Participação de idosos no mercado atinge recorde histórico e transforma a dinâmica do trabalho no país
A presença de trabalhadores com mais de 60 anos no mercado brasileiro alcançou, em 2024, o maior índice desde o início da série da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, publicada desde 2012.
Com isso, um em cada quatro idosos permanece ativo, o que redefine a composição etária da força de trabalho e altera a relação entre envelhecimento e atividade profissional no país.
Crescimento histórico da participação de idosos no mercado de trabalho
O nível de ocupação dos brasileiros com mais de 60 anos manteve tendência de alta após a pandemia e, portanto, atingiu 24,4% em 2024. Esse resultado supera o verificado em 2019, quando a taxa chegou a 23,1%, e representa o ponto mais elevado dos últimos 12 anos.
De acordo com o IBGE, o aumento da expectativa de vida para 76,6 anos e a reforma da Previdência, que estabeleceu idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 para homens, impulsionam a permanência prolongada no mercado.
Queda da desocupação e melhora da empregabilidade dos idosos
Passada a fase crítica da pandemia, quando a ocupação de idosos caiu abaixo de 20%, a taxa de desocupação recuou continuamente.
Ano passado, apenas 2,9% dos idosos procuravam emprego sem sucesso (menor marca desde 2015), quando o índice ficou em 2,5%.
O analista socioeconômico Jefferson Mariano, do IBGE, destaca que o desemprego no menor patamar da história contribuiu para ampliar a absorção de trabalhadores acima de 60 anos.
Segundo ele, se o mercado permanecer aquecido, a tendência é de crescimento contínuo da participação, sobretudo entre 60 e 69 anos.
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Subutilização recua, mas informalidade permanece elevada
A taxa composta de subutilização dos idosos também diminuiu. Ela chegou a 13,2% em 2024, o menor valor desde 2016, e reúne indivíduos que trabalham menos do que desejam, que estão desempregados ou que não buscaram vaga recentemente.
Ainda assim, conforme ressalta Mariano, a informalidade segue elevada, pois muitos idosos não conseguem permanecer no emprego original e, portanto, migram para ocupações sem registro.
Para o analista, persistem obstáculos à formalização, o que explica a manutenção desse quadro mesmo diante da melhora geral dos indicadores.
Diferenças entre homens e mulheres permanecem marcantes
Os dados do IBGE expõem uma diferença significativa entre os sexos.
A participação masculina no mercado após os 60 anos atingiu 34,2%, enquanto a feminina alcançou 16,7%.
Segundo o instituto, essa disparidade decorre das responsabilidades atribuídas ao trabalho reprodutivo, como cuidados familiares e tarefas domésticas, que reduzem a disponibilidade das mulheres para atividades remuneradas em todas as idades.
Fatores demográficos e institucionais moldam novas dinâmicas de trabalho
A combinação de maior longevidade, novas regras previdenciárias e queda consistente do desemprego indica uma transformação profunda na relação entre envelhecimento e trabalho.
Além disso, a continuidade desse movimento deve reforçar a presença da população idosa na força laboral, o que redesenha a dinâmica do mercado brasileiro.
