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Poço artesiano com vazão de 5 mil litros por hora ajudou agricultor do sertão do Moxotó a transformar 4 hectares em área produtiva; com irrigação por gotejamento, ele planta banana, manga, coco, café, uva e mais de 13 variedades sem depender só da chuva

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Escrito por Carla Teles Publicado em 29/06/2026 às 13:45 Atualizado em 29/06/2026 às 13:47
Poço artesiano com vazão de 5 mil litros por hora ajudou agricultor do sertão do Moxotó a transformar 4 hectares em área produtiva; com irrigação por gotejamento, ele planta banana (3)
Poço artesiano leva irrigação por gotejamento e água subterrânea ao semiárido, ampliando a produção em pequena propriedade. Imagem: Ilustração
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Em Betânia, no sertão do Moxotó, o poço artesiano usado por José Soares abastece fitas gotejadoras em 4 hectares. Com técnica aprendida no Sebrae, o agricultor diversificou a produção com banana, manga, coco, café, uva e mais de 13 variedades, segundo reportagem da Marco Zero publicada em julho de 2021.

O poço artesiano com vazão de 5 mil litros por hora é uma das bases da produção mantida por José Soares, conhecido como Zé de Sofia, na zona rural de Betânia, no sertão do Moxotó, em Pernambuco. A propriedade tem apenas 4 hectares, mas reúne pelo menos 13 variedades de frutas e legumes.

A experiência foi relatada em reportagem da Marco Zero, assinada por Géssica Amorim e publicada em 6 de julho de 2021. À época, José Soares tinha 60 anos e cultivava espécies comuns e incomuns para a região, combinando água subterrânea, bomba submersa e irrigação por gotejamento para reduzir a dependência direta das chuvas.

Água subterrânea passou a sustentar uma produção mais diversificada

poço artesiano leva irrigação por gotejamento e água subterrânea ao semiárido, ampliando a produção em pequena propriedade.
Imagem: MarzoZero/Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo

Na propriedade localizada a cerca de 396 quilômetros do Recife, o poço artesiano permite que a água chegue às plantas por meio de um sistema de irrigação por gotejamento. A vazão informada na reportagem é de 5 mil litros por hora, volume que abastece as fitas gotejadoras espalhadas pelo terreno.

Esse tipo de estrutura muda a lógica de produção em uma área marcada pela irregularidade das chuvas. Em vez de concentrar o plantio apenas em culturas sazonais, o agricultor passou a organizar o uso da água de forma mais constante, direcionada e compatível com diferentes tipos de plantas.

O ponto central não é apenas ter água disponível, mas controlar como ela chega ao solo. A irrigação por gotejamento libera água em pequenas quantidades, perto das raízes, o que ajuda a evitar desperdício e torna possível manejar culturas diferentes no mesmo espaço.

A reportagem informa que Zé de Sofia cultiva banana, manga, mamão, coco, romã, acerola, goiaba, caju, abacaxi e graviola. Também aparecem no terreno culturas menos esperadas naquele contexto local, como café e uva, que exigem atenção maior ao manejo.

Técnica aprendida em Petrolina ajudou a organizar o sistema

Antes de voltar para o sertão do Moxotó, José Soares viveu quase duas décadas em Petrolina, no Vale do São Francisco. A região é reconhecida pela força da fruticultura irrigada e serviu como ambiente de aprendizado prático para o agricultor observar formas de produção mais diversificadas.

Segundo a Marco Zero, ele começou a investir nessas culturas quatro anos antes da publicação da reportagem. O conhecimento usado na propriedade veio, em parte, de um curso de seis meses feito no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae, quando ainda morava em Petrolina.

Na prática, esse aprendizado apareceu na instalação das fitas gotejadoras, na marcação dos pontos de irrigação e no uso de uma bomba submersa para elevar a pressão da água. A bomba permite que a água do poço artesiano seja distribuída com mais constância pela superfície da área produtiva.

A diferença está na combinação entre conhecimento técnico e aplicação direta no terreno. O poço artesiano fornece a água, mas o sistema só funciona de forma eficiente porque há planejamento na distribuição, no espaçamento das plantas e na manutenção das mudas.

Investimento inicial ficou abaixo de R$ 10 mil, segundo o agricultor

poço artesiano leva irrigação por gotejamento e água subterrânea ao semiárido, ampliando a produção em pequena propriedade.
Imagem: MarzoZero/Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo

A reportagem informa que José Soares afirmou ter gasto menos de R$ 10 mil para instalar o sistema de irrigação e iniciar a produção, incluindo compra de mudas e fertilizantes. O valor foi citado pelo próprio agricultor à Marco Zero, dentro do contexto da implantação da estrutura no terreno.

Ele também relatou ter feito sozinho etapas como instalação da bomba, marcação dos pontos das fitas gotejadoras, plantio e manutenção inicial das mudas. Essa informação ajuda a entender a escala do projeto: trata-se de uma estrutura pequena, organizada em 4 hectares, mas com planejamento de água e diversidade agrícola.

O dado do investimento não deve ser lido como fórmula pronta para qualquer propriedade. O custo de um poço artesiano, de bombas, de irrigação e de mudas pode variar conforme solo, profundidade da água, energia disponível, mão de obra, distância de fornecedores e exigências locais.

