Durante uma intervenção urbana em Colônia, artefatos explosivos deixados pela Segunda Guerra Mundial foram localizados sob uma área movimentada, levando autoridades alemãs a montar uma grande operação de segurança que alterou a rotina de moradores, turistas, pacientes e trabalhadores.
A guerra voltou pelo subsolo.
Em uma manhã comum de obras, máquinas e sondagens encontraram algo que parecia pertencer apenas aos livros de história, mas ainda estava enterrado sob uma das cidades mais conhecidas da Alemanha. Três bombas americanas da Segunda Guerra Mundial apareceram em uma área urbana movimentada e obrigaram Colônia a esvaziar parte da cidade.
O caso mobilizou cerca de 20.500 pessoas, fechou pontes sobre o rio Reno, afetou escolas, hotéis, museus, transporte público e levou autoridades a montar uma das maiores evacuações da cidade desde o fim do conflito, em 1945.
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Segundo a Reuters, a operação aconteceu depois que os artefatos foram localizados em uma área de obras na região de Deutz, às margens do Reno, uma zona estratégica e movimentada da cidade.
Três bombas enterradas mudaram a rotina de uma cidade inteira

As bombas foram encontradas em 2 de junho de 2025 durante trabalhos de sondagem e preparação no Deutzer Werft. Dois dias depois, em 4 de junho, a cidade precisou parar para que especialistas pudessem desativar os explosivos com segurança.
De acordo com a Stadt Köln, administração oficial da cidade, eram três bombas americanas da Segunda Guerra Mundial. Duas tinham 20 Zentner e uma tinha 10 Zentner, medidas alemãs que correspondem aproximadamente a duas bombas de 1.000 kg e uma de 500 kg.
O detalhe mais sensível estava nas espoletas. Todas tinham espoletas de impacto, o que aumentava o risco e exigia um raio amplo de segurança.
Por isso, as autoridades determinaram a evacuação de uma área de 1.000 metros ao redor do ponto onde os artefatos estavam enterrados. Na prática, isso significou transformar ruas, prédios públicos, hotéis e áreas culturais em uma zona temporariamente vazia.
Hospitais, escolas e hotéis entraram na zona de risco
A operação não afetou apenas moradores. Dentro do perímetro estavam um hospital, duas residências de idosos, nove escolas, creches, hotéis, restaurantes, igrejas, museus e edifícios administrativos.
O Eduardus-Krankenhaus, instituições de cuidado a idosos, unidades escolares e áreas culturais precisaram ser evacuados. Entre os locais afetados também estavam o Museu Ludwig, o Wallraf-Richartz-Museum, a Filarmônica de Colônia e o Musical Dome.
Segundo a WDR, emissora pública regional alemã, 58 hotéis e outros tipos de hospedagem ficaram dentro da área evacuada. Isso ampliou o impacto da operação, porque a cidade também precisou lidar com turistas, hóspedes, trabalhadores e pessoas de passagem.
A cena era incomum. Enquanto técnicos se preparavam para mexer em explosivos da guerra, agentes batiam de porta em porta, ruas eram bloqueadas e a cidade reduzia o movimento em uma das áreas mais sensíveis do centro urbano.
Pontes fechadas e transporte interrompido mostraram o tamanho da operação

O impacto chegou ao transporte. Três pontes sobre o Reno foram fechadas: Hohenzollernbrücke, Deutzer Brücke e Severinsbrücke. Trens, ônibus e bondes também sofreram interrupções, principalmente no entorno da estação Köln Messe/Deutz.
Parte do tráfego ferroviário foi desviada ou cancelada. Um trecho do rio Reno também foi bloqueado antes da desativação, ponto importante porque o rio é uma das principais rotas europeias para cargas.
A evacuação ainda provocou efeitos fora das ruas. A RTL, emissora privada que tinha equipes na área afetada, chegou a interromper sua programação matinal porque funcionários precisaram deixar o prédio. Eventos culturais também foram cancelados ou reagendados.
Desativação terminou sem feridos, mas expôs uma herança de 80 anos
A retirada das pessoas começou pela manhã e o início do trabalho técnico atrasou porque uma pessoa resistiu inicialmente a deixar sua residência no centro histórico, conforme relatado por agências internacionais.
Depois que a área foi considerada liberada, especialistas iniciaram a desativação. As três bombas foram neutralizadas no mesmo dia. Não houve registro de feridos.
O episódio, porém, não terminou apenas como uma operação de emergência bem-sucedida. Ele mostrou como a Segunda Guerra ainda aparece no cotidiano alemão, muitas vezes sob canteiros de obras, ruas, prédios e áreas de transporte.
Mesmo oito décadas depois, bombas não detonadas continuam sendo encontradas em cidades que sofreram ataques aéreos intensos. Em Colônia, uma obra revelou que o passado ainda estava enterrado no coração da cidade.
