Compacto elétrico da Renault deixa o mercado brasileiro após vendas baixas, avanço de rivais chineses e mudança de estratégia da montadora no país. Modelo perdeu espaço entre os elétricos de entrada e saiu silenciosamente do configurador oficial da fabricante.
Depois de perder espaço no segmento de elétricos de entrada, o Kwid E-Tech deixou de ser oferecido oficialmente pela Renault no Brasil e desapareceu do configurador da fabricante, encerrando uma trajetória iniciada com a proposta de democratizar os carros movidos exclusivamente a bateria.
Em posicionamento enviado à imprensa, a montadora confirmou o encerramento da operação comercial do modelo e afirmou que a decisão ocorreu por “dificuldade de obtenção de volumes necessários para garantir a continuidade da comercialização no Brasil”.
Kwid E-Tech deixa o mercado brasileiro
Quando chegou ao mercado nacional, em 2022, o Kwid E-Tech ocupou rapidamente o espaço de elétrico mais acessível do país, mas viu sua relevância diminuir à medida que fabricantes chinesas passaram a disputar o segmento com modelos mais modernos e competitivos.
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Nem mesmo a atualização visual e tecnológica aplicada à linha 2026 conseguiu reverter o cenário de baixa procura observado nos últimos meses, principalmente após a chegada de concorrentes com maior autonomia e equipamentos mais avançados.

Os números de emplacamentos ajudam a dimensionar a queda de participação do compacto elétrico dentro do mercado brasileiro.
Levantamentos divulgados pela imprensa especializada apontam que o modelo registrou apenas 215 unidades emplacadas nos quatro primeiros meses de 2026, enquanto o material original cita 217 veículos comercializados no acumulado do ano.
Enquanto isso, o Geely EX2 alcançou 6.076 unidades no mesmo período, ao passo que o BYD Dolphin Mini ultrapassou a marca de 21 mil emplacamentos no mercado brasileiro.
Elétricos chineses aceleraram mudança no segmento
A saída do Kwid E-Tech também modifica a configuração do segmento de elétricos compactos vendidos no país, especialmente entre os modelos considerados de entrada para consumidores que buscavam o primeiro carro movido exclusivamente a bateria.
Com preço de R$ 99.990 antes da descontinuação, o hatch da Renault ainda figurava entre os veículos elétricos mais baratos do mercado, embora o valor já não fosse suficiente para sustentar competitividade diante dos rivais asiáticos.
Agora, o BYD Dolphin Mini assume a posição de principal referência entre os elétricos mais acessíveis de maior alcance comercial, aparecendo nas concessionárias com preço de R$ 119.990 nas versões analisadas pela imprensa automotiva.
Na mesma faixa de mercado, o Geely EX2 ampliou sua presença no país e passou a disputar consumidores interessados em modelos urbanos compactos, com foco em custo-benefício e maior nível de equipamentos.
Parceria entre Renault e Geely ganha espaço no Brasil
Além da baixa procura registrada pelo compacto elétrico, a saída do modelo acontece em um momento de reformulação estratégica da Renault dentro da operação brasileira voltada ao segmento de veículos eletrificados.

Recentemente, Renault e Geely anunciaram investimento de R$ 3,8 bilhões no Complexo Ayrton Senna, localizado em São José dos Pinhais, no Paraná, onde serão produzidos veículos das duas fabricantes voltados ao mercado nacional.
Com a parceria, a Geely passa a utilizar parte da estrutura industrial da montadora francesa no Brasil, enquanto a Renault amplia o acesso a plataformas, tecnologias e soluções desenvolvidas pela fabricante chinesa.
Dentro desse contexto, a permanência do Kwid E-Tech importado perdeu relevância comercial, principalmente diante da estratégia de fortalecimento de modelos mais recentes ligados à nova operação conjunta.
Como era o Renault Kwid E-Tech
Desde a chegada ao mercado brasileiro, o Kwid E-Tech utilizava conjunto elétrico formado por motor de 65 cv e 11,5 kgfm de torque, mantendo praticamente a mesma configuração técnica durante todo o período em que permaneceu à venda.
Segundo os dados oficiais divulgados pela fabricante, o compacto acelerava de 0 a 100 km/h em 14,6 segundos e tinha velocidade máxima limitada eletronicamente a 130 km/h.
Já a bateria de 26,8 kWh entregava autonomia homologada de 185 km pelo Inmetro, número considerado modesto diante dos padrões apresentados pelos concorrentes mais recentes do segmento.
Na última atualização visual, o modelo recebeu mudanças inspiradas no Dacia Spring europeu, além de novos equipamentos voltados à segurança e conectividade embarcada.
Entre os itens adicionados estavam frenagem autônoma de emergência, reconhecimento de placas de velocidade, sensor de fadiga e uma central multimídia de dez polegadas integrada ao painel digital.
Com o encerramento das vendas do Kwid E-Tech, o Megane E-Tech passa a ser o único veículo totalmente elétrico de passeio oferecido atualmente pela Renault no mercado brasileiro.
De acordo com as informações disponíveis no site oficial da fabricante, o modelo tem autonomia de 337 km pelo ciclo PBEV e preço inicial de R$ 279.990.

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