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Os EUA aprovaram o primeiro terminal flutuante de GNL do país e fecharam contrato de US$ 2,9 bilhões com a Samsung Heavy para construir o Delfin FLNG 1

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 29/06/2026 às 14:42 Atualizado em 29/06/2026 às 14:44
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A Delfin LNG anunciou a Decisão de Investimento Final (FID) para o Delfin FLNG 1, o primeiro terminal flutuante de exportação de gás natural liquefeito dos Estados Unidos, com a assinatura de um contrato de construção avaliado em US$ 2,9 bilhões com o estaleiro sul-coreano Samsung Heavy Industries, em movimento que representa o início de uma nova fase da infraestrutura de exportação de GNL americano.

Especificações técnicas e capacidade do FLNG 1

O Delfin FLNG 1 é um navio de liquefação flutuante projetado para operar no Golfo do México, ao largo da costa da Louisiana. A unidade terá capacidade de exportação de 4,4 milhões de toneladas de GNL por ano, equivalente a aproximadamente 6 bilhões de metros cúbicos de gás natural anualmente.

O início de produção e exportações está previsto entre 2029 e 2030, após a conclusão da construção pelo estaleiro Samsung Heavy Industries. A tecnologia FLNG permite liquefazer o gás natural diretamente em alto mar ou em instalação flutuante, eliminando a necessidade de dutos de transporte terrestre extensos e infraestrutura portuária de grande escala em terra.

O Delfin FLNG 1 será o primeiro projeto desse tipo nos Estados Unidos, que até agora operavam exclusivamente terminais de exportação de GNL em terra, como os de Sabine Pass, Freeport, Corpus Christi e Sabine Pass.

Contexto da expansão do GNL americano em 2026

O projeto integra uma onda de aprovações de novos terminais de GNL nos Estados Unidos em 2026. Três projetos americanos — Phase 2 do CP2 LNG, Commonwealth LNG e o próprio Delfin FLNG 1 — atingiram FID até o início de junho de 2026, adicionando capacidade combinada de 31 bilhões de metros cúbicos por ano ao mercado.

A expansão da exportação americana de GNL ocorre em contexto de demanda elevada por parte da Europa, que busca diversificar fontes de suprimento após a redução do gás russo, e da Ásia, onde Japão, Coreia do Sul e países do Sudeste Asiático mantêm importações crescentes.

A Petronas LNG firmou contrato de fornecimento de até 2 milhões de toneladas por ano de GNL ao Japão por período de 20 anos, com início em 2028, ilustrando a demanda de longo prazo que sustenta os investimentos em nova capacidade de exportação.

O papel da Samsung Heavy Industries e a cadeia sul-coreana

A Samsung Heavy Industries é um dos três principais estaleiros sul-coreanos especializados em construção de navios de GNL e plataformas offshore, ao lado da Hyundai Heavy Industries e da Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering (DSME). A empresa tem historial extenso na construção de navios transportadores de GNL e plataformas de processamento offshore.

O contrato de US$ 2,9 bilhões para a construção do FLNG 1 é um dos maiores contratos individuais de construção naval em 2026. O estaleiro deverá mobilizar equipes de engenharia especializadas em sistemas criogênicos, que operam a temperaturas de até -162°C para manter o gás natural no estado liquefeito.

Impacto no mercado global de GNL

A aprovação do Delfin FLNG 1 reforça a posição dos Estados Unidos como o maior exportador mundial de GNL, posto conquistado em 2023 e mantido desde então. A entrada em operação de novos projetos americanos entre 2028 e 2031 deverá aumentar a pressão competitiva sobre exportadores estabelecidos como Qatar, Austrália e Rússia.

Para o Brasil, que possui reservas significativas de gás natural no pré-sal e infraestrutura de GNL em expansão, a consolidação americana no mercado de GNL representa tanto referência tecnológica quanto parâmetro de preços em contratos de longo prazo. A Petrobras opera o terminal de regaseificação de GNL do Rio de Janeiro e avalia projetos de exportação de GNL associado à produção do pré-sal.

A viabilidade comercial do Delfin FLNG 1 é sustentada por contratos de longo prazo de compra de GNL firmados com distribuidoras e utilities europeias e asiáticas. O modelo FLNG elimina a necessidade de gasodutos terrestres de longas distâncias e terminais de liquefação fixos em terra, tornando a infraestrutura mais flexível e adaptável a diferentes campos de gás natural offshore. A aprovação do projeto sinaliza que a tecnologia FLNG, utilizada comercialmente na Austrália e no Golfo Pérsico, está madura para implantação no contexto regulatório americano.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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