Ainda assim, o caso mostra como um sistema de irrigação bem dimensionado pode ampliar as possibilidades de uma pequena área rural. A produção não depende apenas do tamanho da terra, mas da capacidade de manejar água, solo, mudas e manutenção ao longo do ano.

Mais de 13 variedades ocupam uma área de apenas 4 hectares

Em vez de trabalhar só com culturas mais tradicionais da região, como feijão, milho e mandioca, Zé de Sofia passou a testar frutas e legumes variados. A lista apresentada pela Marco Zero inclui espécies de diferentes exigências, o que torna a organização da irrigação ainda mais relevante.

O cultivo de uva e café no sertão do Moxotó chama atenção justamente por fugir do padrão mais comum da paisagem agrícola local. Essas culturas não aparecem na reportagem como produção em grande escala, mas como parte de uma diversificação conduzida dentro da propriedade.

A diversificação reduz a dependência de uma única cultura e pode melhorar o aproveitamento da área. Em uma pequena propriedade, combinar espécies diferentes pode distribuir melhor riscos, ciclos produtivos e possibilidades de consumo ou venda.

A matéria original também informa que a terra de Zé dá frutos o ano inteiro. Esse resultado está diretamente ligado à irrigação, já que o agricultor não fica restrito apenas ao calendário das chuvas para manter parte das plantas em desenvolvimento.

Produção ainda não é orgânica nem agroecológica

Poço artesiano com vazão de 5 mil litros por hora ajudou agricultor do sertão do Moxotó a transformar 4 hectares em área produtiva; com irrigação por gotejamento, ele planta banana (2)
Poço artesiano leva irrigação por gotejamento e água subterrânea ao semiárido, ampliando a produção em pequena propriedade. Imagem: Ilustração

Apesar da variedade de alimentos cultivados, a reportagem deixa claro que a produção de José Soares ainda não é orgânica e não utiliza técnicas da agroecologia. No caso das uvas, por exemplo, há necessidade de aplicação de fertilizantes químicos, conforme informado pela Marco Zero.

Esse ponto é importante para manter precisão jornalística. O caso mostra manejo de água e diversificação produtiva, mas não deve ser apresentado como produção orgânica, agrofloresta ou modelo agroecológico, porque a fonte não sustenta essa classificação.

A própria reportagem informa que esse pode ser um próximo passo desejado pelo agricultor. Para avançar nesse sentido, seria necessário acesso a orientação técnica, troca de conhecimento e práticas adequadas para manejo saudável do solo e das culturas.

Nesse contexto, a Marco Zero cita a Articulação Semiárido Brasileiro, a ASA, rede formada por mais de três mil organizações. A entidade atua em temas como estoque de água, agroecologia, sementes e orientação para plantios em estados do semiárido.

O caso mostra o peso da informação técnica no semiárido

A experiência em Betânia revela como o poço artesiano, quando combinado com irrigação por gotejamento, pode mudar a capacidade produtiva de uma pequena propriedade. A água subterrânea é o ponto de partida, mas não atua sozinha: o resultado depende de conhecimento técnico, escolha de culturas e manejo constante.

A reportagem também mostra que muitos agricultores da região poderiam se beneficiar de informação prática sobre tecnologias de campo. Isso inclui irrigação eficiente, uso racional da água, escolha de mudas, análise de solo, adubação e formas de convivência com o semiárido.

O exemplo de Zé de Sofia não elimina a importância de políticas públicas e assistência técnica. Pelo contrário, reforça que a difusão de conhecimento pode ajudar pequenos produtores a aproveitar melhor suas áreas, desde que respeitando as condições locais e os limites ambientais.

A ASA aparece na reportagem como referência nesse debate, especialmente por programas voltados ao acesso à água, como o Programa Um Milhão de Cisternas, conhecido como P1MC. A iniciativa busca captar e armazenar água da chuva em cisternas próximas às casas de famílias da zona rural.

Água, manejo e escolha das culturas definem o futuro da pequena produção

O poço artesiano de 5 mil litros por hora em Betânia se tornou parte de uma estrutura produtiva que combina água, irrigação por gotejamento e diversidade de cultivos. O resultado é uma propriedade pequena, mas com variedade agrícola maior do que a tradicionalmente associada ao entorno.

O caso mostra que produzir no sertão não depende apenas de esperar chuva ou repetir culturas sazonais. Também passa por acesso à água, aprendizado técnico, planejamento do uso do solo e decisões sobre quais espécies fazem sentido em cada área.

A experiência de José Soares ajuda a ampliar a discussão sobre convivência produtiva com o semiárido. Não se trata de apresentar uma solução única, mas de mostrar como tecnologia simples, conhecimento aplicado e manejo da água podem abrir novas possibilidades para pequenos agricultores.

Você acha que sistemas como poço artesiano e irrigação por gotejamento deveriam receber mais orientação técnica no semiárido? Deixe sua opinião nos comentários e conte se esse tipo de produção poderia funcionar em outras pequenas propriedades rurais.

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Carla Teles

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