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A prefeitura européia que transformou antiga avenida urbana em canal novamente, recuperou trecho aterrado na década de 1970 e entregou um novo espaço público com água, vegetação e caminhos para pedestres

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 21/06/2026 às 19:54
Atualizado em 21/06/2026 às 20:08
Utrecht retirou uma avenida construída sobre o Catharijnesingel e reabriu o canal histórico em 2020, com áreas verdes e caminhos.
Utrecht retirou uma avenida construída sobre o Catharijnesingel e reabriu o canal histórico em 2020, com áreas verdes e caminhos.
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Parte do canal Catharijnesingel havia sido drenada e aterrada para receber uma via urbana de várias faixas, mas a decisão foi revertida após décadas de discussão, um referendo realizado em 2002 e obras em etapas que devolveram o anel navegável, áreas verdes e espaços públicos ao centro de Utrecht.

A cidade de Utrecht, nos Países Baixos, concluiu em setembro de 2020 uma das transformações urbanas mais simbólicas da Europa: retirou uma via destinada aos automóveis e devolveu a água a um trecho do histórico canal Catharijnesingel. A intervenção restabeleceu o anel navegável em torno do centro antigo e criou novas áreas verdes e espaços para pedestres.

Canal foi aterrado para abrir espaço aos carros

O Catharijnesingel fazia parte do sistema de canais e fossos que cercava o núcleo histórico de Utrecht. Durante a expansão do tráfego automobilístico no século XX, parte dessa estrutura foi drenada e aterrada. No lugar surgiu a Catharijnebaan, uma via urbana rebaixada e com várias faixas, construída para facilitar o acesso de veículos à região comercial e à estação central.

A mudança, executada principalmente durante a década de 1970, acabou interrompendo parte do antigo circuito aquático. Embora seja frequentemente chamada de “rodovia”, a Catharijnebaan funcionava mais precisamente como uma via expressa urbana localizada no centro da cidade.

Projeto levou décadas para ser concluído

Os primeiros planos para recuperar o canal começaram a ganhar forma na década de 1990. Em 2002, moradores aprovaram em referendo um plano de reorganização do centro que previa a substituição das pistas por água. A reconstrução ocorreu em etapas e foi integrada à renovação da área próxima à estação ferroviária.

Os primeiros trechos restaurados foram entregues em 2015. A etapa final, entre Mariaplaats e a ponte Bartholomeus, foi aberta em 12 de setembro de 2020. Com isso, embarcações voltaram a percorrer todo o trajeto ao redor do centro histórico.

Água, árvores e espaço público substituíram o asfalto

O novo desenho não se limitou a reabrir o canal. O projeto incorporou margens inclinadas, árvores, vegetação, caminhos e áreas de convivência. Também recuperou a continuidade do Zocherpark, parque criado no século XIX sobre antigas estruturas defensivas da cidade.

A Prefeitura de Utrecht apresenta a obra como parte de sua política de vida urbana saudável. Documento municipal informa que faixas viárias deram lugar à água e à vegetação, completando novamente o canal. O escritório OKRA, responsável pelo projeto paisagístico, afirma que a intervenção tornou a área mais favorável a pedestres e ajudou a conectar o centro histórico aos bairros renovados.

A experiência de Utrecht passou a ser citada como exemplo de cidade que reviu uma decisão centrada no automóvel e recuperou um elemento histórico para uso coletivo.

Fontes: Prefeitura de Utrecht e The Guardian.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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