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Por 10 anos, homem viveu sozinho em floresta da Austrália, comendo o que achava no mato e fugindo de gente e depois voltou para virar doutor e professor

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 09/01/2026 às 12:21
Assista o vídeoHomem viveu isolado por anos em floresta da Austrália, sobreviveu no mato e reapareceu para virar doutor e professor universitário.
Homem viveu isolado por anos em floresta da Austrália, sobreviveu no mato e reapareceu para virar doutor e professor universitário.
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Viveu isolado em área de mata australiana por anos, sobreviveu com recursos do ambiente e reapareceu fora da floresta para retomar estudos, obter doutorado e atuar como professor universitário, em uma trajetória documentada pela imprensa pública do país.

Durante parte da vida adulta, o australiano Gregory Smith viveu isolado em uma área de mata no norte de Nova Gales do Sul, na Austrália, mantendo distância quase total de outras pessoas.

Nesse período, a rotina foi marcada por sobrevivência direta do ambiente, silêncio prolongado e rejeição consciente à convivência social.

Anos mais tarde, fora da floresta, ele retomou os estudos formais, concluiu a formação universitária, obteve doutorado e passou a atuar como professor.

Essa trajetória foi registrada pela rede pública australiana ABC, em reportagens jornalísticas e em um episódio do programa Australian Story, além de constar em seu livro de memórias.

Isolamento em floresta no norte da Austrália

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De acordo com a ABC, Smith entrou no Goonengerry National Park, na costa norte de Nova Gales do Sul, em 1990, após um longo período de instabilidade pessoal e rupturas sociais.

Na região, tornou-se conhecido por viver dentro da floresta e por evitar qualquer tipo de interação regular com outras pessoas.

Quando deixou a mata de forma definitiva, cerca de dez anos depois segundo a emissora, apresentava quadro de desnutrição, fragilidade física e sinais de sofrimento psíquico associados ao tempo prolongado de isolamento.

Histórico familiar e afastamento da sociedade

Antes de chegar à floresta, Smith teve uma infância marcada por violência doméstica e abandono, incluindo passagem por orfanato ainda criança.

Mais tarde, enfrentou dependência química, episódios de descontrole emocional e períodos vivendo em situação de rua.

Esse conjunto de fatores aparece nas reportagens como o pano de fundo que o levou a se afastar da vida urbana.

Segundo a reconstrução feita pela ABC, a ida ao parque não ocorreu como aventura ou experiência planejada, mas como consequência direta de falta de moradia e ausência de estabilidade.

Vida improvisada no Goonengerry National Park

Uma reportagem exibida em 2018 pelo Australian Story relata que Smith percorreu uma estrada de terra na região de Mullumbimby até alcançar o interior do parque nacional.

Nos primeiros dias, enfrentou frio, chuva constante e a presença frequente de sanguessugas.

Homem viveu isolado por anos em floresta da Austrália, sobreviveu no mato e reapareceu para virar doutor e professor universitário.
Homem viveu isolado por anos em floresta da Austrália, sobreviveu no mato e reapareceu para virar doutor e professor universitário.

O que mais o marcou, segundo o relato, foi a ausência completa de ruídos urbanos, como motores, vozes ou tráfego.

Com o passar do tempo, ele improvisou uma estrutura mínima de permanência.

Foram montados um ponto fixo para fogo, um pequeno banco de trabalho feito com pedras e um local de descanso usando materiais encontrados na própria mata.

Alimentação extrema e sobrevivência no mato

As reportagens mencionam a existência de um riacho próximo, que fornecia água de forma contínua.

Já a alimentação foi descrita como uma adaptação extrema às condições do ambiente.

Smith afirmou ter se alimentado de insetos, larvas, pequenos animais e répteis para conseguir sobreviver.

Em um dos relatos, ele resumiu essa fase dizendo que passou a comer “qualquer coisa que rastejasse”.

Entre os exemplos citados estão besouros, vermes, lagartos, além de episódios específicos como o consumo de uma píton e a caça de morcegos com um estilingue.

Divergências sobre o tempo de isolamento

A duração exata do período em que permaneceu na floresta não aparece de forma uniforme nas fontes públicas.

Na reportagem de 2018, a ABC registrou que Smith apresentava dificuldades de memória.

Embora ele próprio tenha mencionado cerca de dez anos, moradores rurais da região lembravam dele e estimavam um intervalo menor.

Homem viveu isolado por anos em floresta da Austrália, sobreviveu no mato e reapareceu para virar doutor e professor universitário.
Homem viveu isolado por anos em floresta da Austrália, sobreviveu no mato e reapareceu para virar doutor e professor universitário.

O próprio Smith foi descrito como alguém que não conseguia precisar com exatidão quanto tempo permaneceu no parque.

A emissora relacionou essa imprecisão a anos de abuso de álcool e drogas, além de episódios de psicose durante o isolamento.

Saída da floresta e internação

Apesar dessas divergências, reportagens posteriores da ABC adotaram a versão de que a entrada ocorreu em 1990 e a saída definitiva cerca de uma década depois.

Em 1999, Smith foi atropelado em uma estrada remota no norte do estado.

Após o acidente, acabou internado em uma unidade de saúde mental.

Na ocasião, pesava pouco mais de 41 quilos, dado citado como indicativo da deterioração física associada ao período na mata.

Retorno gradual à educação formal

Depois de deixar a floresta, o foco das reportagens passa a acompanhar o processo de reintegração à vida social.

Um momento decisivo ocorreu após uma alta hospitalar, descrito pela ABC de forma objetiva.

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Sentado em um banco próximo ao rio Tweed, em Tweed Heads, Smith carregava uma mochila com álcool e drogas.

Ali, decidiu abandonar tudo e não voltar a consumir substâncias.

Estudos, universidade e doutorado

Em 2002, matriculou-se em um curso no TAFE de Southport para concluir a escolarização interrompida na adolescência.

Mesmo durante os estudos, ainda vivia em condições instáveis. Chegou a dormir no carro e a estudar em áreas de praia e dunas da região.

A formação avançou de maneira gradual. Posteriormente, ingressou na universidade, concluiu a graduação e obteve doutorado em sociologia pela Southern Cross University.

Atuação como professor e reconhecimento público

Nas produções mais recentes da ABC, Smith aparece como acadêmico que utiliza a própria experiência em debates sobre políticas públicas.

A atuação se concentra em temas ligados à população em situação de rua no norte de Nova Gales do Sul.

Em 2019, ele já mantinha vínculo estável como docente universitário. Em 2023, passou a ocupar funções de liderança acadêmica após conquistar tenure.

No mesmo ano, recebeu a Medal of the Order of Australia (OAM) por serviços prestados à comunidade.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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