Petrobras estuda disputar o primeiro leilão de baterias do Brasil e afirma que o armazenamento será crucial para viabilizar novos investimentos em renováveis e evitar cortes na geração.
A transição energética no Brasil ganhou novo impulso com o avanço dos projetos de armazenamento, e a Petrobras já se prepara para um movimento inédito: a possível participação no primeiro leilão nacional de baterias.
O interesse da estatal reflete uma estratégia que busca responder aos crescentes desafios do setor, especialmente diante do aumento da geração renovável e dos riscos de cortes compulsórios.
Assim, o armazenamento desponta como peça essencial para garantir estabilidade ao sistema e destravar investimentos que vinham sendo reavaliados.
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Petrobras vê no leilão oportunidade de entrar no mercado de baterias
Marcado para abril de 2026, o leilão prevê a contratação de projetos com entrega apenas em 2028, o que abre espaço para planejamento e estruturação. A iniciativa pode representar a porta de entrada definitiva da Petrobras no segmento de armazenamento.
O gerente de Gestão Integrada da Transição Energética da estatal, Carlos Alberto Marçal, destacou que a companhia já acompanhava oportunidades desse mercado e que o LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade) tende a acelerar o processo. “É uma oportunidade, a gente já vinha pensando em entrar nesse segmento de armazenamento e aí veio o leilão de reserva de capacidade”, afirmou. Segundo ele, caso o projeto seja aprovado, “logo na sequência a gente já trabalha para poder ter, de fato, o parque de baterias”.
Apesar do entusiasmo, Marçal reforçou que ainda não há definições concretas sobre porte, localização ou custos envolvidos. Conforme ressaltou, “vai depender muito do que vem no leilão, do que o governo vai demandar no leilão”.
Plano Estratégico 2026-2030 já inclui possível investimento da Petrobras
Embora ainda na categoria de projetos “em avaliação”, o investimento em baterias já consta no Plano Estratégico 2026-2030 da estatal. Para Marçal, “é um investimento que faz sentido para a Petrobras”, considerando o cenário atual de expansão das fontes renováveis e os desafios de estabilidade do sistema elétrico.
Ao mesmo tempo, a companhia prepara um projeto-piloto para testar tecnologias de armazenamento, com previsão de início de operação em 2028. No entanto, esse piloto não será usado no leilão, que exigirá baterias já consolidadas e disponíveis no mercado.
Armazenamento se torna essencial diante de cortes na geração renovável
A Petrobras avalia que o armazenamento é indispensável para enfrentar um problema que já afeta diretamente as renováveis: o curtailment, que ocorre quando há excesso de oferta e usinas solares e eólicas precisam desligar parte da produção.
Esse desafio foi determinante para que a estatal revisasse sua meta de expansão em energia eólica e solar. Antes planejada para 4 GW, a projeção caiu para 1,7 GW no plano divulgado recentemente. A avaliação interna indica que, sem baterias incorporadas ao sistema, novos projetos renováveis correm risco de não alcançar viabilidade econômica.
Por isso, o leilão é visto como ferramenta fundamental para destravar futuras iniciativas e garantir uma expansão sustentável das energias limpas no país.
Além do setor de armazenamento, a Petrobras planeja disputar o leilão de reserva de capacidade voltado para usinas termelétricas, previsto para março de 2026. A estatal deve apresentar 3,4 GW no certame, sendo a maior parte referente a usinas já existentes e com contratos próximos do fim.
A única novidade entre os projetos é a térmica do Complexo de Energias Boaventura, antigo Comperj, localizado em Itaboraí (RJ). A proposta reforça a estratégia da Petrobras de diversificar as frentes de atuação e buscar equilíbrio entre fontes renováveis, armazenamento e geração térmica.

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