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Rio Tietê volta a ficar verde e pastoso em Adolfo, peixes aparecem mortos, turismo desaba e usinas de cana são apontadas como vilãs enquanto autoridades ignoram um rio inteiro agonizando

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Escrito por Carla Teles Publicado em 22/02/2026 às 18:49
Rio Tietê volta a ficar verde e pastoso em Adolfo, peixes aparecem mortos, turismo desaba e usinas de cana são apontadas como vilãs enquanto autoridades ignoram um rio inteiro agonizando
No Rio Tietê, a eutrofização avança, peixes aparecem mortos, o turismo no Rio Tietê desaba e usinas de cana de açúcar entram no centro da crise.
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Em Adolfo, a eutrofização toma conta do Rio Tietê, peixes aparecem mortos na superfície, o turismo no Rio Tietê entra em crise e usinas de cana de açúcar são apontadas como responsáveis pela degradação do rio.

A água do Rio Tietê voltou a ficar verde, espessa e com cheiro forte em Adolfo, no interior paulista, enquanto peixes aparecem mortos na superfície e a população assiste, impotente, a mais um capítulo da degradação de um dos rios mais importantes do estado. Entre denúncias de moradores, alerta de biólogos e reuniões prometidas por autoridades, o cenário é de um rio sufocado por nutrientes em excesso, algas e descaso.

Nos braços do Tietê, como o Rio dos Bagres, a cor verde e pastosa e o fato de que peixes aparecem mortos com cada vez mais frequência derrubam o turismo, afastam pescadores e colocam em xeque a sobrevivência de marinas e comércios que dependem diretamente do rio. Enquanto isso, esgoto, fertilizantes e usinas de cana de açúcar são apontados como vilões silenciosos, e o Tietê segue na UTI ambiental há anos.

Rio Tietê fica verde e pastoso, e peixes aparecem mortos em Adolfo

No Rio Tietê, a eutrofização avança, peixes aparecem mortos, o turismo no Rio Tietê desaba e usinas de cana de açúcar entram no centro da crise.

Em Adolfo, a cena se repete: quem navega pelo braço do Rio dos Bagres encontra água esverdeada, densa e com textura pastosa, diferente da lâmina de água transparente que se espera de um rio saudável.

Perto da margem, a coloração verde já chama atenção, mas conforme o barco avança alguns quilômetros, a situação piora ainda mais.

As ondas deixadas pela embarcação não formam mais espuma branca, como seria comum. Por cima, é tudo verde, homogêneo, como se o rio tivesse sido coberto por uma camada de tinta espessa, com flocos de algas se acumulando na superfície.

Em meio a esse tapete de micro-organismos, peixes aparecem mortos boiando, confirmando o que os moradores já temem há meses: o rio está perdendo oxigênio e capacidade de sustentar vida.

Moradores relatam que, no ano passado, a mortandade de peixes foi ainda mais intensa, com cardumes inteiros aparecendo mortos em poucos dias.

Agora, a sensação é de que o problema retorna com força, embora haja menos peixe vivo para morrer do que antes.

Eutrofização: quando o rio para de respirar

O fenômeno observado em Adolfo tem nome técnico: eutrofização, que é o enriquecimento da água por nutrientes como fósforo e nitrogênio.

Esses nutrientes vêm, em grande parte, de dejetos da rede de esgoto e de fertilizantes usados em culturas como a cana de açúcar, que a chuva arrasta do solo para os cursos d’água.

Com esse excesso de nutrientes, algas e cianobactérias se multiplicam de forma explosiva, formando a camada verde que recobre a superfície.

Esse “tapete” impede que a luz penetre na água, reduz a fotossíntese das plantas aquáticas e, junto com o processo de decomposição da matéria orgânica, consome o pouco oxigênio disponível.

Na prática, o que acontece é simples e brutal: o rio deixa de respirar. A cor escura ou verde intensa, aliada ao cheiro forte descrito pelos moradores como “cheiro de chiqueiro”, é o sintoma visível de um ambiente aquático em colapso.

