O túnel ferroviário de Werrington foi construído ao lado da linha e deslocado com macacos hidráulicos para criar uma rota exclusiva para trens de carga, reduzir conflitos com os serviços rápidos de passageiros e evitar um fechamento prolongado da ferrovia britânica.
Em vez de escavar um túnel ferroviário aos poucos sob uma passagem movimentada, engenheiros prepararam uma estrutura curva de 155 metros ao lado dos trilhos e depois empurraram suas aproximadamente 11 mil toneladas de concreto para dentro do terreno.
A movimentação ocorreu em Werrington, ao norte de Peterborough, no Reino Unido. Quatro macacos hidráulicos deslocaram a estrutura a cerca de 1,5 metro por hora, enquanto equipes retiravam cuidadosamente o solo diante dela.
A instalação começou em 16 de janeiro de 2021 e ocupou nove dias. As informações foram divulgadas por Network Rail, empresa que administra a infraestrutura ferroviária britânica. O túnel entrou oficialmente em operação em 9 de dezembro de 2021.
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O túnel ferroviário foi construído antes da abertura da passagem subterrânea
A estrutura principal não foi montada aos poucos dentro de uma escavação. O teto e as paredes de concreto foram construídos previamente em uma área ao lado da ferrovia, próximos da posição final.

Depois que o concreto ficou preparado para a movimentação, começou a retirada controlada da terra. A escavação abria espaço na parte dianteira, enquanto os macacos empurravam o túnel ferroviário curvo para ocupar o trecho liberado.
O método reduziu a necessidade de manter uma grande abertura sob a ferrovia durante meses. Boa parte do trabalho com a estrutura ocorreu fora da área ocupada pelos trilhos principais, diminuindo a duração da etapa mais delicada.
Quatro macacos hidráulicos enfrentaram aproximadamente 11 mil toneladas
Os quatro macacos hidráulicos forneceram a força necessária para mover a estrutura. Esses equipamentos usam líquido sob pressão para produzir um deslocamento lento, potente e controlado.

Mesmo com essa força, o túnel ferroviário avançava somente 1,5 metro por hora. A baixa velocidade permitia retirar a terra, observar a posição do concreto e manter o movimento dentro do caminho preparado.
A operação principal durou nove dias. Nesse período, as equipes repetiram o processo de escavar a parte dianteira e empurrar a estrutura até que seus 155 metros ocupassem a posição planejada sob a ferrovia.
Pequenos túneis orientaram a direção e a altura da estrutura curva
Antes do grande deslocamento, dois túneis menores foram abertos sob a linha ferroviária. Eles receberam caminhos de apoio e placas usadas para orientar os cantos inferiores da estrutura principal.

Esses caminhos funcionavam como trilhos de orientação. Eles ajudavam a manter a direção lateral da curva e o nível correto enquanto milhares de toneladas avançavam pelo terreno.
O controle era essencial porque a estrutura não seguia uma linha reta. O túnel precisava completar o percurso curvo sem sair da rota reservada aos novos trilhos de carga.
A estrutura foi empurrada sem o piso definitivo para reduzir peso e resistência
A parte deslocada era um pórtico, nome dado ao conjunto formado pelo teto e pelas duas paredes laterais. O piso definitivo não acompanhou o empurramento e recebeu concreto depois que a estrutura chegou ao destino.
Essa escolha reduziu o peso que os macacos precisavam deslocar. Também evitou que uma base inteira de concreto arrastasse diretamente sobre o terreno, o que aumentaria a resistência ao movimento.

Após a instalação do pórtico, o interior recebeu o piso e os componentes necessários para formar a passagem ferroviária. Os novos trilhos foram colocados dentro do túnel para atender os trens de carga.
A ferrovia sofreu restrições durante os nove dias de operação
A instalação não ocorreu com todos os trens circulando normalmente a cada momento. Três vias foram retiradas temporariamente na área da obra, cabos superiores foram levantados e o terreno ficou acessível para a escavação.
Uma operação reduzida foi mantida durante o período crítico. Depois que o túnel ferroviário chegou à posição correta, as equipes cobriram a estrutura, recolocaram os trilhos e prepararam a linha para a retomada dos serviços regulares.

Network Rail, empresa que administra a infraestrutura ferroviária britânica, registrou que o método evitou um bloqueio muito mais prolongado. O planejamento concentrou a fase de maior impacto em nove dias.
Trens de carga deixaram de cruzar a rota rápida dos passageiros
Antes da construção, trens lentos de carga precisavam atravessar as vias usadas pelos serviços rápidos de passageiros. Esse cruzamento criava um ponto de conflito e limitava o aproveitamento da ferrovia.
O túnel permitiu que as composições de carga passassem por baixo da linha principal e alcançassem uma via próxima. Na prática, os serviços lentos deixaram de cortar o caminho dos trens rápidos no mesmo nível.
A separação melhorou a circulação de cargas e passageiros na região de Peterborough. A infraestrutura passou a oferecer caminhos diferentes para serviços com velocidades e funções distintas.
A obra de Werrington mostrou que um túnel ferroviário pode ser construído ao lado da linha e depois deslocado para a posição final. A técnica exigiu restrições temporárias, mas evitou uma escavação convencional prolongada sob uma rota movimentada.
O resultado foi uma passagem curva de 155 metros, movimentada a 1,5 metro por hora por quatro macacos hidráulicos. Suas aproximadamente 11 mil toneladas de concreto passaram a separar os trens de carga dos serviços rápidos de passageiros.
Se uma estrutura de 11 mil toneladas pôde ser instalada em nove dias, quais obras ferroviárias brasileiras poderiam reduzir atrasos usando uma técnica semelhante? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.
