Acompanhamento técnico mostra que a produção de milho em Santa Catarina segue com infestações controladas, apoiada por ações do programa Monitora Milho SC e estratégias de manejo integrado
A produção de milho em Santa Catarina volta ao centro das atenções após o levantamento realizado entre os dias 3 e 10 de novembro indicar que a média estadual de cigarrinhas-do-milho permanece em oito insetos por armadilha, segundo uma matéria publicada
O dado, considerado baixo pela equipe do programa Monitora Milho SC, demonstra que o manejo aplicado pelos agricultores tem contribuído para manter o problema sob vigilância durante a safra 2025/26.
As informações compiladas pela Epagri/Cepaf reforçam a importância de acompanhar semanalmente a dinâmica da praga, sobretudo porque a maior parte das lavouras se encontra entre os estádios V8 e R5, fases em que os riscos de infecção diminuem de forma natural.
-
Agricultores chineses criam “estufas-cobertor” que enfrentam o inverno sem aquecedor, usam paredes grossas como baterias solares, fecham mantas térmicas durante a noite e transformam centenas de milhares de hectares em fábricas de verduras no frio extremo da China
-
Jardineiros da Inglaterra enterravam abacaxis em covas aquecidas por 15 toneladas de esterco de cavalo e criaram um “forno tropical” subterrâneo para fazer fruta de luxo nascer no frio britânico séculos antes das estufas modernas
-
Plantaram cana-de-açúcar para abastecer o mundo de açúcar e combustível verde, mas a cultura virou símbolo de rios pressionados, bacias em colapso e consumo de até 2 mil litros de água para cada quilo de açúcar em uma região marcada pela seca na Índia
-
Fazenda no Nordeste foge do padrão e dribla a seca: projeto no sertão de Sergipe usa ventilação constante, genética e estoque de silagem para até dois anos e mira produção de 10 mil litros de leite por dia
Esse cenário também reflete a maturidade das plantas, reduzindo o tempo disponível para que os patógenos se espalhem e provoquem danos.
Para os especialistas, a atuação conjunta dos produtores tem sido decisiva para assegurar estabilidade no campo.
Monitoramento de cigarrinha-do-milho em SC
O exame de PCR realizado no laboratório da Epagri, em Chapecó, confirmou a presença da bactéria espiroplasma do enfezamento pálido em amostras de Guatambu e Campo Erê, além da detecção de vírus em insetos coletados em Planalto Alegre e Mafra.
Apesar das identificações, os técnicos destacam que os plantios mais avançados apresentam menor risco, já que ultrapassaram a fase crítica de susceptibilidade à transmissão dos patógenos.
O programa ressalta, porém, que algumas regiões específicas, como o Extremo-Oeste e o Planalto Norte, observaram acréscimo populacional nas últimas semanas, impulsionado justamente pelo estágio avançado das lavouras.
Esse movimento reforça a necessidade de manter o acompanhamento contínuo, especialmente nos locais onde o ciclo reprodutivo está perto do encerramento.
A pesquisadora Maria Cristina Canale, da Epagri/Cepaf, explica que a atualização recorrente é determinante para orientar ações de manejo no momento adequado e garantir que a produção de milho em Santa Catarina mantenha sua estabilidade ao longo da safra.
Manejo integrado contra enfezamentos
Nas lavouras que ainda permanecem na fase vegetativa, a recomendação é adotar o manejo integrado, combinando inseticidas de contato e ação sistêmica.
A orientação também contempla o uso de produtos biológicos, estratégia que auxilia no controle dos insetos em migração e interfere diretamente na reprodução da praga.
Esse tipo de manejo tem ganhado adesão entre os produtores por permitir intervenções mais precisas, alinhadas às condições de cada região.
A equipe do programa reforça que o equilíbrio entre essas práticas ajuda a proteger a produção de milho em Santa Catarina, especialmente nos estádios iniciais, período em que os riscos de contaminação pelos patógenos dos enfezamentos são mais elevados.
Com decisões embasadas nas informações fornecidas semanalmente, o produtor consegue agir com segurança e reduzir a propagação dos insetos antes que atinjam níveis preocupantes.
Controle populacional da praga no campo
O programa Monitora Milho SC reúne dados coletados em 55 lavouras distribuídas por Santa Catarina, oferecendo um panorama abrangente sobre a evolução da praga no Estado.
Criado no início de 2021 pelo Comitê de Ação contra Cigarrinha-do-milho e Patógenos Associados, composto por instituições como Epagri, Udesc, Cidasc, Ocesc, Fetaesc, Faesc, CropLife Brasil e Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária, o programa vem se consolidando como referência nacional e internacional.
A metodologia adotada tornou-se modelo para iniciativas semelhantes em outros estados e até fora do país, demonstrando impacto direto na organização das estratégias de controle.
Para a pesquisadora Maria Cristina, o compartilhamento contínuo das informações é fundamental para que o setor produtivo conviva com a presença da praga, já que surtos vêm ocorrendo em diferentes regiões do Brasil nas últimas décadas.
Dessa forma, a participação regionalizada dos agricultores torna-se essencial para fortalecer o manejo e preservar a produção de milho em Santa Catarina, criando condições mais seguras para todo o ciclo produtivo.
A atualização contínua oferecida pelo programa reforça que a produção de milho em Santa Catarina depende do engajamento conjunto entre instituições e agricultores para manter o controle populacional da praga em níveis seguros durante a safra 2025/26.