E a consequência mais evidente, mais cedo ou mais tarde, é sempre a mesma: peixes aparecem mortos em série, junto com camarões e outros organismos que não conseguem sobreviver à falta de oxigênio.

Quando peixes aparecem mortos, o turismo desaba

Em Adolfo, o Tietê não é apenas paisagem: é base econômica. Marinas, pousadas, pescadores esportivos e comércios locais dependem diretamente do rio para sobreviver. Quando a água fica verde, espessa e fétida, o impacto econômico é imediato.

Gerentes de marinas relatam queda de até 90% no movimento de pescadores. Ninguém quer entrar na água com o rio desse jeito, ninguém quer pescar onde peixes aparecem mortos boiando e o sonar não detecta cardumes, porque simplesmente não há mais peixe.

Para quem vive há anos às margens do Tietê, ver o espelho d’água se transformar em caldo verde é motivo de tristeza e revolta.

O turismo, que poderia ser um pilar sustentável para a região, cede lugar a um cenário de abandono ambiental.

O que era riqueza natural vira passivo ecológico, espantando visitantes e demolindo aos poucos o potencial econômico das cidades ribeirinhas.

Usinas de cana, esgoto e o custo ambiental empurrado para o rio

No Rio Tietê, a eutrofização avança, peixes aparecem mortos, o turismo no Rio Tietê desaba e usinas de cana de açúcar entram no centro da crise.

Na fala de moradores e lideranças locais, usinas de cana de açúcar aparecem como um dos principais alvos de crítica, lado a lado com o saneamento básico precário.

Fertilizantes e resíduos de atividades agroindustriais, somados à falta de tratamento adequado de esgoto em vários municípios, formam uma combinação explosiva de nutrientes que o rio simplesmente não consegue processar.

Em época de chuva, a água que escorre pelo solo carrega fertilizantes, matéria orgânica e tudo o que está acima da terra diretamente para o leito do Tietê. O resultado é esse enriquecimento artificial da água, alimentando algas que sufocam o rio.

Enquanto isso, prefeituras e autoridades ambientais são acusadas de fechar os olhos para o problema, preferindo enxergar apenas as cifras milionárias de arrecadação associadas ao setor sucroalcooleiro.

A conta, porém, não fecha. Nenhuma arrecadação cobre o prejuízo ecológico, econômico e social de um rio em colapso, onde peixes aparecem mortos, o turismo desaba e comunidades perdem, dia após dia, o seu principal patrimônio natural.

Um rio na UTI e autoridades em silêncio

Para quem vive em Adolfo, o diagnóstico é claro: o Rio Tietê está na UTI há anos, apenas “sendo mantido vivo” enquanto aguarda um socorro que não chega.

A cada verão chuvoso, volta o medo de ver a água ficar verde, o mau cheiro se espalhar e, em seguida, os peixes aparecerem mortos em sequência.

Frentes parlamentares, reuniões com dezenas de vereadores, participação de secretarias e órgãos como a CETESB são anunciadas, mas, na prática, a sensação é de que o tempo passa e as medidas efetivas não saem do papel.

Enquanto se discute quem são as vilãs e como dividir a responsabilidade, o rio segue agonizando diante de quem depende dele para comer, trabalhar e viver.

Moradores pedem fiscalização mais rigorosa, inclusão real das usinas de cana em planos de recuperação ambientaI, melhorias no tratamento de esgoto e ações concretas que enfrentem a causa, não só o sintoma.

Sem água limpa, não há turismo, não há pesca, não há renda e não há futuro para as cidades às margens do Tietê.

E você, acha que a prioridade para salvar o Rio Tietê em lugares como Adolfo deveria ser punir quem polui, investir primeiro em saneamento básico ou limitar atividades econômicas onde peixes aparecem mortos todos os anos?

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Carla Teles

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