O petróleo fechou em alta após Donald Trump ameaçar a Rússia durante discurso na ONU. O republicano pediu que Europa corte compras de energia russa e agitou os mercados.
Os preços do petróleo subiram nesta terça-feira (23) depois que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou a Assembleia Geral da ONU para renovar ataques contra Moscou. O republicano reforçou que Washington está pronto para aplicar tarifas mais duras caso a Rússia não avance em um acordo de paz com a Ucrânia.
Segundo analistas de mercado, a fala provocou imediata pressão sobre as cotações internacionais. O barril de Brent do Mar do Norte, para entrega em novembro, avançou 1,59% e chegou a US$ 67,63. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência americana, subiu 1,81%, cotado a US$ 63,41.
Europa no alvo das pressões
Trump deixou claro que, para surtir efeito, os países europeus precisam reduzir ainda mais a compra de petróleo russo. Ele afirmou que “os Estados Unidos estão prontos para responder com tarifas aduaneiras elevadas”, mas destacou que o plano só terá impacto se a Europa “cessar todas as compras de energia da Rússia”.
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Desde o início da guerra em 2022, a União Europeia reduziu de forma significativa sua dependência de hidrocarbonetos russos. Contudo, países como Hungria e Eslováquia ainda importam aproximadamente 200 mil barris diários de petróleo bruto via oleoduto.
Washington busca atingir diretamente as receitas energéticas russas, consideradas vitais para sustentar o esforço de guerra. A análise de John Kilduff, sócio da Again Capital, reforça a percepção de risco: “Se uma medida concreta for tomada para impedir o fornecimento de petróleo russo ao mercado mundial, as cotações vão aumentar”.
Os investidores também monitoram a escalada da tensão. Para especialistas, a simples possibilidade de novas restrições já aumenta a volatilidade e impulsiona a busca por proteção no setor de energia.
Crescimento global reforça demanda por energia
Além da pressão política, outro fator deu suporte à alta do petróleo. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) revisou para cima a projeção de crescimento mundial em 2025, elevando de 2,9% para 3,2%.
A revisão é interpretada como sinal de maior consumo de energia no médio prazo, fortalecendo ainda mais a recuperação dos preços. A OCDE avalia que a economia global deve resistir melhor do que o previsto às tarifas comerciais americanas, o que sustenta o otimismo do mercado.
