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Preço dos ovos dispara em 2026 e chega a quase dobrar no Brasil, mas ainda fica abaixo de 2025

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Escrito por Sara Aquino Publicado em 04/03/2026 às 22:25 Atualizado em 04/03/2026 às 22:27
Preço dos ovos sobe forte no início de 2026 com aumento da demanda e consumo na Quaresma, mas ainda permanece abaixo do registrado em 2025.
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Preço dos ovos sobe forte no início de 2026 com aumento da demanda e consumo na Quaresma, mas ainda permanece abaixo do registrado em 2025.

preço dos ovos registrou forte alta no início de 2026 em diversas regiões do Brasil, chegando a quase dobrar em importantes polos produtores.

O aumento foi observado principalmente entre janeiro e fevereiro, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP).

Apesar da forte valorização recente, o patamar atual ainda está cerca de 19% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. 

alta dos ovos ocorreu em um momento de mudança no comportamento do consumidor, especialmente com o retorno das atividades escolares e o aumento do consumo na Quaresma, período tradicionalmente associado à maior procura por ovos como alternativa às carnes.

Assim, a combinação entre maior demanda e oferta mais ajustada ajudou a impulsionar os preços no mercado de ovos brasileiro. 

Preço dos ovos quase dobra em polos produtores 

Em algumas regiões produtoras, o aumento foi expressivo.

Em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo — considerado o maior polo de produção de ovos do país — a caixa com 30 dúzias de ovos brancos subiu 97,1% entre janeiro e fevereiro. 

O preço saltou de R$ 82,99 para R$ 163,52 no período.

Enquanto isso, em Bastos, no interior de São Paulo, outro importante centro do mercado de ovos, a alta chegou a 77,6%. 

Segundo o Cepea, o movimento interrompeu uma sequência de cinco meses consecutivos de queda nos preços do produto.

A mudança no cenário foi impulsionada principalmente pela retomada da demanda no início do ano. 

Mudanças no consumo ajudam a explicar a alta dos ovos 

Durante os primeiros meses do ano, o comportamento do consumidor influencia diretamente o mercado de ovos.

De acordo com a pesquisadora do Cepea, Cláudia Scarpelin, as férias escolares costumam reduzir o consumo. 

Isso acontece porque muitas famílias viajam ou alteram a rotina alimentar, diminuindo a demanda por ovos. Como resultado, os preços tendem a cair nesse período. 

Com a volta às aulas e o retorno das atividades cotidianas, no entanto, o consumo aumenta novamente.

Esse movimento contribuiu para a recente alta dos ovos observada em fevereiro. 

Scarpelin explica que, em janeiro, os valores chegaram ao menor patamar para o mês em seis anos.

Em Santa Maria de Jetibá, por exemplo, a caixa com 30 dúzias foi negociada a cerca de R$ 89. 

Consumo na Quaresma impulsiona o mercado de ovos 

Outro fator importante para a valorização recente é o consumo na Quaresma, período religioso que antecede a Páscoa.

Durante essas semanas, muitas pessoas reduzem o consumo de carne e buscam outras fontes de proteína, como ovos e peixes. 

Esse comportamento aumenta a procura pelo produto e movimenta o mercado de ovos em todo o país. 

“A expectativa do setor é que, durante a Quaresma, os preços fiquem em patamares mais elevados, com uma demanda crescente gradualmente”, disse Scarpelin. 

Segundo a pesquisadora, o cenário após o período religioso dependerá principalmente do equilíbrio entre produção e consumo. 

“Se a produção continuar aumentando e a demanda não for capaz de absorver essa oferta, é possível que os preços recuem após a Quaresma.” 

Preço dos ovos ainda está abaixo do registrado em 2025 

Mesmo com a recente valorização, os preços atuais continuam inferiores aos registrados no mesmo período do ano passado. 

Em fevereiro de 2025, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos chegou a ultrapassar R$ 220 em São Paulo.

Já em fevereiro de 2026, o mês terminou com o produto cotado a R$ 177,59. 

Isso representa uma queda de aproximadamente 19,3% na comparação anual. 

No início de 2025, o mercado de ovos enfrentou um cenário diferente.

As altas temperaturas reduziram a produção de ovos, limitando a oferta e elevando os preços de forma mais intensa. 

Produção de ovos maior pressionou preços no início do ano 

Outro fator que explica o comportamento recente do preço dos ovos foi o aumento da produção ao longo de 2025. 

Com maior oferta no mercado, os valores acabaram pressionados durante boa parte do ano.

Como consequência, 2026 começou com cotações mais baixas nas principais regiões produtoras. 

Em Santa Maria de Jetibá, por exemplo, o preço inicial de 2026 foi de R$ 82,99 por caixa. Já em Bastos, o valor foi de R$ 89,57. 

Esses números representam quedas de 44,8% e 37,5%, respectivamente, em relação ao início de 2025. 

Custos de produção também influenciam o mercado 

Os custos de alimentação das galinhas também impactam diretamente o mercado de ovos.

O milho, principal ingrediente da ração das aves poedeiras, exerce grande influência sobre a rentabilidade do produtor. 

Durante o período de preços baixos, muitos avicultores perderam poder de compra.

Ou seja, a venda de uma caixa de ovos permitia adquirir menos insumos para a produção. 

Com a recuperação do preço dos ovos em fevereiro, essa relação começou a melhorar. 

Poder de compra dos produtores volta a reagir 

De acordo com dados do Cepea, o poder de compra dos avicultores paulistas voltou a crescer frente aos principais insumos da atividade, como milho e farelo de soja. 

Considerando o Indicador ESALQ/BM&FBovespa do milho, a venda de uma caixa de ovos brancos permitiu a compra de 131,22 quilos do cereal. No caso dos ovos vermelhos, o volume chegou a 147,77 quilos. 

Esses valores representam aumentos de 36,7% e 37,1%, respectivamente, em relação ao mês anterior. 

Situação semelhante foi observada no caso do farelo de soja.

Com a venda de uma caixa de ovos brancos, os produtores conseguiram adquirir 80,27 quilos do insumo, enquanto os ovos vermelhos permitiram comprar 90,40 quilos. 

Veja mais em: Preços dos ovos quase dobram no início de 2026, mas seguem abaixo de 2025 | CNN Brasil

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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