Dados do Banco Central mostram alta da dívida bruta e da dívida líquida em maio, enquanto juros nominais somam R$ 107,5 bilhões e déficit primário do setor público supera projeção da Reuters
A dívida bruta do Brasil avançou para 81,1% do PIB em maio, acima dos 80,2% registrados em abril e também acima da projeção de 80,7% apontada em pesquisa da Reuters. Os dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira mostram ainda déficit primário pior que o esperado e forte peso dos juros.
Dívida bruta do Brasil avança em maio
A dívida pública bruta como proporção do PIB fechou maio em 81,1%, segundo o Banco Central. O resultado representa alta de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior.
A dívida líquida do setor público também subiu, passando de 67,2% para 67,9% do PIB. Nesse caso, o número ficou abaixo da expectativa da Reuters, que era de 68,1%.
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Pela métrica do Fundo Monetário Internacional, a dívida bruta chegou a 94,3% do PIB em maio, ante 92,9% em abril. Esse cálculo inclui todos os títulos do Tesouro, diferentemente da metodologia do Banco Central.
Juros somam R$ 107,5 bilhões no mês
Os pagamentos nominais de juros chegaram a R$ 107,547 bilhões em maio. No acumulado em 12 meses, essa conta alcançou 8,48% do PIB.
Esse é o maior nível desde fevereiro de 2016, período em que o Brasil enfrentava uma severa recessão econômica, conforme o material-base.
A taxa de juros elevada aparece como um dos fatores associados ao aumento do endividamento e ao peso maior das despesas financeiras no setor público.
Déficit primário fica pior que a projeção
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,131 bilhões em maio. O resultado ficou acima do saldo negativo de R$ 53,5 bilhões esperado por economistas consultados pela Reuters.
O governo central respondeu pela maior parte do rombo, com déficit de R$ 55,169 bilhões. Estados e municípios tiveram déficit de R$ 1,236 bilhão.
As estatais, por outro lado, registraram superávit de R$ 273 milhões no período, de acordo com os dados do Banco Central.
Endividamento segue acima da média dos emergentes
O endividamento brasileiro permanece acima da média de 77,2% do PIB projetada pelo FMI para economias emergentes e em desenvolvimento em 2026.
Segundo o material-base, essa diferença mantém prêmios de risco elevados, já que investidores exigem compensação para financiar o aumento dos gastos do governo em meio a preocupações com a disciplina fiscal.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Banco Central e da Reuters, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
