Produção recorde, avanço regional e consumo em alta colocam empresa cearense em uma cadeia de ovos que ainda tem maior concentração no Sudeste, enquanto o Nordeste amplia presença em polos produtivos como Ceará e Pernambuco.
A Avine, empresa cearense fundada em 1992, alcançou a marca de 2 milhões de ovos por dia após investir R$ 72 milhões em expansão, automação e modernização de suas unidades produtivas nos últimos três anos, segundo informações divulgadas pela companhia.
O avanço ocorre em um setor que registrou crescimento nacional, mas segue com maior concentração produtiva no Sudeste, conforme dados do IBGE.
Segundo o instituto, a produção brasileira de ovos de galinha chegou a 5,4 bilhões de dúzias em 2024, maior volume da série histórica da Pesquisa da Pecuária Municipal, com alta de 8,6% sobre 2023.
-
Quatro anos antes de o Brasil lançar o PIX, a Índia já tinha de pé a UPI, um sistema de pagamentos instantâneos que hoje move cerca de 80% do varejo digital do país e ajudou a transformar fintechs como a Razorpay em empresas bilionárias
-
BYD processa 37 influenciadores chineses e coloca outros 126 sob vigilância numa ofensiva por difamação que acusa criadores de espalhar boatos sobre explosões de veículos e suposta instabilidade financeira da montadora
-
Fábrica de Brusque troca a escala 6×1 por 5×2 sem cortar salários: empresa reduz jornada para 40 horas semanais e transforma sábados e domingos em folga para a maior parte dos trabalhadores a partir de julho
-
Alemanha vê produção industrial subir pela 1ª vez no ano, mas resultado fica aquém e expõe alerta na maior economia da Europa
No mesmo levantamento, o Nordeste respondeu por 17,6% da produção de ovos em 2024, enquanto o Sudeste concentrou 40,4% do total nacional.
Entre os estados, São Paulo permaneceu na liderança, com 23,6% da produção brasileira, de acordo com dados consolidados a partir da pesquisa do IBGE.
A escala alcançada pela Avine ocorre fora do eixo que reúne os principais polos nacionais da atividade, em um cenário no qual empresas regionais buscam ampliar capacidade produtiva e presença comercial.
Atualmente, a companhia atua em 12 estados do Norte e do Nordeste e mantém a estratégia de consolidar mercados nessas duas regiões antes de avançar para outras áreas do país.
“Ultrapassar essa marca reforça a confiança dos consumidores, clientes e parceiros no trabalho que desenvolvemos ao longo dos 34 anos de atuação”, afirmou o CEO Airton Júnior, em entrevista publicada pelo Movimento Econômico.
Avine amplia produção em meio ao crescimento do consumo de ovos
A expansão da Avine acompanha o aumento do consumo de ovos no Brasil, produto que ganhou participação na alimentação das famílias em um período marcado por mudanças nos preços de diferentes proteínas.

Por combinar presença frequente no orçamento doméstico, uso em várias preparações e oferta em diferentes formatos, o ovo passou a ter papel mais relevante para consumidores, redes varejistas e empresas do setor alimentício.
Além do consumo doméstico, a proteína também avançou em segmentos ligados à alimentação saudável, ao food service e à indústria de alimentos.
Esse cenário ajuda a explicar os investimentos em escala, automação e diversificação de portfólio, sobretudo em regiões onde a demanda depende de redes de distribuição capazes de atender supermercados, atacarejos e clientes industriais.
A Associação Brasileira de Proteína Animal informou, em abril de 2026, que a produção brasileira de ovos chegou a 62,3 bilhões de unidades em 2025, com consumo per capita de 288 unidades por habitante.
O dado substitui projeções anteriores e confirma, segundo a entidade, a continuidade do crescimento da produção nacional no setor.
Também em 2025, o IBGE apontou novo recorde na Pesquisa Trimestral da Produção de Ovos de Galinha, com resultado superior ao registrado no ano anterior.
Pela pesquisa trimestral, o país produziu 4,95 bilhões de dúzias, alta de 5,7% em relação a 2024, mantendo a sequência de crescimento observada na série histórica do levantamento.
Embora os levantamentos tenham metodologias diferentes, os dois indicadores apontam expansão da produção nacional e reforçam a relevância da distribuição regional para empresas que atuam em mercados consumidores fora do eixo Sudeste.
Ceará e Pernambuco ganham força na avicultura de postura
No Nordeste, Ceará e Pernambuco aparecem entre os polos com maior dinamismo na avicultura de postura, segundo dados setoriais e levantamentos sobre produção e emprego na atividade.
