Refinarias indianas mudam rota de importações e incluem Brasil entre os fornecedores beneficiados.
As estatais da Índia compram petróleo fora da Rússia após tarifas de Trump, marcando uma reviravolta no comércio global de energia. A decisão veio depois de pressão direta do presidente dos EUA, que impôs tarifa extra de 25% sobre produtos indianos como retaliação às compras de petróleo russo.
Segundo informações da Folha de S.Paulo com base em dados da Reuters, Indian Oil Corp e Bharat Petroleum adquiriram ao menos 22 milhões de barris de petróleo de outras origens para entrega entre setembro e outubro, incluindo Estados Unidos, Brasil, Líbia, Angola e Nigéria.
Fim das compras russas após três anos
Desde 2022, as refinarias estatais indianas eram grandes compradoras de petróleo russo com desconto, aproveitando a lacuna deixada por países que reduziram negócios após a invasão da Ucrânia. Essa preferência, porém, entrou em choque com a nova postura da Casa Branca.
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Com as tarifas de Trump, a Índia interrompeu as importações russas no fim de julho. Analistas avaliam que a medida vai além de pressão comercial e busca isolar economicamente Moscou, forçando seus parceiros a diversificar fornecedores.
Brasil entre os novos fornecedores
Na última rodada de compras, a Indian Oil adquiriu 2 milhões de barris do tipo Sépia e Sururu do Brasil, além de volumes expressivos dos EUA, Líbia e Oriente Médio. Os negócios envolveram traders como a Petraco e a TotalEnergies, reforçando a presença brasileira no mercado asiático de petróleo.
A Bharat Petroleum seguiu a mesma linha, comprando 9 milhões de barris fora da Rússia, incluindo petróleo angolano Girassol, nigeriano e norte-americano. Juntas, as aquisições equivalem a cerca de 6% do processamento mensal de petróleo bruto da Índia.
Vantagem logística e de preço
Fontes do setor apontam que a arbitragem logística favoreceu as compras na Bacia do Atlântico, já que o custo de envio para a Ásia caiu, tornando o produto competitivo frente ao petróleo russo. Esse cenário abre oportunidade para produtores como o Brasil ampliarem participação no mercado indiano, hoje um dos maiores consumidores de energia do planeta.
Ainda assim, o impacto no preço global e na geopolítica do petróleo dependerá da reação de Moscou e da capacidade dos países exportadores de atender essa demanda com regularidade.
E você? Acha que a pressão de Trump vai realmente mudar o mapa global do comércio de petróleo ou será apenas um movimento temporário? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir quem acompanha esse mercado de perto.
