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Política em família! Deputados mandam R$ 171 MILHÕES a prefeitura de parentes em forma de emenda Pix

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 03/01/2025 às 16:12
Atualizado em 03/01/2025 às 16:13
Assista o vídeoDeputados destinam mais de R$ 171 milhões em emendas Pix a prefeituras de parentes. Prática levanta polêmica e questiona transparência.
Deputados destinam mais de R$ 171 milhões em emendas Pix a prefeituras de parentes. Prática levanta polêmica e questiona transparência.
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Relações familiares em foco! Deputados brasileiros transferem milhões em emendas Pix para prefeituras lideradas por pais, irmãos e cônjuges. Com mais de R$ 171 milhões distribuídos em 2024, a prática expõe um jogo de interesses que desafia a ética e a transparência no uso do orçamento público. A crise entre os Poderes intensifica o debate sobre o tema.

No cenário político brasileiro, onde as relações de poder são frequentemente contestadas, uma prática vem chamando atenção pela sua peculiaridade e potencial polêmica.

Em pleno 2024, deputados federais destinam verbas públicas diretamente para prefeituras chefiadas por parentes próximos, um movimento que levanta questionamentos sobre transparência, ética e a verdadeira natureza do uso do dinheiro público.

De acordo com dados do portal Siga Brasil analisados pelo jornal Metrópoles, mais de R$ 171 milhões em emendas de transferência especial – conhecidas como emendas Pix – foram enviados em 2024 para prefeituras lideradas por pais, filhos, irmãos, cônjuges e outros parentes de deputados federais.

Essa modalidade permite a transferência direta de recursos da União aos municípios, sem necessidade de convênios ou aprovação técnica prévia, e registrou um recorde de uso no último ano, especialmente devido às eleições municipais.

O destaque de Coari e outros casos emblemáticos

Entre os 20 municípios beneficiados, Coari, no Amazonas, lidera em valores recebidos.

O deputado federal Adail Filho (Republicanos), que também é primo do prefeito Keitton Pinheiro (PP), destinou impressionantes R$ 18,4 milhões à cidade.

Essa relação familiar traz à tona uma história política marcada por controvérsias: o pai de Adail Filho, Adail Pinheiro, foi impedido pela Justiça de assumir a prefeitura, mas reconquistou o cargo em 2024 após uma nova eleição.

Outro caso notável ocorre em Tucuruí, no Pará, onde a deputada Andreia Siqueira (MDB) encaminhou R$ 16,8 milhões ao município comandado pelo esposo, o prefeito Alexandre Siqueira (MDB).

Esse padrão se repete em diversas regiões do país, revelando um mapa de relações entre deputados e prefeitos que merece escrutínio público.

A tabela dos recursos distribuídos pelos deputados

Abaixo, veja a lista detalhada dos deputados, suas relações com os prefeitos beneficiados e os valores enviados:

Deputado (autor da emenda)CidadePrefeitoRelação (deputado → prefeito)Valor
Adail FilhoCoari (AM)Keitton PinheiroPrimo → PrimoR$ 18.434.456
Amanda GentilCaxias (MA)Fabio GentilFilha → PaiR$ 8.185.790
Andreia SiqueiraTucuruí (PA)Alexandre SiqueiraEsposa → EsposoR$ 16.771.585
Daniel BarbosaArapiraca (AL)Luciano BarbosaFilho → PaiR$ 13.000.000
Daniela do WaguinhoBelford Roxo (RJ)WaguinhoEsposa → EsposoR$ 10.000.000
Domingos NetoTauá (CE)Patricia AguiarFilho → MãeR$ 10.085.792
Eduardo BismarckAracati (CE)Bismarck MaiaFilho → PaiR$ 6.000.000
Elmar NascimentoCampo Formoso (BA)Elmo NascimentoIrmão → IrmãoR$ 10.000.000
Eriberto MedeirosCumaru (PE)Mariana MedeirosEsposo → EsposaR$ 4.000.000
Fernando Coelho FilhoPetrolina (PE)Miguel CoelhoIrmão → IrmãoR$ 4.700.000
Gustinho RibeiroLagarto (SE)Hilda RibeiroEsposo → EsposaR$ 7.285.792
Iza ArrudaVitória de Santo Antão (PE)Paulo RobertoFilha → PaiR$ 5.000.000
Júnior ManoNova Russas (CE)Giordanna ManoEsposo → EsposaR$ 3.050.000
Meire SerafimSena Madureira (AC)Mazinho SerafimEsposa → EsposoR$ 12.185.792
Ricardo MaiaTucano (BA)Ricardo MaiaPai → FilhoR$ 11.728.311
Robério MonteiroAcaraú (CE)Ana Flavia MonteiroEsposo → EsposaR$ 8.135.792
Robério MonteiroItarema (CE)Elizeu MonteiroIrmão → IrmãoR$ 2.600.000
Rodrigo GambaleFerraz de Vasconcelos (SP)Priscila GambaleIrmão → IrmãR$ 6.804.824
Thiago de JoaldoItabaianinha (SE)Danilo de JoaldoIrmão → IrmãoR$ 9.485.000
Yandra MouraJaparatuba (SE)Lara MouraFilha → MãeR$ 4.385.000

Crise e negociações entre os poderes

O uso de emendas Pix provocou uma crise entre os Poderes em 2024.

Em agosto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os repasses, condicionando a retomada à adoção de medidas de transparência.

Após negociações e a aprovação de um projeto de lei complementar, Dino autorizou a liberação em dezembro, mas a crise permanece.

O conflito não se restringiu à esfera jurídica. Parlamentares manifestaram insatisfação com as novas regras impostas pelo STF, alegando que elas dificultam o exercício do mandato.

A Advocacia-Geral da União (AGU) tentou flexibilizar essas diretrizes, mas não obteve sucesso.

Em resposta, o governo federal articulou a criação de uma portaria interministerial para dar maior segurança jurídica aos repasses.

A “novela” jurídica deve se prolongar em 2025, especialmente com o início de uma nova legislatura.

A pressão por maior fiscalização nas transferências contrasta com a resistência de deputados, que defendem sua autonomia no uso de recursos.

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Argumentos dos envolvidos

Os deputados mencionados no levantamento afirmam que suas ações estão alinhadas com os interesses de suas bases eleitorais.

Thiago Joaldo (PP-SE) justificou que o envio de recursos ao município de Itabaianinha segue critérios constitucionais e reflete o apoio da população local.

Já a deputada Meire Serafim (União-AC) ressaltou que Sena Madureira é uma prioridade em seu mandato, devido à sua expressiva votação na região.

A questão central, entretanto, não é a legalidade das transferências, mas a falta de transparência e de critérios objetivos na distribuição dessas verbas.

Para especialistas, essa prática pode enfraquecer a confiança da população nas instituições e reforçar a percepção de que os recursos públicos são usados como moeda de troca política.

E você, o que acha da destinação de recursos públicos a municípios geridos por parentes? Deixe sua opinião nos comentários!

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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