Em Campinas, o rei da sucata transformou um depósito de sucata em uma cidade da sucata cheia de aviões antigos, peças raras e milhares de itens negociados na hora.
Em Campinas, no interior de São Paulo, um rei da sucata ergueu algo que vai muito além de um ferro-velho comum. Em um terreno de cerca de 110 mil metros quadrados, seu Vitório espalhou aviões, helicópteros, TVs antigas, brinquedos gigantes, bombas de combustível, móveis, máquinas e milhares de objetos que parecem ter saído de um museu, de um parque de diversões e de um filme ao mesmo tempo.
Entre carcaças de aeronaves, brinquedos de festas infantis e relíquias que já não existem nas casas brasileiras, o lugar foi batizado de “cidade da sucata” pelos visitantes. E não é exagero. O rei da sucata transformou um depósito em uma verdadeira cidade de peças raras, onde praticamente tudo está à venda e onde cada canto guarda uma história, uma lembrança ou uma oportunidade de negócio.
A cidade da sucata em Campinas

O Achamos no Brasil chega ao endereço do rei da sucata e a cena inicial já diz tudo. Antes mesmo de encontrar seu Vitório, a equipe passa por um avião inteiro, depois por um helicóptero e segue caminhando entre carcaças de aeronaves que, em qualquer outro lugar, estariam esquecidas ou desmontadas.
-
Mel de abelhas sem ferrão pode custar até R$ 600 o litro e surpreende com sabores que lembram madeira, frutas cítricas e até queijo
-
Mulher afirma ter identificado uma coincidência técnica nos últimos torneios da FIFA e agora aposta em um possível campeão da Copa do Mundo
-
Chevrolet anuncia a oportunidade de você ganhar um carro zero, saiba como concorrer gratuitamente a um Sonic RS 2026 pelo WhatsApp
-
Terremoto ou tsunami: qual destrói mais? Entenda as diferenças e por que um pode ser ainda mais perigoso
Ali, não. Ali elas viram cenário, vitrine e matéria-prima. São mais de 20 carcaças de avião espalhadas pelo terreno, algumas inteiras, outras desmontadas, com janelas, portas e trens de pouso à vista.
Subindo uma escada típica de embarque, a repórter encontra seu Vitório dentro de um avião, sorridente, pronto para apresentar o seu mundo como se estivesse recebendo visitas em casa.
Ele explica que muita gente leva, por exemplo, janelas de avião para usar como decoração, simulando interiores de aeronaves em casas, escritórios, bares e lanchonetes temáticas.
Numa dessas janelas, o rei da sucata dispara o preço com naturalidade, como quem sabe de cor o valor de cada coisa: se uma peça nova custa milhares no setor aeronáutico, a que está ali ganha uma nova função e um novo valor, bem mais acessível para quem quer apenas decorar.
Aviões, helicópteros e lembranças da infância
A sensação ao andar pela “cidade da sucata” é de estar em um parque temático de memórias. O rei da sucata coleciona não só aviões e helicópteros, mas também objetos que remetem a décadas passadas.
Em meio às pilhas organizadas, surgem televisões antigas, daquelas em que o canal era mudado na mão, com botão giratório, antena de metal e até improviso de palha de aço na ponta para “pegar melhor o sinal”.
A repórter segura uma dessas frentes de TV, com botões de volume, brilho e contraste, como se estivesse folheando um álbum de fotos da própria infância.
Logo ao lado, um brinquedo gigante de festa infantil, uma espécie de cápsula que lembra “a nave da Xuxa”, ainda resiste ao tempo. Ele já não parece pronto para funcionar, mas continua chamando a atenção pela forma e pelas memórias que desperta.
O rei da sucata transforma esses brinquedos em oportunidades, seja para quem quer restaurar, seja para quem deseja apenas uma peça impactante para compor um espaço temático.
Tudo tem preço com o rei da sucata
Se tem uma coisa que define seu Vitório é o faro para negócio. Na cidade da sucata, tudo tem preço, e ele sabe os valores de cabeça.
