1. Início
  2. / Economia
  3. / Reforma do gás de cozinha pode gerar rombo de R$ 797 milhões por ano, ampliar informalidade no GLP e abrir espaço para o crime organizado no Brasil
Tempo de leitura 3 min de leitura Comentários 0 comentários

Reforma do gás de cozinha pode gerar rombo de R$ 797 milhões por ano, ampliar informalidade no GLP e abrir espaço para o crime organizado no Brasil

Escrito por Corporativo
Publicado em 21/05/2026 às 16:28
Atualizado em 21/05/2026 às 16:30
Fileira de botijões de gás de cozinha em tons metálicos e amarelados armazenados em área de distribuição, destacando o setor de GLP e os debates sobre segurança, fiscalização e informalidade no mercado brasileiro.
Botijões de gás de cozinha aparecem armazenados em centro de distribuição, enquanto debates sobre fiscalização, rastreabilidade e segurança no setor de GLP avançam no Brasil — Foto: Reprodução/IA
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Estudos da USP e da Ecoa alertam que mudanças regulatórias no mercado de gás de cozinha podem afetar arrecadação, fiscalização, rastreabilidade dos botijões e segurança de milhões de consumidores.

O mercado de gás de cozinha entrou no centro de um debate regulatório que pode gerar forte impacto econômico e social no Brasil. Segundo estudos da Escola de Segurança Multidimensional da USP, em fevereiro de 2026, e da Ecoa Consultoria Econômica, em março de 2026, propostas em análise podem ampliar a informalidade no setor de GLP.

Atualmente, o país distribui cerca de 35 milhões de botijões por mês, o equivalente a 13 unidades por segundo. Entretanto, mudanças como o cross-filling, o enchimento fracionado em centrais remotas e a substituição da marca física em alto-relevo preocupam especialistas.

Rastreabilidade dos botijões vira ponto central do debate

Além disso, os estudos apontam que a flexibilização pode enfraquecer a rastreabilidade física dos botijões. Hoje, a marca gravada permite identificar responsabilidades em casos de falhas, vazamentos ou acidentes.

De acordo com a USP, a retirada desse controle pode dificultar a fiscalização. Consequentemente, empresas poderiam investir menos em segurança, manutenção e requalificação dos vasilhames.

Entre 2014 e 2024, o setor requalificou 118 milhões de recipientes. No mesmo período, 6 milhões de botijões foram inutilizados por falta de condições adequadas. Os investimentos superaram R$ 9 bilhões, enquanto a requalificação anual movimenta cerca de R$ 280 milhões.

Crime organizado pode avançar no setor de GLP

Nesse cenário, o estudo coordenado pelo professor Leandro Piquet Carneiro, da USP, alerta para um risco adicional. Segundo a análise, a diluição da responsabilidade pode abrir espaço para milícias e facções.

Atualmente, em favelas do Rio de Janeiro, estima-se que 70% a 80% do comércio varejista de botijões já esteja sob influência de grupos criminosos. Com a flexibilização, esses grupos poderiam avançar para o enchimento e a distribuição.

Portanto, segundo o professor, o GLP pode se tornar uma nova fronteira do crime organizado no Brasil. O estudo também relembra os anos 1980, antes do Programa Nacional de Requalificação dos Botijões, quando acidentes domésticos aumentaram.

Rombo fiscal pode chegar a R$ 797 milhões por ano

Além do risco à segurança, a Ecoa Consultoria Econômica aponta impacto direto nos cofres públicos. Caso o mercado de GLP alcance informalidade semelhante à dos cigarros, de 41%, a perda pode chegar a R$ 797,1 milhões por ano.

Ainda assim, cenários menores também preocupam. Com informalidade parecida à dos combustíveis automotivos, de 8,3%, a perda anual seria de R$ 120,6 milhões. Já em nível semelhante ao das bebidas destiladas, de 28%, o rombo chegaria a R$ 474,8 milhões.

Segundo a economista Claudia Viegas, da Ecoa, a fiscalização complexa e espalhada pelo país aumenta o risco. Além disso, as fiscalizações da ANP caíram cerca de 18% em 2024.

Fiscalização menor pode afetar famílias mais pobres

Ao mesmo tempo, os estudos alertam para o impacto sobre consumidores vulneráveis. Programas como o Gás do Povo ampliam o acesso ao gás de cozinha para cerca de 15 milhões de famílias.

Porém, a informalidade pode impedir o acesso ao cashback previsto na Reforma Tributária. Isso ocorre porque a devolução de impostos depende da emissão de nota fiscal.

Diante disso, USP e Ecoa recomendam a suspensão das discussões sobre cross-filling e enchimento remoto. As instituições defendem recompor o orçamento da ANP, fortalecer a fiscalização e manter a rastreabilidade física dos botijões.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Corporativo

CPG Informes Corporativos é destinado a notícias sobre eventos, projetos e comunicados de empresas do Brasil e do mundo!

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x