Aliança entre China e Rússia vai muito além de ideologia envolve bilhões em energia, influência global e o futuro de Taiwan
Nos bastidores do conflito na Ucrânia, o presidente da China, Xi Jinping, se movimenta com cautela, mas de forma decisiva. Embora mantenha uma postura oficial de neutralidade, as ações de Pequim indicam que uma derrota russa está fora de cogitação para os interesses chineses. O apoio técnico, comercial e estratégico oferecido a Vladimir Putin revela que a guerra é, para Xi, também uma questão de equilíbrio global de poder e sobrevivência econômica.
De acordo com relatórios da inteligência ocidental e análises de centros estratégicos como a Bloomberg, CSIS e RAND Corporation, a China já fornece componentes de uso duplo (como motores e sistemas de navegação para drones) à Rússia, evitando enviar armas diretamente para escapar de sanções severas. Além disso, compra petróleo e gás com até 40% de desconto, aproveitando o isolamento russo para baratear sua matriz energética e impulsionar a indústria local.
Quanto a China depende da guerra para lucrar com energia barata?
Um dos maiores beneficiados economicamente pelo prolongamento do conflito é, sem dúvida, a China. Com a Europa cortando 95% das importações de gás e petróleo da Rússia, Pequim se tornou a principal compradora dos excedentes russos. Em 2024, o comércio bilateral atingiu valores recordes, permitindo à China economizar bilhões de dólares em energia.
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Esse desconto energético dá fôlego à indústria chinesa e ajuda o país a manter a competitividade global. Se a Rússia fosse derrotada e reabilitada no mercado europeu, esse privilégio acabaria. Portanto, enquanto a guerra durar, a China lucra e muito.
Por que Xi teme uma derrota russa?
Mais que petróleo barato, o presidente Xi Jinping teme o efeito geopolítico de uma vitória ocidental. Se Putin perder a guerra, os Estados Unidos e seus aliados ficariam livres para concentrar forças no Indo-Pacífico, especialmente sobre Taiwan e o mar do Sul da China duas regiões estratégicas para o governo chinês.
A Rússia, apesar de suas fraquezas militares, funciona como um contrapeso estratégico ao Ocidente, forçando EUA e OTAN a dividirem sua atenção. Em 2022, poucos dias antes da invasão da Ucrânia, Xi e Putin assinaram uma “parceria sem limites” durante os Jogos de Inverno em Pequim. Desde então, esse alinhamento vem se aprofundando, com coordenação indireta com Coreia do Norte e Irã, segundo análises do Center for a New American Security (CNAS).
Qual o risco para a China se Putin perder?
A queda de Putin poderia provocar instabilidade nas fronteiras norte da China, comprometer o fornecimento de energia e enfraquecer o eixo Moscou-Pequim, que há décadas tenta equilibrar a influência dos EUA. Além disso, uma vitória da OTAN elevaria o moral do Ocidente, fortalecendo a narrativa liberal contra regimes autoritários.
Para Xi, o fracasso russo é também um risco ideológico e simbólico. Desde os anos 1950, com o legado político de seu pai na diplomacia soviética, o líder chinês sabe que a estabilidade do regime comunista depende da existência de aliados estratégicos. E no cenário atual, Putin é o mais conveniente.
Até onde Xi Jinping está disposto a ir?
Apesar dos benefícios, a China ainda evita um envolvimento militar direto, por receio de sanções que comprometam sua economia globalizada. Analistas divergem: alguns veem Xi como o maior vencedor da guerra, acumulando ganhos estratégicos e econômicos enquanto o Ocidente sangra em apoio à Ucrânia. Outros afirmam que o custo reputacional e diplomático de apoiar a Rússia pode crescer, tornando-se um fardo.
Ainda assim, os fatos mostram que a China está sustentando a Rússia silenciosamente, reforçando sua máquina de guerra com tecnologia, chips, logística e diplomacia paralela sem comprometer seus acordos comerciais com Europa e Estados Unidos.
Você acredita que a China está ganhando com essa guerra? Xi Jinping deveria recuar ou vai manter sua aposta em Putin? Deixe sua opinião nos comentários, queremos ouvir quem acompanha esse xadrez geopolítico de perto.