O terreno de cerca de 110 mil metros quadrados, equivalente a muitos campos de futebol, está tomado por peças pequenas, médias, grandes e gigantes.
Em um ponto, ele fala de dezenas de milhares de peças diferentes. Em outro, negocia valores que vão de algumas centenas de reais a centenas de milhares, dependendo do tamanho e da raridade do objeto.
O rei da sucata está sempre pronto para negociar, seja uma janela de avião, uma TV antiga, uma cadeira de dentista ou um grande brinquedo de parque.
Quando a repórter pergunta o preço de um brinquedo gigante, ele solta, sem titubear, um valor na casa das dezenas de milhares.
Para uma bomba de combustível antiga, daquelas que viram peça de decoração em bares, garagens e coleções particulares, ele fala em alguns milhares de reais.
E para um avião inteiro, pronto para virar lanchonete, bar ou atração fixa em um empreendimento, o discurso muda para “promoção” com desconto de cem mil reais em relação ao valor inicial.
É nesse jogo entre memória, raridade e uso criativo que o negócio se sustenta. O rei da sucata não está vendendo só ferro velho, está vendendo histórias, cenários e possibilidades.
Do “fim de linha” ao recomeço em outro lugar
Em uma placa e na própria fala, seu Vitório resume a filosofia da cidade da sucata: “O que para você é o fim, para nós é apenas o começo.”
O que sai de empresas, indústrias, lojas, festas, hospitais, postos de gasolina e antigos comércios como sucata encontra ali um segundo destino.
Esse olhar para o “fim de linha” é o que transforma o depósito do rei da sucata em uma espécie de hub de reaproveitamento, compra e revenda.
Empresas que trocam equipamentos enviam lotes inteiros. Donos de estabelecimentos que fecham as portas ou reformam ambientes também encontram em seu Vitório alguém disposto a absorver aquilo que, em outro contexto, acabaria em um aterro.
No setor de “miudezas”, como ele mesmo chama, é possível encontrar cadeiras de dentista, carteiras escolares, banheiras de hidromassagem, microfones, peças de mobiliário e equipamentos diversos.
Alguns ainda podem ser utilizados com pequenas reformas, outros viram decoração, cenário de filmagem, acervo para colecionadores ou base para projetos criativos de arquitetura e design.
Uma vida inteira entre ferro, peças e histórias
Aos 73 anos, o rei da sucata tem uma trajetória que se confunde com a própria sucata. Ele cresceu em meio ao comércio de materiais usados, vendo o pai trabalhar nesse ramo e aprendendo desde cedo a enxergar valor onde os outros viam apenas peso e descarte.
Há cerca de 35 anos, está no mesmo endereço em Campinas, consolidando o lugar como referência para quem procura peças raras, relíquias, grandes estruturas e oportunidades únicas de compra.
Tudo é supervisionado por ele e pela filha, que o ajuda na organização e na gestão dessa verdadeira cidade de sucata.
Entre uma negociação e outra, seu Vitório também se diverte. Sobe em brinquedo, testa banheira, pega microfone, improvisa como apresentador e entra na brincadeira da equipe de TV.
Em certo momento, ele mesmo tenta assumir o papel de repórter, arrancando risadas de todos e provando que o rei da sucata também é rei da resenha.
No fim, fica claro que o lugar não é apenas um depósito gigante. É um mosaico de objetos que contam pedaços da história do consumo e da tecnologia no Brasil, reunidos por alguém que se recusa a deixar tudo isso ser esquecido.
O rei da sucata construiu, peça por peça, uma cidade onde o passado ganha chance de virar futuro em outra casa, outro negócio, outra ideia.
E você, se pudesse escolher uma peça na cidade do rei da sucata para levar para casa, preferiria um avião para transformar em bar, uma TV antiga para decorar a sala ou algum outro achado curioso que ninguém mais teria?


Sensacional unir o útil ao agradável, parabéns Sr Vitório 👏👏👏👏👏