Estudantes desenvolveram jogo educativo voltado a crianças com TDAH e criaram uma plataforma para acompanhamento dos resultados.
Um grupo de estudantes de São Paulo desenvolveu um jogo digital voltado para crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), unindo aprendizado, entretenimento e acompanhamento familiar. O projeto nasceu em 2024 durante um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na Escola Técnica Estadual (ETEC) Adolpho Berezin, em Mongaguá, e atualmente continua sendo aprimorado na Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Praia Grande.
Além dos desafios educativos apresentados às crianças, a iniciativa permite que pais, responsáveis e profissionais acompanhem o desempenho dos usuários por meio de uma plataforma específica.
Destinado ao público entre 8 e 10 anos, o jogo foi criado com a proposta de servir como ferramenta complementar ao processo de aprendizagem, sem substituir avaliações ou acompanhamentos especializados. O desenvolvimento contou com a participação de profissionais de diferentes áreas, incluindo psicopedagogos, especialistas em jogos digitais, psicólogos e educadores.
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Como os estudantes transformaram uma ideia acadêmica em projeto premiado?
A iniciativa surgiu a partir de uma reflexão realizada durante o curso de Desenvolvimento de Sistemas da ETEC Adolpho Berezin.
Segundo a estudante Eduarda Belles, de 20 anos, a equipe buscava desenvolver uma solução que tivesse impacto social. Durante pesquisas e observações, os integrantes identificaram que o TDAH faz parte da realidade de muitas famílias e perceberam que métodos tradicionais de ensino nem sempre despertam o interesse de todas as crianças.
Ao comentar a origem da proposta, Eduarda explicou: “Resolvemos nos desafiar a criar um jogo com propósito social. A partir de pesquisas e observações, percebemos como o TDAH está cada vez mais presente no cotidiano e como métodos tradicionais de aprendizagem podem ser desestimulantes para algumas crianças”.
A estudante também relembrou a pergunta que orientou o projeto: “Então, surgiu a pergunta: e se aprender pudesse ser divertido?”.

Jogo foi pensado para crianças com TDAH
A ferramenta digital foi desenvolvida especialmente para crianças diagnosticadas com TDAH, condição descrita pelo Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria, como um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por níveis prejudiciais de desatenção, desorganização e hiperatividade ou impulsividade.
De acordo com os especialistas consultados pela equipe, as atividades presentes no jogo podem estimular a atenção aos detalhes e contribuir para o desenvolvimento da coordenação motora das mãos e dos dedos.
Apesar disso, os criadores ressaltam que o objetivo não é substituir profissionais da área de saúde ou educação. “Nossa intenção não é substituir acompanhamento profissional ou fornecer diagnósticos, mas oferecer uma ferramenta complementar que une aprendizado, tecnologia e diversão”, afirmou Eduarda.
Um dos diferenciais da iniciativa é aproveitar o interesse crescente das crianças por ambientes digitais. Segundo os desenvolvedores, a proposta busca utilizar esse contato frequente com a tecnologia para promover experiências educativas de forma mais envolvente.
Eduarda destacou que a ideia é transformar o tempo dedicado aos jogos em uma oportunidade para trabalhar habilidades importantes de maneira leve.

“As crianças estão cada vez mais conectadas ao universo digital e dos jogos, então buscamos transformar esse interesse em uma experiência que também possa estimular habilidades importantes de forma leve e envolvente”, explicou.
Além disso, a plataforma permite que familiares e profissionais acompanhem a evolução dos participantes, ampliando as possibilidades de monitoramento do desempenho durante as atividades.
Aventura espacial é tema central do jogo
Batizado de Cosmic Mind, o projeto utiliza uma narrativa inspirada na exploração espacial.
Durante a experiência, a criança assume o papel principal em uma jornada repleta de descobertas e desafios. Ao longo do percurso, personagens acompanham o jogador e ajudam na construção da narrativa.
De acordo com a equipe, a proposta procura estimular elementos como:
- Curiosidade;
- Imaginação;
- Reflexão sobre escolhas;
- Percepção de evolução;
- Construção de objetivos futuros.
Alguns aspectos do funcionamento permanecem sob sigilo. Segundo os responsáveis, a medida busca proteger a propriedade intelectual e preservar características competitivas do projeto antes de seu lançamento.
Próximos passos do projeto dos estudantes
Embora ainda não exista uma data divulgada para o lançamento, os trabalhos continuam avançando.
Atualmente, o foco da equipe está voltado para o aperfeiçoamento da ferramenta, ampliação do contato com especialistas e busca por oportunidades de validação junto a clínicas, instituições e profissionais parceiros.
O desenvolvimento é conduzido pelas equipes Spectrum e Selenes, formadas por estudantes de cursos ligados às áreas de Desenvolvimento de Software Multiplataforma, Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Jogos Digitais.
Participam do projeto alunos da Fatec Praia Grande e da Fatec São Caetano do Sul. Além de Eduarda Belles, integram a equipe Ângelo Ferreira, Luigi Campregher, Raiza Antoneli, Takeshi Aoki, Ellen Gouveia, Luana Fontenele, Brenno D’Luca e Zeus Machado.
Reconhecimento impulsiona evolução da iniciativa
Mesmo antes de chegar ao público, o projeto já conquistou destaque em eventos do setor.
A iniciativa recebeu os títulos de “Melhor Jogo Educativo”, concedido por um júri técnico, e “Jogo da Galera”, definido por votação popular durante o Santos Game Power Up.

Os reconhecimentos reforçaram o interesse da equipe em ampliar o desenvolvimento da solução, que busca combinar tecnologia, educação e acompanhamento familiar para auxiliar crianças com TDAH por meio de uma experiência digital interativa.
Fonte: g1

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