passado e atual da região.

Rochas de granito rosa espalhadas pelos picos vulcânicos escuros das Montanhas Hudson, na Antártida Ocidental, levaram pesquisadores a identificar uma enorme formação granítica oculta sob a geleira Pine Island. A massa enterrada possui quase 100 quilômetros de largura e aproximadamente 7 quilômetros de espessura, dimensões que a tornam cerca de metade do tamanho do País de Gales.

Esses blocos rochosos chamavam a atenção de cientistas há décadas, por destoarem da geologia local dominada por rochas vulcânicas.

A presença desse material em pontos elevados sempre levantou dúvidas sobre sua origem e sobre os processos responsáveis por seu transporte até os topos montanhosos.

A identificação da estrutura subterrânea reformula a compreensão da história geológica e glaciológica da região, ao conectar rochas visíveis na superfície a um corpo rochoso de grandes proporções oculto sob quilômetros de gelo.

Datação dos blocos e pistas sobre a origem

Para desvendar o mistério, uma equipe liderada pelo British Antarctic Survey analisou os blocos de granito por meio da medição do decaimento radioativo de elementos presos em cristais microscópicos. A datação indicou que as rochas se formaram há cerca de 175 milhões de anos, durante o período Jurássico.

Apesar da idade determinada, permanecia sem resposta a questão de como esses blocos chegaram às Montanhas Hudson. A hipótese de transporte por gelo antigo existia, mas carecia de evidências diretas que conectassem as rochas superficiais a uma fonte específica no subsolo.

A solução começou a emergir quando os cientistas combinaram os dados geológicos com levantamentos geofísicos recentes, permitindo uma visão mais detalhada do que se encontra sob a espessa camada de gelo da Antártida Ocidental.

Uma rocha de granito rosa ao lado de um caderno amarelo para comparação de tamanho. Crédito: Jo Johnson, BAS

Levantamentos aéreos revelam um gigante oculto

Medições gravimétricas de alta resolução, realizadas por aeronaves Twin Otter do British Antarctic Survey e outros aviões que sobrevoaram a região, detectaram um sinal anômalo sob a geleira Pine Island. Esse sinal correspondia ao esperado para um grande corpo de granito enterrado profundamente sob o gelo.

A correspondência entre o sinal gravimétrico e as características dos blocos de granito observados na superfície permitiu estabelecer uma ligação direta entre ambos. Segundo os pesquisadores, essa associação representa um avanço significativo na compreensão da geologia subglacial da Antártida Ocidental.

A descoberta explica como uma camada de gelo muito mais espessa, existente no passado, foi capaz de arrancar grandes blocos do leito rochoso e transportá-los até áreas elevadas das montanhas circundantes, antes de recuar.

Reconstrução do fluxo de gelo na última era glacial

A conexão entre o granito oculto e os blocos superficiais fornece informações fundamentais sobre o comportamento da geleira Pine Island durante a última era glacial, há cerca de 20 mil anos. Naquele período, o gelo apresentava maior espessura e capacidade erosiva.

Com esses dados, os pesquisadores conseguem reconstruir padrões antigos de fluxo de gelo e estimar a espessura da camada glacial no passado. Essas informações são consideradas essenciais para refinar modelos computacionais que simulam a dinâmica das calotas polares.

De acordo com o geofísico Tom Jordan, autor principal do estudo, a combinação entre datação geológica e levantamentos gravimétricos permitiu não apenas resolver a origem das rochas, mas também revelar como o gelo fluiu anteriormente e como pode evoluir no futuro.

Influência da geologia na perda de gelo atual

A descoberta também tem implicações diretas para a compreensão dos processos atuais sob a geleira Pine Island, uma das áreas que apresentaram as taxas mais rápidas de perda de gelo na Antártida nas últimas décadas. A geologia do leito influencia o deslizamento do gelo e o escoamento da água de degelo subglacial.

O conhecimento detalhado dessa estrutura granítica ajuda a explicar variações no comportamento da geleira e contribui para o aprimoramento dos modelos usados para projetar a elevação do nível do mar. Esses modelos dependem da interação entre gelo, rocha e água para produzir projeções mais confiáveis.

A geóloga Joanne Johnson, coautora do estudo, destacou que os blocos de granito funcionam como um registro natural das mudanças do planeta ao longo do tempo, mostrando como o gelo erodiu e remodelou a paisagem antártica de forma profunda e prolongada.

Ao identificar a origem desses blocos, os cientistas conseguem reconstruir os caminhos percorridos pelo gelo e obter pistas sobre como a camada de gelo da Antártida Ocidental poderá mudar no futuro, informação considerada vital para avaliar impactos globais da subida do nível do mar.

Integração entre geologia e geofísica

O estudo evidencia a importância da integração entre diferentes áreas da ciência para compreender processos ocultos sob a superfície terrestre. A combinação de geologia e geofísica permitiu revelar uma estrutura até então invisível e reinterpretar dados observados há décadas.

Os pesquisadores ressaltam que formações semelhantes podem existir em outras regiões da Antártida, aguardando identificação por meio de técnicas aerotransportadas. A abordagem adotada neste trabalho abre caminho para novas investigações sobre a base rochosa das grandes geleiras.

Os resultados foram publicados em 22 de outubro de 2025 na revista Communications Earth & Environment, com apoio do Conselho de Pesquisa do Ambiente Natural e de programas britânicos de ciência polar.

Segundo os autores, compreender essas estruturas profundas é essencial para projetar o comportamento futuro das geleiras em um cenário de mudanças climáticas em curso, mesmo que muitos detalhes ainda permaneçam ocultos sob o gelo antártico.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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