Itapema vai depositar até 498 mil metros cúbicos de areia retirada de jazida a 19 km da costa ao longo de 4,75 km da Meia Praia para alargar a faixa em até 60 metros, obra de R$ 60 milhões dividida entre prefeitura e Estado que começa em agosto de 2026 com prazo de quatro meses.
A Meia Praia de Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina, vai receber entre 416 mil e 498 mil metros cúbicos de areia retirada de jazida submarina localizada a 19 quilômetros da costa em obra de engordamento que pretende ampliar a faixa de areia em 20 a 60 metros ao longo de 4,75 quilômetros de orla. A previsão foi apresentada durante agenda oficial do governador Jorginho Mello em Itapema nesta quarta-feira (6), ao lado do prefeito Alexandre Xepa, quando o Governo do Estado entregou a Licença Ambiental de Instalação (LAI) emitida pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA), etapa que permite ao município concluir o edital e avançar para a licitação da obra de R$ 60 milhões que deve começar em agosto de 2026, após o período de defeso, com prazo estimado de quatro meses para conclusão antes da temporada de verão. O material de areia que será depositado na praia possui, segundo estudos apresentados pela prefeitura, características compatíveis com a areia nativa da Meia Praia, condição exigida pelo licenciamento ambiental para evitar alterações no ecossistema costeiro.
O investimento de R$ 60 milhões será dividido entre a Prefeitura de Itapema, com R$ 30 milhões em recursos próprios, e o Governo do Estado de Santa Catarina, que confirmou o aporte durante o evento. O alargamento da faixa de areia acontecerá no trecho entre os molhes dos rios Perequê e Taboleiro das Oliveiras, extremidades que delimitam os 4,75 quilômetros de Meia Praia onde a areia será depositada por dragas que trarão o material da jazida submarina até a costa, operação de engenharia costeira que movimenta centenas de milhares de metros cúbicos de areia em prazo que a prefeitura estima em quatro meses entre início e conclusão. “A nossa praia precisa dessa ampliação. A cidade cresce, o turismo aumenta e a estrutura precisa acompanhar. É uma obra que protege a orla, amplia o uso e projeta Itapema para um novo patamar”, declarou o prefeito Alexandre Xepa durante o anúncio.
Como a obra vai transportar a areia da jazida submarina até a Meia Praia

O processo de engordamento de praia que Itapema vai executar consiste em retirar areia do fundo do mar e depositá-la na faixa costeira para ampliar a largura da praia. A jazida de areia está localizada a aproximadamente 19 quilômetros da costa de Itapema, distância que exige operação de dragagem com embarcações especializadas que sugam o sedimento do fundo marinho, transportam em tanques até a proximidade da praia e bombeiam a areia por tubulações até os pontos de deposição ao longo dos 4,75 quilômetros de orla. O volume previsto de 416 mil a 498 mil metros cúbicos de areia equivale a dezenas de milhares de viagens de caminhão basculante se o material fosse transportado por terra, escala que justifica a operação marítima e que dimensiona o porte da intervenção na Meia Praia.
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A variação entre 20 e 60 metros na largura adicional de areia reflete as diferenças de configuração ao longo do trecho de 4,75 quilômetros. Pontos da Meia Praia onde a faixa de areia é mais estreita receberão mais material para atingir largura funcional, enquanto trechos que já possuem faixa mais ampla receberão menos areia, distribuição que os estudos técnicos definiram para garantir perfil costeiro uniforme e estável ao longo de toda a extensão entre os molhes dos rios Perequê e Taboleiro das Oliveiras. A compatibilidade entre a areia da jazida submarina e a areia nativa da praia é requisito técnico e ambiental: granulometria, composição mineral e cor precisam ser semelhantes para que o material depositado se integre ao ambiente sem causar alteração visual ou ecológica perceptível.
O que motivou a obra e qual o impacto esperado para Itapema

A Meia Praia de Itapema vive processo de valorização imobiliária acelerada que transformou a cidade em um dos metros quadrados mais caros do litoral catarinense. O crescimento urbano e turístico aumentou a pressão sobre uma faixa de areia que em alguns trechos se tornou insuficiente para absorver o fluxo de banhistas durante a temporada de verão, e a erosão costeira natural agravou a situação ao longo dos anos, combinação que levou a prefeitura a buscar solução de engenharia que ampliasse a praia antes que o problema comprometesse tanto a balneabilidade quanto a atratividade turística que sustenta a economia local. O secretário de Governo e Infraestrutura de Itapema, Marcelo Correia, classificou a intervenção como “obra estruturante, planejada com base em estudos técnicos e ambientais”, destacando que o projeto garante segurança costeira e cria nova frente de desenvolvimento para a cidade.
O prefeito Alexandre Xepa foi direto ao dimensionar a expectativa sobre o resultado da obra: “Depois do alargamento, não tenho dúvida nenhuma que vai ser o metro quadrado mais valorizado do Brasil.” A afirmação do prefeito reflete expectativa que o mercado imobiliário local compartilha, porque a ampliação da faixa de areia em até 60 metros transforma a experiência de uso da praia e adiciona valor percebido aos empreendimentos que se multiplicam ao longo da orla da Meia Praia. A valorização imobiliária esperada é argumento que o município utiliza para justificar o investimento de R$ 30 milhões em recursos próprios, aposta de que o retorno em arrecadação de impostos sobre transações imobiliárias e atividade turística ampliada compensará o gasto público ao longo dos anos seguintes à conclusão da obra.
Quais são os prazos e etapas que faltam antes da areia chegar à praia
A entrega da Licença Ambiental de Instalação pelo IMA foi etapa decisiva que destravou o cronograma do projeto. Com a LAI em mãos, a Prefeitura de Itapema precisa agora concluir o edital de licitação, publicá-lo, receber propostas, avaliar e contratar a empresa que executará a dragagem e deposição da areia, processo licitatório que o município planeja finalizar a tempo de iniciar a obra em agosto de 2026, data escolhida por ser posterior ao período de defeso da pesca na região, quando atividades de grande porte no ambiente marinho são restringidas para proteger a reprodução de espécies. O prazo de quatro meses a partir de agosto colocaria a conclusão da obra entre novembro e dezembro de 2026, janela compatível com o objetivo de ter a Meia Praia alargada antes do início da temporada de verão.
O cronograma é ambicioso e depende de fatores que a prefeitura não controla integralmente. Condições meteorológicas e marítimas desfavoráveis podem atrasar a operação de dragagem, o processo licitatório pode enfrentar recursos ou questionamentos que adiem a contratação, e a disponibilidade de embarcações de dragagem especializadas no mercado pode afetar o prazo de mobilização, riscos que são comuns em obras de engenharia costeira e que a equipe técnica precisará administrar para cumprir a promessa de entregar a areia na praia antes do verão. O governador Jorginho Mello reforçou o compromisso do Estado com o projeto ao declarar que “Itapema é uma cidade próspera, que cresce com responsabilidade e merece um Estado presente”, e o evento incluiu ainda anúncios de outros investimentos que somam quase R$ 80 milhões para o município, incluindo avanço nas obras da Estrada do Morro do Encano, novos leitos de UTI e construção de escola estadual.
E você, acha que o alargamento da Meia Praia vai transformar Itapema no metro quadrado mais caro do Brasil? Deixe sua opinião nos comentários.


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