A Delfin LNG anunciou a Decisão de Investimento Final (FID) para o Delfin FLNG 1, o primeiro terminal flutuante de exportação de gás natural liquefeito dos Estados Unidos, com a assinatura de um contrato de construção avaliado em US$ 2,9 bilhões com o estaleiro sul-coreano Samsung Heavy Industries, em movimento que representa o início de uma nova fase da infraestrutura de exportação de GNL americano.
Especificações técnicas e capacidade do FLNG 1

O Delfin FLNG 1 é um navio de liquefação flutuante projetado para operar no Golfo do México, ao largo da costa da Louisiana. A unidade terá capacidade de exportação de 4,4 milhões de toneladas de GNL por ano, equivalente a aproximadamente 6 bilhões de metros cúbicos de gás natural anualmente.
O início de produção e exportações está previsto entre 2029 e 2030, após a conclusão da construção pelo estaleiro Samsung Heavy Industries. A tecnologia FLNG permite liquefazer o gás natural diretamente em alto mar ou em instalação flutuante, eliminando a necessidade de dutos de transporte terrestre extensos e infraestrutura portuária de grande escala em terra.
O Delfin FLNG 1 será o primeiro projeto desse tipo nos Estados Unidos, que até agora operavam exclusivamente terminais de exportação de GNL em terra, como os de Sabine Pass, Freeport, Corpus Christi e Sabine Pass.
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Contexto da expansão do GNL americano em 2026
O projeto integra uma onda de aprovações de novos terminais de GNL nos Estados Unidos em 2026. Três projetos americanos — Phase 2 do CP2 LNG, Commonwealth LNG e o próprio Delfin FLNG 1 — atingiram FID até o início de junho de 2026, adicionando capacidade combinada de 31 bilhões de metros cúbicos por ano ao mercado.
A expansão da exportação americana de GNL ocorre em contexto de demanda elevada por parte da Europa, que busca diversificar fontes de suprimento após a redução do gás russo, e da Ásia, onde Japão, Coreia do Sul e países do Sudeste Asiático mantêm importações crescentes.
A Petronas LNG firmou contrato de fornecimento de até 2 milhões de toneladas por ano de GNL ao Japão por período de 20 anos, com início em 2028, ilustrando a demanda de longo prazo que sustenta os investimentos em nova capacidade de exportação.
O papel da Samsung Heavy Industries e a cadeia sul-coreana

A Samsung Heavy Industries é um dos três principais estaleiros sul-coreanos especializados em construção de navios de GNL e plataformas offshore, ao lado da Hyundai Heavy Industries e da Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering (DSME). A empresa tem historial extenso na construção de navios transportadores de GNL e plataformas de processamento offshore.
O contrato de US$ 2,9 bilhões para a construção do FLNG 1 é um dos maiores contratos individuais de construção naval em 2026. O estaleiro deverá mobilizar equipes de engenharia especializadas em sistemas criogênicos, que operam a temperaturas de até -162°C para manter o gás natural no estado liquefeito.
Impacto no mercado global de GNL
A aprovação do Delfin FLNG 1 reforça a posição dos Estados Unidos como o maior exportador mundial de GNL, posto conquistado em 2023 e mantido desde então. A entrada em operação de novos projetos americanos entre 2028 e 2031 deverá aumentar a pressão competitiva sobre exportadores estabelecidos como Qatar, Austrália e Rússia.
Para o Brasil, que possui reservas significativas de gás natural no pré-sal e infraestrutura de GNL em expansão, a consolidação americana no mercado de GNL representa tanto referência tecnológica quanto parâmetro de preços em contratos de longo prazo. A Petrobras opera o terminal de regaseificação de GNL do Rio de Janeiro e avalia projetos de exportação de GNL associado à produção do pré-sal.
A viabilidade comercial do Delfin FLNG 1 é sustentada por contratos de longo prazo de compra de GNL firmados com distribuidoras e utilities europeias e asiáticas. O modelo FLNG elimina a necessidade de gasodutos terrestres de longas distâncias e terminais de liquefação fixos em terra, tornando a infraestrutura mais flexível e adaptável a diferentes campos de gás natural offshore. A aprovação do projeto sinaliza que a tecnologia FLNG, utilizada comercialmente na Austrália e no Golfo Pérsico, está madura para implantação no contexto regulatório americano.
