Chamada de NEXAT e criada na Alemanha, a plataforma diesel-elétrica foi testada por cerca de dois anos no Oeste da Bahia antes de estrear comercialmente no agro brasileiro em 2025. São pouquíssimas unidades no mundo, voltadas a grandes áreas, e a máquina anda sobre rodas, não esteiras.
Uma das máquinas agrícolas mais comentadas do mundo chegou ao agro brasileiro com um conceito que foge de tudo o que se vê no campo, a NEXAT. Desenvolvida na Alemanha, a plataforma usa dois motores a diesel que somam 1.100 cavalos, mas não entrega essa força direto às rodas, e sim a converte em eletricidade. A operação comercial no Brasil começou em 2025, durante a Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia.
Antes da estreia comercial, a máquina passou por cerca de dois anos de testes em lavouras brasileiras. O Grupo Agro Basso, no Oeste baiano, rodou a NEXAT em safras de milho, milheto e sorgo, e Ricardo Basso foi o primeiro produtor do país a encomendar uma unidade. A proposta é ousada, pois um único veículo, trocando módulos, faz o trabalho que hoje costuma exigir um trator, um pulverizador e uma colheitadeira separados.
O que é a NEXAT e como ela chegou ao agro brasileiro

Criada pela família Kalverkamp e apresentada oficialmente em 2022, quando ganhou medalha de ouro de inovação na Agritechnica, a maior feira de tecnologia agrícola do mundo, ela é um veículo de grande envergadura que carrega módulos para cada etapa, do preparo do solo à colheita.
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Em vez de puxar implementos atrás, como um trator comum, a NEXAT os integra à própria estrutura.
A entrada no agro brasileiro foi gradual e concentrada no Oeste da Bahia.
Depois de cerca de dois anos de desenvolvimento nas terras do Grupo Agro Basso, em Luís Eduardo Magalhães, voltado a adaptar a máquina ao clima e ao solo tropicais, a marca inaugurou sua operação comercial no país na Bahia Farm Show de 2025 e abriu ali a sua primeira concessionária.
Segundo a empresa, uma eventual fábrica no Brasil ainda está em estudo e não sairia antes de 2028.
Os 1.100 cavalos que viram eletricidade nas quatro rodas

São dois motores a diesel de 550 cavalos cada, somando 1.100 cavalos, mas eles não movem as rodas diretamente.
Em vez disso, alimentam geradores que produzem eletricidade, e essa energia aciona um motor elétrico em cada uma das quatro rodas, com direção em todas elas.
Vale corrigir um engano comum, pois a NEXAT anda sobre rodas, e não sobre esteiras.
Esse arranjo elétrico traz vantagens de controle e de eficiência.
Sem caixa de câmbio tradicional, a fabricante afirma transferir cerca de 95% da potência para o acionamento das rodas, com resposta precisa em terreno irregular.
A NEXAT também já nasce preparada para, no futuro, trocar o diesel por células de hidrogênio verde, o que, segundo a empresa, pode reduzir as emissões de CO2 em até 50%.
Rodas menores de apoio ajudam a distribuir o peso da estrutura, ponto sensível para as grandes lavouras do agro brasileiro.
Uma só máquina para plantar, pulverizar e colher
A lógica da NEXAT, que tanto chama atenção no agro brasileiro, é substituir vários equipamentos por um único veículo que troca de função.
Pela troca de módulos, feita por uma pessoa em cerca de 10 a 15 minutos, ela vira colheitadeira, pulverizador, semeadora, distribuidora de fertilizantes ou implemento de preparo de solo.
No modo colheita, usa um módulo próprio com debulha na horizontal e dois rotores, tanque de grãos de 32 metros cúbicos e descarga em menos de um minuto, além de plataformas de corte de fabricantes como a MacDon.
A largura de trabalho e o tráfego controlado completam o conceito.
A NEXAT trabalha sobre uma faixa de cerca de 14 metros e adota a agricultura de tráfego controlado, em que os pneus pisam menos de 5% da área e os outros 95% nunca são compactados, o que, segundo a empresa, melhora a estrutura do solo e a produtividade.
A cabine gira para o operador acompanhar o trabalho à frente ou atrás, e a máquina opera de forma autônoma, embora ainda exija alguém a bordo para monitorar.
No Oeste da Bahia, a Agro Basso relatou colheita a 16 a 20 quilômetros por hora, contra cerca de 7 km/h das colheitadeiras convencionais.
O que ainda pesa contra no agro brasileiro
Por trás do espanto com o tamanho, há limites concretos que entram na conta do produtor.
A NEXAT é cara, com o pacote estimado pela fabricante em torno de US$ 2 milhões, cerca de R$ 11 milhões, ainda que a empresa argumente que sai mais em conta do que comprar trator, pulverizador e colheitadeira separados. Além disso, há pouquíssimas unidades no mundo, menos de 30, o que mostra que se trata de uma tecnologia ainda em estágio inicial de adoção.
A máquina também não serve para qualquer perfil de propriedade.
Por seu porte e pela lógica de tráfego controlado, ela faz sentido sobretudo em grandes áreas planas e regulares, como as do Matopiba e do Centro-Oeste, e exige reorganizar a fazenda em torno de faixas fixas.
Afirmações como a de ser a colheitadeira mais potente do mundo ou a de fazer o trabalho de três a quatro máquinas partem da fabricante e de quem já a usa, e ainda passam por avaliação no Brasil, onde a própria Agro Basso disse que só teria um julgamento completo após a safra de soja.
A chegada da NEXAT ao agro brasileiro é, ao mesmo tempo, um marco tecnológico e uma aposta em escala.
A ideia de um único veículo diesel-elétrico de 1.100 cavalos que planta, pulveriza e colhe responde a demandas reais de produtividade, custo e compactação do solo nas grandes lavouras.
Por outro lado, o preço alto, o número reduzido de máquinas e a dependência de áreas extensas deixam claro que, por ora, ela é uma solução de nicho, e não um trator para o produtor médio.
E você, acha que máquinas como a NEXAT vão se popularizar no agro brasileiro ou vão ficar restritas às grandes fazendas? Vale a pena trocar vários equipamentos por um único veículo desse porte, mesmo com o custo elevado? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes opiniões, e compartilhe esta matéria com quem se interessa por tecnologia no campo.


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