A evolução nesses estados está relacionada à presença de produtores locais, à ampliação do varejo alimentar e à demanda de redes de supermercados e atacarejos que atuam em diferentes cidades da região.
Beberibe, no litoral cearense, figura entre os cinco maiores municípios produtores de ovos do país no levantamento do IBGE, ao lado de centros tradicionais como Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, e Bastos, em São Paulo.
A presença do município nesse grupo indica que parte da produção nordestina passou a ocupar posições relevantes em comparação com polos historicamente associados à avicultura de postura no Centro-Sul.
Airton Júnior afirmou que Pernambuco e Ceará estão entre os mercados de maior crescimento para a Avine.
De acordo com o executivo, a abertura de lojas de supermercados e atacarejos cria oportunidades para a empresa, já que a atuação da companhia está fortemente vinculada a esses canais de venda.
“Como nossa atuação é muito focada em supermercados e atacarejos, estados com grande abertura de lojas tendem a crescer mais em oportunidade para nossa atuação”, disse o executivo, ao explicar a lógica de expansão regional da companhia.
A estratégia da Avine, segundo o CEO, não prevê avanço imediato para outras regiões do Brasil.
Na avaliação da empresa, ainda há espaço para fortalecer a atuação no Norte e no Nordeste, com ganhos de eficiência, melhoria de processos e ampliação da presença comercial.
“Entendemos que há muito trabalho para ser consolidado na região Norte e Nordeste e acreditamos que podemos continuar crescendo com um trabalho consistente aqui”, afirmou Airton Júnior.
O executivo também citou investimentos em tecnologia, automação, capacidade produtiva e controles de qualidade como parte do ciclo de expansão da companhia.
Mercado regional exige adaptação ao perfil do consumidor
A operação no Nordeste envolve diferenças de consumo entre estados, cidades e canais de venda, o que leva empresas do setor a segmentar produtos para varejo, atacarejo, indústria e food service.
Segundo Airton Júnior, as preferências podem variar até dentro de um mesmo estado, com mudanças relevantes entre municípios e formatos de comercialização.
Em algumas cidades, conforme relatou o executivo, a demanda por ovo vermelho supera a procura por ovo branco; em outras, a dúzia tem mais saída que bandejas com 20 ou 30 unidades.
A empresa também observa variações no consumo de ovo de codorna, produto que apresenta procura maior em determinados estados, de acordo com o CEO.
Essas diferenças exigem ajustes de produção, distribuição e composição de portfólio para atender canais de venda com perfis distintos e evitar a oferta de produtos sem aderência ao consumo local.
A leitura regional do mercado ajuda a explicar a atuação de empresas locais em um setor nacionalmente concentrado, especialmente quando há necessidade de adaptação ao comportamento de compra de cada praça.
Com maior proximidade dos pontos de venda e conhecimento das preferências regionais, companhias com atuação local conseguem ajustar a distribuição conforme a demanda de supermercados, atacarejos e clientes comerciais.
A Avine trabalha com ovos tradicionais de diferentes tamanhos e cores, ovos caipiras, produtos cage-free, ovos enriquecidos com ômega-3 e vitamina E, além de ovos de codorna e produtos pasteurizados voltados à indústria e ao food service.
Investimento reforça cadeia produtiva no Ceará
A expansão produtiva da Avine também se relaciona à cadeia agroindustrial cearense, que envolve produção, logística, comercialização e serviços associados à avicultura de postura.
A companhia informa gerar cerca de 1.200 empregos diretos e indiretos, número associado à operação industrial, logística, comercial e às atividades ligadas à produção de ovos.
Para Airton Júnior, o avanço da empresa contribui para posicionar o Ceará em uma área ainda marcada pela liderança de estados do Centro-Sul.
“Quanto mais fortalecemos nossa operação, mais contribuímos para consolidar o Ceará como referência nacional em produção agroindustrial, inovação e geração de valor no agronegócio”, afirmou.
No Nordeste, a ampliação da participação na produção nacional depende de fatores como investimento produtivo, capacidade logística, ganho de eficiência e atendimento às exigências de qualidade do varejo e da indústria.
Mesmo com polos relevantes, a participação regional ainda é inferior à concentração observada no Sudeste, que manteve a maior fatia da produção brasileira de ovos em 2024.
A marca de 2 milhões de ovos por dia coloca a Avine em um novo patamar produtivo dentro da atuação regional da companhia.
A expansão da produção fora do eixo Sudeste, conforme indicam os dados do setor e a estratégia informada pela empresa, passa por investimentos contínuos, tecnologia, logística e adaptação ao consumo de cada mercado.


Seja o primeiro a reagir!