A USP terá duas fábricas de hidrogênio verde desenvolvidas ao lado de grandes empresas como Shell, Hytron e Raízen. O objetivo é desenvolver tecnologias que contribuam no transporte do combustível.
Nesta quinta-feira (1), a Universidade de São Paulo (USP) anunciou uma parceria com empresas do setor de combustíveis para o desenvolvimento de uma tecnologia capaz de transformar etanol em hidrogênio verde, energia considerada sustentável por sua baixa emissão de carbono. O acordo de cooperação foi assinado com Shell Brasil, Hytron, Raízen e CETIQT. O acordo prevê a instalação de duas unidades no campus da USP para a produção do hidrogênio verde, que será aplicado e testado em um ônibus da Cidade Universitária.
Shell e Raízen realizam investimentos em hidrogênio verde
Com o início das operações previstas para o primeiro semestre do próximo ano, a iniciativa planeja tornar viável uma solução de baixo carbono para o transporte pesado e indústrias poluentes, além de inaugurar o primeiro posto de hidrogênio verde com base de etanol do Brasil e do mundo.
Diante da pressão global por soluções para a crise climática, o hidrogênio verde vem ganhando destaque devido ao seu grande potencial para descarbonizar setores como o siderúrgico, o químico e a própria geração de energia elétrica.
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O mundo apostou no hidrogênio verde como combustível do futuro, mas agora encara o efeito colateral: produzir 1 quilo exige cerca de 9 litros de água ultrapura, e os maiores projetos do planeta ficam justamente nas regiões mais secas da Terra, onde a água já falta para as pessoas
Entretanto, transportar esse combustível ainda é algo difícil, tendo em vista que exige que o armazenamento seja feito em baixas temperaturas e alta pressão, dificultando a logística. Além disso, as tecnologias de fabricação ainda não estão totalmente fortalecidas, explicando o interesse de várias empresas nesse novo mercado.
A Shell, por exemplo, está investindo R$ 50 milhões neste projeto com recursos de pesquisa e desenvolvimento, regulados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Em maio deste ano, a Shell já havia fechado um acordo para a construção de uma planta de hidrogênio verde no Porto do Açu (RJ).
Expectativas para desenvolvimento do projeto de hidrogênio verde
Segundo Alexandre Breda, gerente de tecnologia em baixo carbono da Shell Brasil, o intuito do acordo com a USP é posicionar o etanol como uma fonte de hidrogênio verde. O projeto visa desenvolver um equipamento chamado de reformador, responsável por quebrar a molécula do biocombustível para transformá-la em hidrogênio.
A Hytron, empresa do interior de São Paulo que integra a parceria, já conta com um protótipo do dispositivo, mas a tecnologia ainda deve ser melhorada para que se consiga garantir confiabilidade, eficiência e escalabilidade ao processo. O reformador será instalado na USP, que também contará com um posto de abastecimento de hidrogênio verde.
O intuito, ao fim do projeto, é criar uma solução capaz de evitar os desafios de produção, armazenamento e transporte do hidrogênio verde. De acordo com Breda, todo posto de abastecimento do Brasil possui etanol. Sendo assim, em vez de transportar o hidrogênio, seria possível colocar esse reformador dentro do posto para que seja produzido o combustível localmente. Sendo assim, o desenvolvimento com a Shell, Raízen e USP já será feito num contêiner, para tornar a instalação futura de forma distribuída.
Raízen fornecerá biocombustível ao projeto
O biocombustível utilizado pelas fábricas da USP no processo será fornecido pela Raízen, maior produtora de etanol de cana do mundo. De acordo com Ricardo Mussa, CEO da Raízen, o objetivo no longo prazo é chegar a um nível de tecnologia tão grande que o reformador poderá ser instalado não apenas nos postos de abastecimento mas também nos próprios carros elétricos.
Segundo o executivo da Raízen, no limite, o objetivo é conseguir transformar o etanol em hidrogênio dentro do próprio carro ou ônibus, caso o equipamento seja compacto o suficiente.

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