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Caminhão de 540 cavalos com chassi reforçado e câmbio de 14 marchas puxa o peso de um prédio pequeno dentro das florestas de Três Lagoas no Mato Grosso do Sul porque acima de 74 toneladas a lei barra a circulação em estradas abertas

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/06/2026 às 15:02
Atualizado em 08/06/2026 às 15:07
Assista o vídeoCaminhão Volvo FMX de 540 cavalos puxa o hexatrem da Suzano com até 200 toneladas de eucalipto em Três Lagoas, fora das rodovias pelo limite de 74 toneladas.
Caminhão Volvo FMX de 540 cavalos puxa o hexatrem da Suzano com até 200 toneladas de eucalipto em Três Lagoas, fora das rodovias pelo limite de 74 toneladas.
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Chamado de hexatrem, o conjunto de cerca de 52 metros não está escondido, apenas roda em estradas particulares da Suzano. O caminhão Volvo FMX traciona seis semirreboques, soma até 200 toneladas e substituiu 35 veículos menores, com ganho de produtividade e menos emissões dentro das fazendas de eucalipto.

Um caminhão Volvo FMX de 540 cavalos puxando seis carretas carregadas de toras de eucalipto, com até 200 toneladas e cerca de 52 metros de comprimento, é o centro de uma operação que a Suzano mantém dentro de suas próprias fazendas. Chamado de hexatrem, o conjunto começou a rodar de forma regular em dezembro de 2019, na unidade de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, e mais tarde passou a operar também nas florestas de Mucuri, no extremo sul da Bahia. São 19 composições do tipo trabalhando no estado sul-mato-grossense.

O motivo de essas máquinas não aparecerem nas estradas não tem nada de segredo, e sim de lei. A legislação brasileira exige autorização especial para combinações acima de 74 toneladas de peso bruto total combinado, e nenhuma regra atual chega perto de liberar 200 toneladas em rodovia pública. Por isso, o caminhão e suas carretas circulam apenas em estradas particulares de reflorestamento, onde substituíram 35 veículos menores e ganharam eficiência.

O que é o hexatrem e por que o caminhão fica longe das rodovias

Caminhão Volvo FMX de 540 cavalos puxa o hexatrem da Suzano com até 200 toneladas de eucalipto em Três Lagoas, fora das rodovias pelo limite de 74 toneladas.
O hexatrem é, na descrição da própria Volvo, um trem sobre rodas. 

Trata-se de um caminhão Volvo FMX tracionando seis semirreboques, desenvolvidos pela fabricante de implementos Facchini, em uma composição de cerca de 52 metros, o equivalente a aproximadamente meio campo de futebol, capaz de levar até 200 toneladas de toras de eucalipto por viagem.

A operação roda exclusivamente dentro das fazendas da Suzano, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, e também em Mucuri, na Bahia.

A restrição às áreas privadas é uma imposição legal, não uma cortina de fumaça. 

No Brasil, combinações de veículos com peso bruto total combinado acima de 74 toneladas só podem circular em vias públicas com Autorização Especial de Trânsito, e mesmo as exceções ficam muito aquém das 200 toneladas do hexatrem.

A Resolução nº 872, de 2021, do Conselho Nacional de Trânsito, por exemplo, liberou combinações de até 91 toneladas apenas para o transporte de cana-de-açúcar, e ainda assim mediante autorização.

Como o hexatrem mais que dobra esse teto, ele não tem como pisar no asfalto público.

A engenharia do caminhão que traciona 200 toneladas

Caminhão Volvo FMX de 540 cavalos puxa o hexatrem da Suzano com até 200 toneladas de eucalipto em Três Lagoas, fora das rodovias pelo limite de 74 toneladas.
Para puxar tudo isso, o caminhão precisou ser reforçado bem além de um modelo comum. 

