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Reino Unido testa pântano salgado flutuante após perder mais de 85% da vegetação costeira, usa pontões com plantas marinhas para limpar água e recuperar biodiversidade em áreas dominadas por concreto e mira solução escalável para o litoral britânico

Escrito por Carla Teles
Publicado em 28/05/2026 às 15:43
Atualizado em 28/05/2026 às 15:48
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Pântano flutuante no Reino Unido recupera vegetação costeira, melhora qualidade da água e amplia biodiversidade.
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Projeto liderado pela Universidade de Portsmouth instala pântano flutuante com vegetação de sapal em Portsmouth para avaliar limpeza da água, retorno de espécies e resiliência costeira, depois que habitats marinhos perderam mais de 85% da vegetação no Reino Unido em 50 anos, em áreas pressionadas por concreto, paredões e urbanização.

Um pântano flutuante está sendo testado no Reino Unido para recuperar funções ambientais perdidas em áreas costeiras tomadas por concreto. O projeto é liderado pela Universidade de Portsmouth, em parceria com a Southern Water, em Portsmouth, e foi anunciado em abril de 2026 como uma experiência de restauração costeira.

Segundo publicação da Universidade de Portsmouth, a iniciativa usa pontões flutuantes projetados para sustentar vegetação de sapal em águas costeiras. A proposta é avaliar se esse sistema pode melhorar a qualidade da água, criar refúgio para espécies marinhas e devolver biodiversidade a ambientes onde os habitats naturais foram reduzidos por obras, paredões e urbanização.

Reino Unido testa pântano flutuante em áreas onde a vegetação costeira desapareceu

Pântano flutuante no Reino Unido recupera vegetação costeira, melhora qualidade da água e amplia biodiversidade.
Imagem: Vídeo University of Portsmouth / YouTube.

O projeto surge em um cenário de perda expressiva de ecossistemas costeiros. Pesquisadores apontam que mais de 85% da vegetação aquática e marinha, incluindo pântanos salgados, ervas marinhas e algas, desapareceu no Reino Unido ao longo dos últimos 50 anos.

Esse desaparecimento afeta não apenas a paisagem, mas também funções ecológicas importantes. Sem vegetação costeira, áreas marinhas rasas perdem abrigo para peixes, filtragem natural da água e espaços usados por diferentes organismos para alimentação e reprodução.

Pontões com plantas marinhas tentam recriar um habitat que o concreto eliminou

O pântano flutuante funciona como uma estrutura instalada sobre a água, com pontões capazes de sustentar plantas típicas de sapal. Em vez de tentar reconstruir imediatamente uma área natural fixa no solo, os pesquisadores testam uma plataforma viva, capaz de ocupar espaços onde o habitat original foi perdido.

A ideia é especialmente relevante para zonas costeiras modificadas por infraestrutura rígida, como defesas contra enchentes, muros marítimos e áreas urbanizadas. Nesses locais, o litoral continua existindo fisicamente, mas muitas vezes perde a vegetação que sustentava a vida marinha.

Sistema de sapal flutuante ainda é raro em ambiente marinho

Pântano flutuante no Reino Unido recupera vegetação costeira, melhora qualidade da água e amplia biodiversidade.
Imagem: Vídeo University of Portsmouth / YouTube.

Segundo os pesquisadores envolvidos, o uso de espécies marinhas em um sistema flutuante desse tipo ainda é pouco comum. A técnica já foi testada poucas vezes anteriormente, o que torna o acompanhamento científico uma parte central do projeto.

O pântano flutuante não é apresentado como substituto completo de um ecossistema costeiro natural. A proposta é verificar se ele pode funcionar como uma solução complementar, principalmente em pontos onde a restauração tradicional encontra limites por causa da urbanização ou da presença de estruturas de concreto.

Qualidade da água será acompanhada antes e depois da instalação

As zonas úmidas flutuantes foram criadas no Southcoast Wake Park, em Portsmouth, dentro de um programa de pesquisa de longo prazo. Os cientistas acompanharão o ambiente antes e depois da instalação para medir mudanças na água, na biodiversidade e na resiliência ecológica.

Entre os objetivos está observar se as plantas conseguem absorver nutrientes e poluentes presentes no ambiente aquático. Esse tipo de monitoramento é decisivo porque permite separar expectativa de resultado real, mostrando se o sistema entrega benefícios mensuráveis ao longo do tempo.

Biodiversidade será medida com DNA ambiental

A equipe também usará sequenciamento de DNA ambiental, conhecido como eDNA, para rastrear mudanças na biodiversidade. Essa técnica permite identificar sinais deixados por organismos no ambiente, incluindo bactérias, fungos, peixes e invertebrados.

Com isso, os pesquisadores poderão avaliar se o pântano flutuante atrai novas formas de vida ou altera a composição ecológica da área. O método também ajuda a identificar a origem de comunidades bacterianas, informação relevante para estudos ligados à qualidade da água, proteção de moluscos e condições de banho.

Projeto mira solução escalável para o litoral britânico

Pântano flutuante no Reino Unido recupera vegetação costeira, melhora qualidade da água e amplia biodiversidade.
Imagem: Vídeo University of Portsmouth / YouTube.

A Southern Water vê a iniciativa como uma possível solução baseada na natureza para áreas protegidas no futuro. Caso os resultados sejam positivos, tecnologias de zonas úmidas flutuantes poderão ser avaliadas em outros ambientes marinhos e também em áreas de água doce.

O interesse por escala ocorre porque a perda de habitat costeiro não é um problema isolado de Portsmouth. O Reino Unido enfrenta desafios combinados de urbanização costeira, poluição por nutrientes, pressão sobre ecossistemas e mudanças climáticas, fatores que aumentam a necessidade de alternativas adaptáveis.

Pântano flutuante também entra no debate econômico da restauração costeira

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A restauração de habitats costeiros não envolve apenas conservação ambiental. Pesquisadores destacam que os serviços ecossistêmicos costeiros são estimados em £211 bilhões para a economia do Reino Unido, o que inclui benefícios ligados à proteção natural, biodiversidade, qualidade da água e resiliência de longo prazo.

Nesse contexto, o pântano flutuante aparece como uma tentativa de unir engenharia ecológica e gestão costeira. A pergunta central é se estruturas vivas, instaladas em áreas alteradas pelo concreto, podem devolver parte das funções que o litoral perdeu sem exigir grandes intervenções no terreno.

Experimento pode indicar novo caminho para cidades costeiras

O teste em Portsmouth será observado ao longo do tempo, porque sistemas costeiros mudam conforme marés, eventos climáticos, poluição e pressão humana. Mesmo que os resultados iniciais sejam positivos, a eficácia dependerá da permanência das plantas, da resposta da fauna e da capacidade de manutenção do sistema.

A experiência também mostra uma mudança na forma de pensar a infraestrutura costeira. Em vez de depender apenas de concreto para controlar riscos, projetos desse tipo buscam incluir vegetação, biodiversidade e filtragem natural como parte da solução.

Agora fica a questão: soluções como pântano flutuante deveriam ser adotadas em mais áreas costeiras tomadas por concreto, ou ainda é cedo para apostar nesse tipo de tecnologia ambiental em larga escala? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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