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Cientistas alertam para futuro crítico e apresentam quatro opções drásticas para salvar Veneza da subida do nível do mar e do desaparecimento total

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 17/04/2026 às 01:03 Atualizado em 17/04/2026 às 01:06
Pesquisadores detalham planos de engenharia e a possibilidade de abandono da cidade histórica diante da aceleração da subida do nível do mar.
Pesquisadores detalham planos de engenharia e a possibilidade de abandono da cidade histórica diante da aceleração da subida do nível do mar.
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Pesquisadores detalham planos de engenharia e a possibilidade de abandono da cidade histórica diante da aceleração da subida do nível do mar.

A icônica cidade de Veneza, um Patrimônio Mundial da UNESCO, enfrenta uma ameaça existencial devido à subida do nível do mar.

Um novo estudo conduzido por uma equipe internacional de oceanógrafos, liderada por Piero Lionello, da Universidade de Salento, examinou quatro estratégias radicais para evitar que a “cidade flutuante” desapareça sob as águas nos próximos três séculos. As soluções propostas variam de intervenções de engenharia massivas à rendição total, refletindo a gravidade da crise climática na região.

Atualmente, Veneza depende do sistema MOSE, um conjunto de barreiras móveis que custou cerca de 6 bilhões de euros e entrou em operação em 2022. No entanto, os pesquisadores alertam que essa tecnologia pode se tornar insuficiente diante das projeções mais pessimistas de aquecimento global. Para garantir a sobrevivência da estrutura urbana, os cientistas apresentaram alternativas que exigem planejamento imediato, dado que grandes projetos de infraestrutura podem levar até 50 anos para serem concluídos.

Estratégias de isolamento: diques em anel e lagoa fechada

Uma das opções discutidas no estudo é a construção de diques em anel em torno das áreas mais críticas de Veneza. Essa solução envolveria a criação de barreiras circulares com cerca de 3 metros de altura, isolando as ilhas principais das flutuações das águas da lagoa.

Embora eficaz para proteger monumentos contra uma subida do nível do mar de até 6 metros, a medida alteraria drasticamente a conexão estética e cultural da cidade com o seu entorno aquático, impactando o turismo e o ecossistema.

Outra alternativa ainda mais robusta é o fechamento permanente da Lagoa Veneziana através da vedação total de suas entradas e do aumento da altura das ilhas de barreira. Com muros de cerca de 5 metros, essa estratégia poderia proteger a cidade contra uma subida do nível do mar de até 10 metros. O custo ambiental, entretanto, seria o sacrifício total do ecossistema lagunar, exigindo sistemas de bombeamento e tratamento de esgoto em larga escala para evitar a estagnação da água e garantir a habitabilidade.

Manutenção do sistema atual e o custo da adaptação

A continuidade da estratégia de “lagoa aberta”, que utiliza as barreiras móveis existentes, é a terceira opção analisada.

Neste cenário, as comportas seriam acionadas sempre que o risco de inundação atingisse um determinado nível, preservando a troca de água entre a lagoa e o Mar Adriático na maior parte do tempo. Contudo, com a subida do nível do mar, o fechamento das barreiras teria de ser cada vez mais frequente, o que poderia transformar a lagoa em um ambiente fechado por meses, gerando problemas críticos de oxigenação e poluição.

Especialistas estimam que as opções de engenharia, como os diques ou o fechamento permanente, poderiam custar entre 0,5 e 4,5 bilhões de euros, além dos gastos operacionais contínuos. A eficácia dessas medidas depende diretamente do controle das emissões globais de gases de efeito estufa.

Se a subida do nível do mar ultrapassar os limites previstos, mesmo as defesas mais sofisticadas poderão apenas retardar o inevitável, forçando a cidade a enfrentar escolhas cada vez mais difíceis.

A opção do recuo: o fim da Veneza histórica

A quarta e mais drástica opção apresentada pelos cientistas é o recuo total, que envolve a realocação dos moradores e o desmantelamento ou transporte de monumentos importantes para locais seguros. Abandonar a localização histórica de Veneza seria um processo doloroso e complexo, mas é considerado uma possibilidade real caso os esforços internacionais de mitigação climática falhem.

Essa alternativa reconhece que, em última instância, a natureza pode tornar a manutenção da cidade em seu local original tecnicamente impossível.

O estudo enfatiza que a subida do nível do mar é um processo com grande inércia, o que significa que as águas continuarão a subir mesmo se as emissões forem reduzidas hoje. Portanto, a discussão sobre essas estratégias não é apenas teórica, mas uma necessidade urgente para gestores públicos e a comunidade global.

Salvar Veneza exigirá não apenas bilhões de euros e engenharia de ponta, mas uma aceitação de transformações radicais na identidade da cidade que o mundo conhece.

Clique aqui para acessar o estudo.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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