O sonho do carro elétrico virou dor de cabeça no mercado de carros usados. O JAC E-JS4 perdeu R$ 95 mil, ou 37,5%, em apenas um ano, liderando uma desvalorização recorde dos elétricos seminovos, pressionada pelo custo da bateria, pela enxurrada de lançamentos e pelo imposto que sobe em julho.
Quem comprou um carro elétrico achando que fazia o negócio do futuro tomou um susto na hora de revender. Em 2026, os modelos elétricos lideram a desvalorização no mercado de carros usados do Brasil, e o caso mais simbólico é o do JAC E-JS4, que perdeu R$ 95 mil em apenas doze meses, segundo reportagem do Terra Brasil, assinada por Guilherme Silva.
A reviravolta é amarga para o bolso. O que era vendido como economia de combustível e manutenção virou uma armadilha de revenda, com o carro elétrico despencando de preço numa velocidade que o motor a combustão não conhece. E os motivos vão da bateria cara à chegada de modelos novos e mais baratos a cada mês.
O JAC E-JS4 que perdeu R$ 95 mil em 12 meses

O JAC E-JS4, que custava R$ 254.900, perdeu 37,5% do valor em um ano, o equivalente a R$ 95 mil evaporando da garagem do dono, conforme o Terra Brasil. É a maior queda percentual entre os elétricos no mercado de carros usados.
-
BYD Dolphin Mini: o carro elétrico que foge da desvalorização, perdeu só 3,58% em um ano e virou o mais vendido do varejo, com preço abaixo de R$ 110 mil
-
Civic e Corolla usados estão encalhados há meses em estoque. “As pessoas estão preferindo carros chineses”, afirma dono de loja de carros
-
Toyota Sienna vira “sala VIP sobre rodas” no Brasil após ganhar kit de luxo chinês, bancos com massagem, Starlink, geladeira e motor híbrido de 245 cv, mirando famílias de alta renda, artistas e transporte executivo em uma van quase milionária
-
Duas novas 300cc da QJ Motor devem chegar ao Brasil como SBM para mirar a CB 300F e bagunçar a baixa cilindrada, com mais potência e refrigeração líquida que a Honda
A desvalorização, porém, não atinge todos da mesma forma. Enquanto o JAC E-JS4 despencou, o BYD Dolphin Mini recuou apenas 3,58% no mesmo período, segundo o Terra Brasil. A diferença mostra que a marca e a solidez da rede de assistência pesam muito na hora de segurar o preço de um carro elétrico.
Esse contraste é a primeira pista do problema. Modelos de marcas com presença frágil no Brasil sofrem mais, porque o comprador de carros usados desconfia da manutenção e da reposição de peças. Já um carro elétrico de marca consolidada mantém melhor o valor, mesmo na onda geral de desvalorização.
Não é só ele: a queda recorde dos elétricos usados
O caso do JAC não é exceção, é a ponta de um movimento maior. O mercado nacional de carro elétrico enfrenta uma desvalorização recorde de 11,95% nos modelos usados em 2026, um ritmo bem mais acentuado que o dos carros a combustão, segundo o Terra Brasil. O seminovo elétrico, antes raro, virou sinônimo de prejuízo rápido.
Outros modelos famosos entraram na lista vermelha. O Renault Kwid E-Tech e o próprio JAC E-JS4 registraram perdas próximas de 38% em doze meses, enquanto o Renault Mégane E-Tech caiu cerca de 26%, conforme outra reportagem do Terra Brasil. São quedas que transformam a conta de quem apostou no elétrico.
Para o dono, o efeito é imediato no patrimônio. Um carro elétrico que custou caro e que vale muito menos em um ano corrói boa parte do que a pessoa investiu, justamente o oposto do que se esperava de um produto vendido como inteligente. E essa desvalorização acelerada já é uma marca dos carros usados elétricos no país.
A bateria de R$ 80 mil que assombra o comprador
No coração do medo está a bateria. O alto custo de reposição é apontado como um dos principais motores da desvalorização, já que trocar a bateria de um carro elétrico pode custar até R$ 80 mil, segundo o Terra Brasil. Para muitos modelos, isso equivale a uma fatia enorme do preço do próprio veículo.
Esse fantasma muda o comportamento do comprador. Quem procura um carro elétrico usado fica com um pé atrás, sem saber quanto tempo aquela bateria ainda vai durar nem quanto vai gastar se ela falhar. A insegurança derruba a procura e, com menos gente querendo comprar, o preço cai ainda mais.
Some-se a isso a infraestrutura ainda capenga. A rede de assistência técnica limitada e a falta de pontos de recarga reduzem a liquidez do carro elétrico no mercado de carros usados, conforme o Terra Brasil. Ou seja, além do risco da bateria, o dono enfrenta dificuldade para achar quem queira o carro.
Lançamentos mais baratos e o imposto que sobe em julho
A tecnologia avança rápido demais para o bolso de quem já comprou. Os novos lançamentos de carro elétrico chegam com autonomia acima de 400 km, contra os cerca de 250 km dos modelos mais antigos, e muitas vezes por um preço menor, segundo o Terra Brasil. Cada modelo novo e melhor empurra o anterior para baixo na tabela.
A entrada das marcas chinesas turbinou esse ciclo. Com uma enxurrada de modelos competitivos, a oferta cresceu e os preços despencaram, acelerando a desvalorização dos carros usados elétricos que já estavam rodando. O comprador de hoje tem opções melhores e mais baratas do que tinha há um ano.
E há ainda a mexida no imposto. A partir de julho de 2026, o imposto de importação sobe para 35% sobre os elétricos puros, que passam de 25% para 35%, e sobre os híbridos plug-in, que vão de 28% para 35%, segundo o Terra Brasil. A mudança embaralha ainda mais os preços e adiciona incerteza a um mercado de carro elétrico já instável.
Quem comprou para economizar agora segura o carro
No fim, a maior vítima é quem entrou de boa-fé. Muita gente comprou um carro elétrico justamente para economizar e acabou com um bem que derrete de valor, o que faz o dono segurar o carro com medo de cravar o prejuízo na revenda. A desvalorização transformou a economia esperada em armadilha.
Isso não significa que o elétrico seja um mau negócio para todo mundo. Para quem roda muito e pretende ficar anos com o veículo, a economia no dia a dia pode compensar a perda na revenda. O problema é para quem troca de carro com frequência, porque aí a desvalorização dos carros usados elétricos pesa demais.
O recado que fica é o da informação antes da compra. Saber que um carro elétrico pode perder quase 40% em um ano, que a bateria custa caro e que o imposto vai mexer nos preços ajuda o consumidor a decidir com os olhos abertos. O JAC E-JS4 virou o símbolo do que ninguém avisou na hora da venda.
A história do JAC E-JS4 resume o tombo do carro elétrico no mercado de carros usados brasileiro: R$ 95 mil a menos em um ano, numa desvalorização recorde puxada pela bateria cara, pelos lançamentos baratos e pelo imposto que sobe em julho. O que parecia o carro do futuro virou, para muitos donos, uma lição cara sobre revenda.
E você, compraria um carro elétrico hoje sabendo dessa desvalorização, ou esperaria os preços e a tecnologia se estabilizarem? Conta nos comentários o que você faria.

Seja o primeiro a reagir!