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Reaproveitando isopor que iria para o lixo, um único saco de cimento rende cerca de 50 blocos leves de 30 por 60 centímetros, voltados para paredes de vedação e muros de divisa que não suportam carga estrutural

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/06/2026 às 15:48
Atualizado em 08/06/2026 às 15:53
Assista o vídeoReaproveitando isopor descartado, um saco de cimento rende cerca de 50 blocos leves de vedação de 30 por 60 cm, sem função estrutural
Reaproveitando isopor descartado, um saco de cimento rende cerca de 50 blocos leves de vedação de 30 por 60 cm, sem função estrutural
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A receita caseira usa restos de poliestireno expandido, areia e cimento para criar peças que pesam menos de 6 quilos, mas a técnica serve apenas para fechamento, jamais para sustentar lajes ou cargas, segundo a literatura técnica da construção civil.

O reaproveitamento de isopor descartado para a produção de blocos leves de concreto voltou a circular em junho de 2026, impulsionado por vídeos do Maciel na Reforma, que demonstra passo a passo a fabricação caseira das peças. A proposta apresentada parte de um princípio simples, ou seja, substituir a brita do concreto comum por flocos de poliestireno expandido reciclado, material que seria jogado fora, obtendo um bloco vazado de baixo peso destinado a paredes que não recebem carga.

O traço demonstrado nas gravações que voltaram a viralizar combina cerca de 2 quilos de cimento, 2,5 quilos de areia, 3 litros de água, um aditivo de baixo custo e aproximadamente 15 litros de isopor triturado por unidade. Como cada saco comercial de cimento traz 50 quilos, o autor calcula que o material renderia em torno de 50 blocos no formato de 30 por 60 centímetros, com altura aproximada de 10 centímetros, voltados à vedação e a muros de divisa que não exercem função estrutural.

O que é o concreto leve de isopor e por que ele não sustenta carga

Reaproveitando isopor descartado, um saco de cimento rende cerca de 50 blocos leves de vedação de 30 por 60 cm, sem função estrutural
O chamado concreto leve de isopor é tecnicamente um concreto do tipo cimento e areia em que a pedra britada é substituída por pérolas ou flocos de poliestireno expandido. 

Embora o termo isopor seja o mais conhecido pelo público, ele é uma marca registrada da Knauf, e o nome técnico do material é EPS, sigla em inglês para poliestireno expandido, composto por cerca de 98 por cento de ar e apenas 2 por cento de matéria-prima derivada do petróleo, segundo informações da própria fabricante.

A baixa densidade é justamente o motivo pelo qual essas peças não podem suportar cargas estruturais. 

De acordo com material técnico publicado pelo portal AECweb com base no Grupo Isorecort, enquanto o concreto convencional com brita atinge cerca de 2.400 quilos por metro cúbico, o concreto leve de EPS varia entre aproximadamente 400 e 1.600 quilos por metro cúbico, conforme a proporção de isopor na mistura.

A mesma fonte registra que o material tem menor resistência e maior deformabilidade, sendo indicado para situações com limitação de peso, como enchimento de piso, paredes de fechamento e mobiliário.

O passo a passo demonstrado nos vídeos

A sequência mostrada nas gravações segue a lógica descrita na literatura técnica do setor, com a diferença de ser adaptada para produção manual e artesanal. 

Primeiro mistura-se o cimento, a areia e a água com um aditivo, depois adiciona-se aos poucos o isopor triturado, batendo a massa até que os flocos parem de subir e fiquem incorporados, formando uma mistura homogênea que segura na colher sem se desmanchar.

O aditivo cumpre uma função específica nessa receita caseira, ou seja, impedir que as partículas de isopor flutuem e se separem da água durante a mistura. 

O criador de conteúdo afirma usar detergente no lugar da cola branca por questão de custo, relatando ter pago 21,55 reais por meio quilo de cola, valor que considerou desvantajoso.

Fabricantes e fontes técnicas, por outro lado, recomendam o uso de cola branca PVA diluída em água para embeber as pérolas antes da mistura, justamente para garantir a aderência do material ao cimento.

Traço demonstrado pelo criador de conteúdo (por bloco)

  • Cimento: 2 kg, medidos em peso
  • Areia: 2,5 kg, fina ou grossa, também em peso
  • Água: 3 litros, nem mais nem menos, segundo o autor
  • Aditivo: cerca de 50 ml de detergente, ou cola branca PVA como alternativa
  • Isopor triturado: aproximadamente 15 litros por unidade
  • Formato citado: 30 por 60 centímetros, com cerca de 10 cm de altura
  • Tempo de desforma: entre 3 e 4 horas, conforme o clima, no relato do autor

Após a mistura, a massa é despejada aos poucos em uma forma vazada e lubrificada, com batidas para eliminar bolhas de ar, e o acabamento é feito com colher ou um pedaço de cano. 

