Parte do canal Catharijnesingel havia sido drenada e aterrada para receber uma via urbana de várias faixas, mas a decisão foi revertida após décadas de discussão, um referendo realizado em 2002 e obras em etapas que devolveram o anel navegável, áreas verdes e espaços públicos ao centro de Utrecht.
A cidade de Utrecht, nos Países Baixos, concluiu em setembro de 2020 uma das transformações urbanas mais simbólicas da Europa: retirou uma via destinada aos automóveis e devolveu a água a um trecho do histórico canal Catharijnesingel. A intervenção restabeleceu o anel navegável em torno do centro antigo e criou novas áreas verdes e espaços para pedestres.
Canal foi aterrado para abrir espaço aos carros
O Catharijnesingel fazia parte do sistema de canais e fossos que cercava o núcleo histórico de Utrecht. Durante a expansão do tráfego automobilístico no século XX, parte dessa estrutura foi drenada e aterrada. No lugar surgiu a Catharijnebaan, uma via urbana rebaixada e com várias faixas, construída para facilitar o acesso de veículos à região comercial e à estação central.
A mudança, executada principalmente durante a década de 1970, acabou interrompendo parte do antigo circuito aquático. Embora seja frequentemente chamada de “rodovia”, a Catharijnebaan funcionava mais precisamente como uma via expressa urbana localizada no centro da cidade.
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Projeto levou décadas para ser concluído
Os primeiros planos para recuperar o canal começaram a ganhar forma na década de 1990. Em 2002, moradores aprovaram em referendo um plano de reorganização do centro que previa a substituição das pistas por água. A reconstrução ocorreu em etapas e foi integrada à renovação da área próxima à estação ferroviária.
Os primeiros trechos restaurados foram entregues em 2015. A etapa final, entre Mariaplaats e a ponte Bartholomeus, foi aberta em 12 de setembro de 2020. Com isso, embarcações voltaram a percorrer todo o trajeto ao redor do centro histórico.
Água, árvores e espaço público substituíram o asfalto
O novo desenho não se limitou a reabrir o canal. O projeto incorporou margens inclinadas, árvores, vegetação, caminhos e áreas de convivência. Também recuperou a continuidade do Zocherpark, parque criado no século XIX sobre antigas estruturas defensivas da cidade.
A Prefeitura de Utrecht apresenta a obra como parte de sua política de vida urbana saudável. Documento municipal informa que faixas viárias deram lugar à água e à vegetação, completando novamente o canal. O escritório OKRA, responsável pelo projeto paisagístico, afirma que a intervenção tornou a área mais favorável a pedestres e ajudou a conectar o centro histórico aos bairros renovados.
A experiência de Utrecht passou a ser citada como exemplo de cidade que reviu uma decisão centrada no automóvel e recuperou um elemento histórico para uso coletivo.
Fontes: Prefeitura de Utrecht e The Guardian.

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