O Volvo FMX usado pela Suzano é equipado com o motor Volvo D13, de seis cilindros, 540 cavalos de potência e 2.600 Nm de torque, gerenciados por um câmbio automatizado I-Shift de 14 marchas, sendo duas super-reduzidas para facilitar o arranque das composições pesadas em piso irregular e rampas dentro das fazendas.

O chassi também recebeu reforços específicos para a tarefa. 

Segundo a Volvo, o caminhão traz longarina dupla de fora a fora, eixo traseiro com redução nos cubos, carcaça de eixo fundida e cardan mais resistente, conjunto pensado para operações severas fora de estrada.

Apesar da vocação bruta, o FMX mantém itens de conforto de um caminhão rodoviário, como suspensão pneumática, ar-condicionado, controle de velocidade de cruzeiro e computador de bordo.

Do tritrem ao hexatrem, o salto de produtividade

O hexatrem é o ponto mais avançado de uma evolução no transporte de madeira. 

Antes dele, o mesmo tipo de caminhão tracionava o tritrem, com três semirreboques, e depois o pentatrem, com cinco, que já levava 79% mais toras de eucalipto do que o tritrem.

Com seis semirreboques e até 200 toneladas, o hexatrem entrega ganho de produtividade de 127% em relação ao tritrem e de 27% em comparação ao pentatrem, segundo a Volvo e a Suzano.

O resultado prático aparece na frota e no consumo. 

A chegada dos 19 hexatréns permitiu encerrar a operação de 35 tritréns, o que significa menos caminhões rodando, menos combustível queimado e menos emissões.

Pelos dados da Suzano, o consumo de diesel por metro cúbico transportado caiu 21,5% em relação ao tritrem, e para cada 1 milhão de metros cúbicos movimentados há uma redução de cerca de 600 toneladas de CO2 equivalente.

A empresa chegou a construir, em 2017, um túnel sob a rodovia BR-158 para interligar áreas de plantio sem usar a via pública.

A escala da Suzano e do setor por trás do caminhão

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O investimento nesse tipo de caminhão se explica pelo tamanho da operação que ele alimenta. 

A Suzano é a maior produtora mundial de celulose de fibra curta, feita a partir do eucalipto, e tem capacidade para cerca de 13,4 milhões de toneladas de celulose e 2 milhões de toneladas de papel por ano, com produtos presentes em mais de 100 países.

Só a unidade de Mucuri, na Bahia, onde os hexatréns passaram a operar, produz cerca de 1,7 milhão de toneladas de celulose e 250 mil toneladas de papel por ano.

O setor como um todo tem peso relevante na economia brasileira. 

De acordo com a Indústria Brasileira de Árvores, a IBÁ, o segmento de árvores cultivadas teve receita bruta em torno de R$ 240 bilhões em 2024 e responde por mais de 700 mil empregos diretos e mais de 2 milhões de postos diretos e indiretos.

O Brasil é o maior exportador mundial de celulose e o segundo maior produtor, atrás apenas dos Estados Unidos, o que ajuda a entender por que cada ganho de eficiência no transporte de eucalipto pesa tanto.

O hexatrem mostra que a importância desse caminhão está menos no espetáculo e mais na engenharia e na logística. 

Um Volvo FMX de 540 cavalos rebocando 200 toneladas em seis carretas por estradas internas de eucalipto não é uma máquina escondida, mas uma resposta prática a um limite legal e a uma necessidade de produtividade.

Ele tira dezenas de caminhões das estradas, reduz custos e emissões e sustenta uma das maiores operações de celulose do planeta.

E você, já tinha ouvido falar do hexatrem ou imaginava que um único caminhão puxasse 200 toneladas de eucalipto no Brasil? Acha que combinações tão pesadas deveriam um dia ganhar espaço regulado em rodovias específicas, ou é melhor que sigam restritas às áreas privadas? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes opiniões, e compartilhe esta matéria com quem curte engenharia e transporte pesado.

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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