1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Quase ninguém sabe, mas Brian May, guitarrista do Queen, também é astrofísico e trabalhou com cientistas da ESA para investigar a origem de asteroides como Bennu e Ryugu usando simulações complexas e imagens 3D ligadas a missões espaciais
Faça um comentário 4 min de leitura

Quase ninguém sabe, mas Brian May, guitarrista do Queen, também é astrofísico e trabalhou com cientistas da ESA para investigar a origem de asteroides como Bennu e Ryugu usando simulações complexas e imagens 3D ligadas a missões espaciais

Imagem de perfil do autor Flavia Marinho
Escrito por Flavia Marinho Publicado em 05/07/2026 às 20:39 Atualizado em 05/07/2026 às 20:41
Imagem editorial sobre Brian May, guitarrista do Queen, também é astrofísico e trabalhou com cientistas da ESA para investigar a origem de asteroides como Bennu
Imagem ilustra os principais detalhes da notícia sobre Brian May, guitarrista do Queen, também é astrofísico e trabalhou com cientistas da ESA para investigar a origem de asteroides como Bennu e Ryugu usando simulações c
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Brian May astrofísico entrou em uma pesquisa que tenta explicar por que Bennu e Ryugu têm semelhanças tão marcantes e, ao mesmo tempo, diferenças intrigantes na água presa em seus materiais.

Brian May, guitarrista do Queen e astrofísico, se juntou a pesquisadores de asteroides para investigar como surgiram corpos como Bennu e Ryugu. O trabalho reuniu simulações em supercomputador, imagens estereoscópicas em 3D e dados de missões espaciais para tentar responder a uma das perguntas mais curiosas da ciência planetária: esses asteroides vieram do mesmo tipo de origem?

O estudo chama atenção porque os dois objetos têm formas parecidas, com o chamado perfil de “pião”, mas guardam diferenças importantes na quantidade de água em seus materiais. Enquanto isso, a pesquisa também ajuda a avançar os preparativos da missão Hera, da ESA, voltada à defesa planetária.

Segundo a ESA, a equipe também buscou entender se essas características aparecem logo na formação dos asteroides ou se são resultado de mudanças ao longo do tempo.

Semelhanças entre Bennu e Ryugu levantam uma dúvida antiga

Imagem editorial sobre Simulações em supercomputador tentam voltar no tempo
Imagem ilustra a seção Simulações em supercomputador tentam voltar no tempo na matéria sobre Brian May, guitarrista do Queen, também é astrofísico e trabalhou com cientistas da ESA para investigar a origem de asteroides

Bennu, visitado pela missão OSIRIS-REx da NASA, tem cerca de 525 metros de diâmetro. Ryugu, alcançado pela sonda japonesa Hayabusa2, chega a 1 quilômetro. Apesar da diferença de tamanho, os dois exibem a mesma forma alongada com faixa equatorial saliente e densidades parecidas.

O problema é que a semelhança para por aí. O mapeamento espectral mostrou diferenças claras na hidratação dos materiais. Ryugu aparece menos hidratado do que Bennu, mesmo sendo considerado mais jovem em termos astronômicos, com idade estimada em cerca de 100 milhões de anos.

Para Brian May, a forma e o nível de hidratação funcionam como pistas reais da origem desses corpos. A ideia é usar essas marcas para reconstruir a história de cada um deles.

Simulações em supercomputador tentam voltar no tempo

A pesquisa foi liderada por Patrick Michel, diretor de pesquisa do CNRS e cientista principal da missão Hera, da ESA. A equipe rodou simulações numéricas de asteroides de 100 quilômetros sendo destruídos em colisões, liberando fragmentos que depois voltariam a se aglomerar.

Essas rodadas foram feitas no supercomputador Bluecrab, operado pelo Maryland Advanced Research Computing Center, em trabalho ligado à Johns Hopkins University e à University of Maryland. O processo levou meses e exigiu programação detalhada para simular contato entre partículas, com rolagem, deslizamento e atrito de cisalhamento.

O resultado mostrou que a reacomodação dos fragmentos pode gerar formas variadas, mas tende a produzir um corpo em formato de pião. Depois, esse objeto ainda pode ser acelerado pelo efeito YORP, causado pelo aquecimento desigual da luz solar, e ganhar a saliência equatorial em menos de um milhão de anos.

Imagens 3D revelaram diferenças de aquecimento entre os fragmentos

Brian May também trabalhou com Claudia Manzoni, da London Stereoscopic Company, para criar imagens estereoscópicas em 3D do momento logo após os impactos simulados. As visualizações mostraram que os fragmentos podem sair de uma mesma colisão com níveis muito diferentes de aquecimento.

Isso importa porque o aquecimento interfere diretamente na hidratação dos materiais. Em um mesmo evento, seria possível formar um corpo com pouca alteração térmica, como Bennu, e outro com materiais mais aquecidos, como Ryugu.

Na leitura dos pesquisadores, os dois asteroides podem até fazer parte da mesma família, vindos do mesmo corpo ancestral. Como ambos parecem ter origem na mesma região do cinturão de asteroides, essa hipótese ficou mais forte, embora a confirmação dependa da análise das amostras que devem ser trazidas pelas missões Hayabusa2 e OSIRIS-REx.

O estudo também conversa com a missão Hera

Patrick Michel destacou que a pesquisa também ajuda a missão Hera, da ESA, que vai estudar o sistema binário Didymos depois da alteração de trajetória causada pelo impacto da sonda DART, da NASA. O próprio comportamento de asteroides em forma de pião, como Bennu e Ryugu, também aparece em Didymos.

Esse tipo de investigação é importante porque mistura origem, estrutura interna e defesa planetária. Ao entender como esses corpos se formam e se transformam, os cientistas ganham mais pistas sobre o Sistema Solar e sobre como responder a ameaças futuras.

No fim, a participação de Brian May mostra como ciência e exploração espacial podem andar lado a lado de uma forma pouco comum. E, neste caso, a guitarra ficou em segundo plano diante de uma pergunta que ainda movimenta pesquisadores no mundo todo: de onde vieram Bennu e Ryugu?

Se você curte essas histórias em que ciência e espaço se cruzam de um jeito inesperado, compartilhe e conte o que mais chamou sua atenção.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Fonte
Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x