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Para tentar salvar uma praia turística famosa de ser engolida pelo oceano, a Índia vai arrancar 250 mil m³ de sedimentos do fundo do mar todos os anos e bombear areia por dutos para reconstruir a costa de Visakhapatnam

Escrito por Ana Alice
Publicado em 06/05/2026 às 23:38
Atualizado em 06/05/2026 às 23:42
Assista o vídeoPorto indiano usa dragagem anual de 250 mil m³ para levar areia por dutos e reforçar praia turística atingida pela erosão em Visakhapatnam. (Imagem: Ilustrativa)
Porto indiano usa dragagem anual de 250 mil m³ para levar areia por dutos e reforçar praia turística atingida pela erosão em Visakhapatnam. (Imagem: Ilustrativa)
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Projeto no porto de Visakhapatnam usa sedimentos retirados do fundo do mar para recompor trecho turístico atingido pela erosão e manter canais de navegação em operação na costa leste da Índia.

O porto de Visakhapatnam, na costa leste da Índia, iniciou uma operação anual de dragagem para retirar cerca de 250 mil metros cúbicos de sedimentos do fundo do mar e usar parte desse material na recomposição de praias atingidas pela erosão.

A areia removida do New Sand Trap, uma área de retenção de sedimentos do porto externo, será bombeada por tubulações para trechos do litoral, incluindo a Rama Krishna Beach, conhecida localmente como R.K. Beach.

A ação é conduzida pela Visakhapatnam Port Authority, responsável pela administração do porto, dentro de um contrato de três anos avaliado em 82,98 crore de rúpias, o equivalente a 829,8 milhões de rúpias indianas.

De acordo com as informações divulgadas sobre o projeto, cada etapa anual deve ser concluída em até 45 dias de trabalho, desde que as condições do tempo e do mar permitam a operação.

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Areia retirada do porto será devolvida à praia

A Rama Krishna Beach fica em uma área urbana de Visakhapatnam e aparece no projeto como um dos pontos de recomposição costeira.

A proposta é usar sedimentos acumulados na estrutura portuária para reforçar a faixa de areia em áreas afetadas pela erosão, em vez de transportar material de uma fonte distante.

Na prática, a operação se baseia em um procedimento conhecido como alimentação artificial de praia, também chamado de engordamento de praia.

Nesse tipo de intervenção, areia ou sedimentos compatíveis são colocados em trechos do litoral onde houve perda de material.

O objetivo informado pelo porto é reduzir os efeitos da erosão na faixa costeira e, ao mesmo tempo, manter áreas portuárias em condições adequadas de navegação.

O projeto não trata a dragagem como uma ação isolada.

A previsão de trabalhos anuais durante três anos indica que a reposição de areia será feita de forma periódica, acompanhando o acúmulo de sedimentos no porto e a necessidade de recomposição nas áreas costeiras próximas.

Dragagem no porto também atende à navegação

Além da recomposição da praia, a retirada de sedimentos tem uma função operacional para o porto.

A dragagem de manutenção evita que o acúmulo de areia e silte reduza a profundidade de canais, bacias de manobra e áreas usadas por embarcações.

O trabalho será realizado no New Sand Trap e em outros pontos estratégicos da área portuária, entre eles OHTB, OB-1, OB-2, MPB, IC e IHTB.

Essas siglas aparecem na descrição técnica do projeto e se referem a setores internos ligados à operação do porto.

Quando sedimentos se depositam no fundo dessas áreas, navios podem enfrentar limitações de calado e dificuldades de manobra.

A dragagem remove esse material e ajuda a manter a profundidade necessária para a circulação das embarcações.

No caso de Visakhapatnam, o sedimento retirado não será apenas descartado, mas direcionado para a alimentação de praias próximas.

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Dredge XXI iniciou a primeira fase do projeto

A primeira fase do programa, referente ao ano fiscal de 2025-26, começou em 10 de março de 2026.

A operação utiliza a embarcação Dredge XXI, da Dredging Corporation of India, empresa envolvida na execução do serviço.

O contrato prevê continuidade nos anos fiscais de 2026-27 e 2027-28.

Em cada ciclo, a meta é remover aproximadamente 2,5 lakh de metros cúbicos de sedimentos.

Na Índia, a expressão “lakh” corresponde a 100 mil unidades; portanto, 2,5 lakh equivalem a 250 mil metros cúbicos.

O material retirado será enviado para a costa por meio de dutos.

Esse método permite que a areia dragada seja bombeada diretamente para os trechos definidos no projeto, reduzindo a necessidade de transporte terrestre dentro da área urbana.

A eficiência da recomposição, porém, depende de fatores físicos do litoral, como ondas, correntes, marés e características do sedimento utilizado.

Erosão costeira e perda de sedimentos

A erosão costeira ocorre quando a praia perde mais sedimentos do que recebe ao longo do tempo.

Esse processo pode estar ligado à ação natural de ondas, correntes e marés, mas também pode ser influenciado por obras, ocupação urbana e mudanças no transporte de areia ao longo da costa.

Em regiões portuárias, estruturas construídas no mar podem alterar a circulação de sedimentos.

Parte da areia transportada pelas correntes pode ficar acumulada em determinados pontos, enquanto outras áreas passam a apresentar déficit de material.

A dragagem associada à alimentação de praia busca transferir sedimentos de uma zona de acúmulo para uma área onde há perda de areia.

No caso de Visakhapatnam, as informações divulgadas indicam que o New Sand Trap funciona como um ponto de retenção de material no porto externo.

Ao retirar sedimentos desse local e bombeá-los para a praia, a autoridade portuária pretende atender simultaneamente a duas demandas: manter a operação portuária e recompor trechos da costa afetados pela erosão.

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Autoridade portuária cita preservação costeira

O presidente da Visakhapatnam Port Authority e da Dredging Corporation of India, Madhaiyaan Angamuthu, afirmou que a autoridade portuária está comprometida em controlar a erosão por meio da reposição regular de areia na Rama Krishna Beach.

Segundo ele, o material usado no processo virá do sand trap do porto externo.

Angamuthu também declarou que a intervenção antecipada é importante para preservar a praia e que o trabalho ocorre em coordenação com o governo estadual.

A fala foi apresentada pela autoridade portuária como parte da justificativa para a continuidade do programa nos próximos anos fiscais.

A descrição oficial do projeto não apresenta a dragagem como solução definitiva para a erosão.

O que está previsto é uma rotina de manutenção, com remoção anual de sedimentos e bombeamento do material para áreas costeiras.

Por esse modelo, a praia passa a depender de reposições planejadas para compensar parte da areia perdida pelo movimento natural do mar e pelas alterações na dinâmica costeira.

Engenharia costeira em área urbana

A operação em Visakhapatnam mostra como portos e praias vizinhas podem fazer parte do mesmo sistema sedimentar.

O sedimento que se acumula em uma área operacional, onde pode prejudicar a navegação, é aproveitado em outro ponto da costa, onde a perda de areia compromete a faixa de praia.

Esse tipo de intervenção exige acompanhamento técnico porque o litoral permanece em movimento mesmo depois da reposição de areia.

Ondas e correntes continuam redistribuindo o material colocado na praia, o que explica a previsão de novas etapas ao longo dos anos fiscais seguintes.

A escolha pelo bombeamento por dutos também evidencia a dimensão operacional do projeto.

A areia não será apenas retirada do fundo do mar; ela será transportada de forma direcionada para cumprir uma função específica na recomposição costeira.

Para áreas urbanas próximas ao mar, o caso indiano ilustra a relação entre infraestrutura portuária, turismo, erosão e manejo de sedimentos.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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