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Resíduos de abacaxi convertidos em nanofibras aumentam em 32,7% a retenção de água

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 14/12/2025 às 08:51 Atualizado em 14/12/2025 às 15:43
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Estudo converte cascas de abacaxi em nanocelulose, eleva retenção de água em solos desérticos, reduz evaporação e melhora estabilidade, permitindo cultivo de tomate-cereja em areias áridas dos Emirados Árabes Unidos

Pesquisadores converteram resíduos de abacaxi em nanocelulose capaz de elevar em 32,7% a retenção de água e reduzir pela metade a evaporação em solos desérticos dos Emirados Árabes Unidos, permitindo o cultivo experimental de tomate-cereja em condições áridas.

O processamento de resíduos de abacaxi em nanofibras demonstrou potencial direto para estabilizar solos arenosos, aumentar a fertilidade e reduzir a pressão sobre recursos hídricos em regiões desérticas, oferecendo uma alternativa prática para a agricultura em zonas áridas.

Conversão de resíduos alimentares em nanocelulose funcional

O estudo mostrou que cascas de abacaxi, normalmente descartadas pelas indústrias de sucos e hotelaria, podem ser transformadas em nanocelulose com propriedades capazes de modificar o comportamento físico e químico de solos arenosos extremamente secos.

A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional de cientistas que aplicou tratamentos mecanoquímicos sucessivos, incluindo trituração, processamento alcalino, branqueamento e moagem em moinho de bolas, até obter fibras da macroescala à nanoescala.

As fibras produzidas a partir dos resíduos alimentares foram incorporadas a solos desérticos típicos dos Emirados Árabes Unidos, permitindo avaliar de forma controlada seus efeitos sobre a dinâmica da água, a estabilidade do solo e a retenção de nutrientes.

Testes em três tipos de areia desértica

Os experimentos envolveram três classes comuns de areia desértica da região: areias líticas, areias ricas em quartzo e areias calcárias, cada uma com características distintas de porosidade, coesão e capacidade de retenção hídrica.

A aplicação das fibras permitiu observar mudanças consistentes no comportamento desses solos, independentemente da composição mineral predominante, indicando que o efeito da nanocelulose não se limita a um único tipo de substrato arenoso.

Os resultados indicaram que a adição das fibras promoveu maior estabilidade estrutural, reduzindo a mobilidade das partículas de areia em ambientes sujeitos à ação constante do vento e à rápida perda de umidade.

Ganhos expressivos na retenção de água e estabilidade

Os solos tratados com nanofibras de abacaxi apresentaram aumento de até 32,7% na capacidade de retenção de água, um ganho relevante em superfícies onde a umidade normalmente se perde em poucas horas.

A permeabilidade do solo foi reduzida em 58%, retardando o escoamento e a infiltração excessiva da água, o que contribui para manter a umidade disponível por períodos mais longos após a irrigação.

A evaporação superficial também foi reduzida em 50%, enquanto a coesão do solo quadruplicou, um fator crítico em áreas desérticas onde a instabilidade da areia dificulta qualquer tentativa de cultivo agrícola.

Retenção de nutrientes quase dobra com nanofibras

Além dos ganhos hídricos, os testes mostraram que a retenção de nutrientes, especialmente de fósforo, quase dobrou nos solos tratados com as fibras derivadas do abacaxi, reduzindo perdas por lixiviação ou volatilização.

Esse aumento é relevante em regiões áridas, onde fertilizantes aplicados ao solo costumam ser rapidamente perdidos devido à baixa capacidade de retenção dos substratos arenosos e à escassez de matéria orgânica.

Com maior disponibilidade de nutrientes na zona radicular, o solo tratado passou a oferecer condições mais favoráveis ao desenvolvimento vegetal, mesmo sob restrições severas de água.

Experimentos com mudas de tomate-cereja

Ensaios de crescimento realizados com mudas de tomate-cereja confirmaram os efeitos observados nas análises físico-químicas dos solos, demonstrando impacto direto sobre a sobrevivência e o desenvolvimento das plantas.

Em concentrações moderadas, entre 0,25% e 1% de fibra em peso, as mudas apresentaram taxas de sobrevivência superiores, maior número de folhas e crescimento mais saudável em comparação com os controles.

Quando a concentração foi elevada para 3%, houve redução da sobrevivência das plantas, indicando que a aplicação excessiva das fibras pode comprometer o desempenho vegetal e exige ajuste preciso dos níveis usados.

Comportamento das fibras ao longo do tempo

O estudo também avaliou a biodegradação das fibras em diferentes ambientes, observando que, em solos ricos em matéria orgânica, a decomposição ocorre de forma mais rápida ao longo do tempo.

Em areias muito pobres, típicas de desertos, as fibras mantiveram sua estrutura por períodos mais prolongados, preservando os efeitos positivos sobre retenção de água e estabilidade do solo por mais de uma estação.

Essa persistência estrutural é considerada vantajosa, pois evita que os benefícios desapareçam rapidamente, reduzindo a necessidade de reaplicações frequentes do material no manejo agrícola.

Alinhamento com a bioeconomia circular

A conversão de resíduos de abacaxi em nanocelulose aplicada ao solo está alinhada aos princípios da bioeconomia circular, na qual resíduos orgânicos retornam ao sistema produtivo como insumos de valor.

Regiões como o Oriente Médio e o Norte da África, que importam grande parte dos alimentos consumidos e enfrentam crescente escassez de água, buscam soluções que reduzam a dependência de recursos externos.

Nesses contextos, um resíduo abundante e frequentemente descartado pode se tornar um material estratégico para apoiar a agricultura em zonas áridas e mitigar os efeitos da desertificação.

Integração com outras iniciativas em solos degradados

A pesquisa se insere em um conjunto mais amplo de iniciativas que exploram biomateriais para recuperar solos degradados, utilizando recursos locais e processos de menor impacto ambiental.

Na Arábia Saudita, polímeros naturais derivados de algas vêm sendo testados para combater a desertificação, enquanto no Marrocos cooperativas agrícolas experimentam biochar produzido a partir de resíduos de poda.

A nanocelulose de resíduos de abacaxi se soma a essas abordagens, reforçando o uso de materiais simples e disponíveis localmente para gerar efeitos diretos na retenção de água e na produtividade agrícola.

Implicações para restauração de solos e segurança alimentar

Ao relacionar a estrutura das fibras com a mecânica do solo, a dinâmica da água e as interações entre plantas e microrganismos, a pesquisa oferece um roteiro técnico para a restauração de solos desérticos.

Os autores indicam que estudos futuros devem refinar modelos de retenção hídrica e explorar a integração de outros subprodutos agrícolas ao processo, ampliando as possibilidades de aplicação da tecnologia.

A proposta abre caminho para reduzir o estresse hídrico, melhorar a segurança alimentar e aumentar a resiliência climática em áreas onde a desertificação avança mais rapidamente que a capacidade de adaptação local, mesmo com pequenos ajustes tecnicos ao longo do processo.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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