Porto de Suape sobe 38,5% e Itaqui dispara 44% em janeiro enquanto Nordeste brasileiro vira motor de crescimento dos portos públicos do país
Os portos públicos do Nordeste brasileiro lideraram o crescimento do setor portuário no início de 2026. Em primeiro lugar, o Porto de Suape (PE) movimentou 2,2 milhões de toneladas em janeiro de 2026 com alta de 38,5%. Em segundo lugar, o Porto de Itaqui (MA) registrou 2,1 milhões de toneladas com crescimento de 44%, segundo dados oficiais do Ministério de Portos e Aeroportos.
O Porto do Pecém (CE) complementou o desempenho regional com 1,5 milhão de toneladas movimentadas (+0,3%), segundo o ministério. Em paralelo, os três portos juntos transportaram quase 6 milhões de toneladas em um único mês, o que mostra a relevância crescente do Nordeste no comércio exterior brasileiro.
Conforme dados ministeriais, o crescimento se deve principalmente a granéis líquidos e contêineres em Suape, e granéis sólidos como fertilizantes, milho e soja em Itaqui. Da mesma forma, fluxos de gasolina e diesel chegaram em volume maior por causa da crise de abastecimento gerada pela guerra Rússia-Ucrânia e tensões em Hormuz.
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Porto de Suape: o gigante de Pernambuco que recebeu supernavio de 366 metros
O Porto de Suape é o segundo maior porto do Nordeste e fica em Cabo de Santo Agostinho (PE), a 40 km do Recife. Em primeiro lugar, é especializado em granéis líquidos — combustíveis, gás e produtos petroquímicos. Em segundo lugar, abriga a refinaria Abreu e Lima da Petrobras com capacidade de 230 mil barris/dia.
De acordo com a autoridade portuária estadual, Suape recebeu em 2026 o maior navio porta-contêiner já operado no Nordeste: o supernavio de 366 metros de comprimento e capacidade de 18.000 TEU. Em comparação, isso é equivalente a 4 campos de futebol enfileirados. Em consequência, o Porto de Suape se posiciona como hub conteinerizado do Norte-Nordeste.
Em paralelo, Suape avança projeto inédito: o primeiro terminal de contêineres 100% eletrificado da América Latina, anunciado em março de 2026. Para entender a escala, isso vai reduzir emissões de CO2 em 30% por contêiner movimentado. Da mesma forma, a operação será com guindastes elétricos, RTG elétricos e caminhões portuários elétricos.

Porto do Itaqui: o boom dos fertilizantes, milho e soja maranhenses
O Porto do Itaqui fica em São Luís (MA) e é especializado em granéis sólidos. Em primeiro lugar, recebe ferro do Carajás transportado pela ferrovia da Vale. Em segundo lugar, escoa milho, soja e farelos da safra do Matopiba — região agrícola do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia que cresce 8% ao ano.
De acordo com a Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), o Itaqui movimentou em janeiro 2,1 milhões de toneladas, com destaque para:
- Fertilizantes (importação): ureia, MAP e KCl — alta de 50%
- Milho: 380 mil toneladas exportadas (China, Egito, Espanha)
- Soja: 480 mil toneladas — alta de 38%
- Minério de ferro: 600 mil toneladas via Carajás
- Combustíveis: 300 mil toneladas em granéis líquidos
Em paralelo, o porto investe em píer 100 que entrará em operação em 2027 — vai aumentar capacidade total para 40 milhões de toneladas/ano. Da mesma forma, dragagem para 18 metros de calado vai permitir atracação de navios Capesize com até 220 mil DWT.
Pecém: o porto que aposta no hidrogênio verde do Ceará
O Porto do Pecém (CE) é referência em estratégia de hidrogênio verde no Brasil. Em primeiro lugar, abriga o primeiro projeto de exportação de H2V do país via parceria entre Fortescue e CEPP. Em segundo lugar, recebeu em 2025 investimentos de R$ 5 bilhões para hub de energia limpa.
Conforme a Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, a movimentação de granéis líquidos cresceu 12% no semestre. Da mesma forma, o porto recebeu 1,5 milhão de toneladas em janeiro de 2026, com leve alta de 0,3%. Em consequência, é o terceiro porto público nordestino mais movimentado.
Em paralelo, projetos como a WEG Aerogerador (montagem de turbinas eólicas com peças exportadas pelo Pecém) e o complexo siderúrgico CSP-Ternium (com produção de 3 milhões de toneladas/ano de aço) reforçam papel industrial do porto. Por isso, Pecém é hoje o porto público mais diversificado do país em termos de carga.
O salto regional: por que o Nordeste cresce mais que Sudeste em portos
O Sudeste tem os portos privados mais movimentados — Santos (SP), Tubarão (ES), Açu (RJ). Em primeiro lugar, esses operam com cargas de alto valor agregado e estão saturados em algumas faixas. Em segundo lugar, o Nordeste oferece espaço de expansão e custos logísticos menores em rotas internacionais.
De acordo com a Antaq, portos do Nordeste cresceram 22% em movimentação em 2025, contra 3,5% do Sudeste. Da mesma forma, investimentos em obras de dragagem, novos terminais e ferrovias de acesso somam R$ 18 bilhões previstos até 2030 na região. Em consequência, há corrida para acompanhar demanda.
Em paralelo, a integração com a Ferrogrão (futura ferrovia MT–PA) e a Norte-Sul deve aumentar fluxo via portos do Norte-Nordeste — Itaqui, Vila do Conde (PA) e Açu — em detrimento de Santos. Por consequência, o equilíbrio de cargas do Brasil tende a se reequilibrar geograficamente nos próximos 10 anos.

Implicação para o setor de petróleo e gás
Para o setor de O&G, os portos do Nordeste têm importância estratégica. Em primeiro lugar, Suape escoa combustíveis para todo o Norte-Nordeste. Em segundo lugar, Itaqui-Maranhão atende mercado interno e exportação de petróleo do offshore do Maranhão (Bacia do Pará-Maranhão).
De acordo com a Petrobras, o terminal de combustíveis de Suape é estratégico para abastecimento regional. Em paralelo, novos terminais GNL no Pecém e em Bahia (TGB) avançam para regaseificação de gás natural importado. Da mesma forma, o Pecém é fundamental para o setor de hidrogênio verde brasileiro.
Em comparação, o porto de Santos ainda tem o maior volume absoluto de combustíveis — mais de 12 milhões de toneladas/ano. Por outro lado, o crescimento percentual está no Nordeste. Por isso, a Petrobras avalia ampliar capacidade de terminais nordestinos como parte do plano 2026-2030.

Ressalva sobre sazonalidade e infraestrutura
Embora o crescimento de janeiro seja relevante, especialistas alertam para sazonalidade. Em primeiro lugar, exportações de soja e milho concentram-se em janeiro-abril. Em segundo lugar, importações de fertilizantes seguem ciclo da safra. Por isso, o crescimento de 38,5% em Suape e 44% em Itaqui pode arrefecer no segundo semestre.
Por outro lado, há gargalos de infraestrutura. A rodovia BR-316 que liga Itaqui ao interior do Maranhão tem trechos esburacados. Da mesma forma, a Ferrovia Norte-Sul precisa de obras complementares para uso pleno. Outras coberturas dos portos brasileiros estão no acervo do Click Petróleo e Gás. Será que o Nordeste vai ultrapassar o Sudeste em volume portuário até 2030?

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