O autor afirma que os tubos que criam os furos do bloco podem ser removidos entre três e quatro horas depois, prazo que varia conforme a temperatura ambiente, e cita a possibilidade de usar aceleradores de secagem disponíveis no mercado para quem tem pressa.

O peso, a economia e o que esperar de fato

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Ao final da demonstração, o bloco pronto foi pesado em uma balança e registrou 5,713 quilos, segundo a medição feita pelo próprio criador de conteúdo. 

O valor confirma a característica central da peça, ou seja, a leveza que facilita o transporte e o manuseio em obra, ainda que esse número corresponda a uma medição individual e não a um ensaio padronizado por norma técnica.

A economia alegada se concentra na redução do consumo de materiais convencionais e no reaproveitamento de um resíduo. 

O autor argumenta que, em regiões onde a areia é abundante e o isopor seria descartado, o custo principal fica restrito ao cimento, o que tornaria a produção vantajosa para muros de divisa e paredes de vedação.

Vale registrar que esses cálculos de rendimento e custo partem do relato do criador e dependem de variáveis locais como preço do cimento, disponibilidade de isopor e mão de obra.

Conforto térmico e os limites da promessa

Uma das vantagens divulgadas é a melhora do conforto térmico, com a alegação de que o bloco reduziria entre 60 e 80 por cento o calor no ambiente. 

Esse percentual específico não consta na literatura técnica consultada e deve ser tratado como uma estimativa do autor, não como um dado auditado.

O que as fontes técnicas confirmam é que o EPS tem baixa condutividade térmica, com coeficiente inferior a 0,033 watt por metro-kelvin segundo especialistas ouvidos pelo portal AECweb, o que de fato aumenta a resistência térmica de uma parede e contribui para ambientes mais frescos em climas quentes.

Ainda assim, o desempenho térmico real depende de variáveis como espessura da parede, clima da região e qualidade da execução. 

A norma de desempenho ABNT NBR 15575 estabelece que a edificação deve atender exigências térmicas conforme a zona bioclimática em que está localizada, o que significa que nenhum material isolado garante conforto por si só.

A própria limitação estrutural do bloco reforça que ele é uma solução de vedação, útil para fechar vãos e dividir ambientes, e não um substituto de elementos que sustentam a edificação.

Riscos, ressalvas e o que a técnica exige

A produção caseira de blocos de isopor exige atenção a pontos que os vídeos nem sempre detalham, a começar pela segurança contra incêndio. 

O poliestireno expandido é um material derivado do petróleo e, quando exposto ao fogo, pode propagar chamas, motivo pelo qual a indústria utiliza versões com aditivo antichama identificadas pela letra F na nomenclatura.

Em uma produção artesanal com isopor reciclado de origem desconhecida, não há garantia dessa característica, o que recomenda cautela em aplicações próximas a fontes de calor.

Outro ponto é que a ausência de função estrutural precisa ser respeitada de forma rigorosa em qualquer obra. 

Usar essas peças para sustentar lajes, vigas ou qualquer carga representa risco à segurança da construção, já que o material tem baixa resistência à compressão.

Para muros de divisa que não recebem peso e paredes internas de fechamento, a solução pode funcionar, mas sempre dentro dos limites para os quais o concreto leve de EPS foi concebido pela engenharia.

O reaproveitamento de isopor para fabricar blocos leves de vedação é uma ideia que une economia e destinação de resíduos, mas que só faz sentido quando seus limites técnicos são compreendidos. 

A peça de menos de 6 quilos é real, o rendimento aproximado de 50 blocos por saco de cimento é plausível dentro das condições relatadas, e o ganho térmico existe, ainda que sem o percentual exato divulgado.

O essencial é lembrar que se trata de material para fechamento, jamais para sustentar a estrutura de uma construção.

E você, já viu ou já experimentou esse tipo de bloco leve feito com isopor reciclado? Conte nos comentários se você confia nessa técnica para muros e paredes de vedação, quais dúvidas ainda tem sobre segurança e durabilidade, e se considera o reaproveitamento de isopor uma boa saída para a construção civil. Sua experiência pode ajudar outros leitores a decidir.

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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