Planta ornamental amplamente distribuída no Brasil desperta preocupação entre especialistas por reunir alta toxicidade, forte adaptação urbana e riscos pouco conhecidos pela população que convive diariamente com a espécie
A espirradeira (Nerium oleander), também chamada de oleandro, é uma das plantas ornamentais mais comuns em áreas públicas e jardins particulares em diversos estados do Brasil. Entretanto, por trás das flores chamativas em tons de branco, amarelo, rosa e vermelho, esconde-se uma das espécies mais perigosas do mundo. Conforme artigo divulgado pela Folhapress e pelo portal UOL, todas as partes da planta são altamente tóxicas para humanos e animais, tornando sua presença um risco pouco percebido, mas potencialmente grave.
A planta, que tem origem no Mediterrâneo e no oeste da China, é utilizada há décadas em projetos de paisagismo urbano. Seu apelo visual justifica a popularidade, já que se adapta facilmente a diferentes climas, cresce como arbusto ou pequena árvore e resiste bem às condições urbanas. Entretanto, justamente essa adaptação eficiente contribuiu para sua ampla disseminação pelo território nacional.
Presença confirmada em praticamente todas as regiões brasileiras reforça o alerta de especialistas sobre riscos de intoxicação
Segundo o Flora do Brasil (JBRJ), a espirradeira ocorre em uma grande variedade de estados, abrangendo quase todas as regiões do país. No Norte, aparece no Tocantins; no Nordeste, está presente em Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Já no Centro-Oeste, cresce no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. No Sudeste, é encontrada no Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Por fim, no Sul, ocorre no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
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Essa distribuição extensa reforça a necessidade de conscientização, sobretudo porque muitas pessoas desconhecem completamente o potencial tóxico da planta. A informação foi divulgada pelo UOL e confirmada por dados botânicos oficiais, chamando atenção para o fato de que a espirradeira convive diariamente com milhões de brasileiros sem que o risco seja percebido.
Além disso, as pesquisas mostram que a espécie se adapta com facilidade a áreas urbanas, crescendo tanto de forma isolada quanto em fileiras ou agrupamentos decorativos. Isso significa que escolas, praças, avenidas, condomínios e até residências podem estar abrigando um perigo silencioso.
De folhas a flores: composição química da planta explica por que até a fumaça da queima pode causar intoxicação grave
Pesquisas da USP e dados toxicológicos do CIATox/SC confirmam que a toxicidade da espirradeira está presente em todas as suas partes: seiva, folhas, flores, raízes e até na fumaça liberada durante sua queima. Entre as substâncias mais perigosas estão a oleandrina e a estrofantina, compostos capazes de afetar diretamente o funcionamento do coração.
Os sintomas de envenenamento podem surgir rapidamente e incluem náuseas, vômitos, tontura, sonolência, distúrbios visuais, confusão mental, alterações cardíacas, edema pulmonar e, em casos graves, risco de coma. A combinação desses efeitos faz com que a planta seja considerada extremamente perigosa, mesmo em pequenas quantidades.
Por isso, seu uso na arborização urbana tem sido cada vez mais desaconselhado. Em Araranguá, no Sul de Santa Catarina, a prefeitura publicou um alerta oficial em abril deste ano sobre os riscos da espirradeira. Conforme o comunicado, apesar das flores vistosas, a planta representa perigo especialmente para crianças e animais domésticos.
A prefeitura reforçou que todas as partes da espécie são tóxicas e recomendou aos moradores que evitem o plantio, substituam exemplares já existentes e mantenham crianças e animais de estimação afastados de locais onde a planta esteja presente. O alerta destacou que, embora pareça inofensiva e decorativa, a espirradeira pode provocar intoxicações graves até por contato acidental ou pela ingestão mínima de suas folhas.
Além disso, a administração municipal ressaltou a importância de campanhas de conscientização, já que muitos moradores sequer sabem identificar a planta. Para reduzir o risco de acidentes, o município sugeriu alternativas seguras e igualmente ornamentais, como azaleia, hibisco, aroeira, pitangueira, clusia, gabiroba e jabuticabeira. Essas opções oferecem beleza ao paisagismo urbano sem o risco de intoxicações potencialmente fatais.
Enquanto isso, especialistas continuam reforçando a necessidade de cuidados e da substituição gradual da espirradeira em áreas públicas. Embora sua presença seja comum e muitas vezes despercebida, trata-se de uma planta cujo potencial tóxico foi comprovado por estudos acadêmicos, laudos toxicológicos e alertas oficiais. Por isso, conhecer seus riscos e adotar medidas preventivas é essencial para proteger a saúde de moradores, crianças e animais em todas as regiões do Brasil.
Você já ouviu falar de algum caso de intoxicação ou até morte envolvendo a espirradeira na sua cidade ou região?


Sou escritora e no meu livro “Ausentes” uma pessoa tenta assassinar alguém com um suco contendo chá da planta.
Sobre a espirradeira, tudo que li não é verídico, minha mãe torrava as folhas, esmagava até virar pó e ao cheirar, ela realmente provoca muito espirro. Fiz muito uso dela, ninguém tinha renite, sinusite, nem bronquite, nem problema de amídalas, ufa era muito bom. Quero ver alguém queimar, perto de pessoas, vai ter espirro pra todo lado. Dor de cabeça, ninguém tinha, não se gastava com remédio, pra nada.