1. Início
  2. Curiosidades
  3. A “árvore-dragão” da ilha de Socotra, no Iêmen, tem copa em formato de guarda-chuva e “sangra” uma resina vermelho-sangue quando é ferida, cresce só 2 a 3 centímetros por ano e pode viver centenas de anos
Faça um comentário 6 min de leitura

A “árvore-dragão” da ilha de Socotra, no Iêmen, tem copa em formato de guarda-chuva e “sangra” uma resina vermelho-sangue quando é ferida, cresce só 2 a 3 centímetros por ano e pode viver centenas de anos

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 12/07/2026 às 14:12 Atualizado em 12/07/2026 às 14:14
A "árvore-dragão" da ilha de Socotra, no Iêmen, tem copa em formato de guarda-chuva
A “árvore-dragão” da ilha de Socotra, no Iêmen, tem copa em formato de guarda-chuva
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Só existe em Socotra, arquipélago iemenita no Oceano Índico: a árvore-dragão tem formato de guarda-chuva e escorre uma resina cor de sangue usada há milênios como remédio e pigmento. De crescimento lento, ela vive séculos e agora convive com a mudança climática e a instabilidade da região.

árvores que parecem saídas de outro planeta, e a árvore-dragão é uma delas. Segundo a Live Science, a espécie de nome científico Dracaena cinnabari só cresce em Socotra, uma ilha remota do Iêmen, no Oceano Índico, onde ostenta uma copa em formato de guarda-chuva e “sangra” uma resina vermelho-sangue sempre que seu tronco é ferido.

De acordo com a Live Science, essa resina carmesim, conhecida como “sangue de dragão”, é valorizada há milênios na medicina natural e como pigmento. Mais do que uma curiosidade botânica, a árvore-dragão virou o símbolo de um dos lugares mais biodiversos e isolados do planeta e, ao mesmo tempo, de tudo o que hoje ameaça esse paraíso.

Uma árvore que “sangra” vermelho quando é ferida

O que primeiro chama a atenção é o desenho da árvore-dragão. Seus galhos crescem para cima e para fora até formar uma densa copa arredondada, parecida com um guarda-chuva aberto ou um cogumelo gigante — um formato que ajuda a espécie a captar a umidade da neblina e a proteger as próprias raízes do sol escaldante. Não à toa, ela se tornou o cartão-postal de Socotra, ilha reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO.

O apelido, porém, vem de outro detalhe. Quando o tronco é ferido, a árvore libera uma resina de cor vermelho-sangue, o chamado “sangue de dragão”, empregado há séculos na medicina natural e como corante. É essa seiva carmesim que batiza a espécie e que, ainda hoje, é coletada pelos moradores locais, para quem a planta tem valor prático e até espiritual.

Uma vida lenta que atravessa séculos

A árvore sangue de dragão ( Dracaena cinnabari ) é uma espécie endêmica da ilha de Socotra, no noroeste do Oceano Índico.
(Crédito da imagem: John M Lund Photography Inc/Getty Images)
A árvore sangue de dragão ( 
Dracaena cinnabari ) é uma espécie endêmica da ilha de Socotra, no noroeste do Oceano Índico.
(Crédito da imagem: John M Lund Photography Inc/Getty Images)

Se a aparência impressiona, o ritmo de vida da árvore-dragão impressiona ainda mais. A espécie cresce apenas cerca de 2 a 3 centímetros por ano, um avanço quase imperceptível que, somado década após década, permite que ela viva por séculos. Cada exemplar de grande porte é, portanto, uma testemunha viva de um tempo muito anterior ao nosso.

Esse crescimento vagaroso é, ao mesmo tempo, força e fragilidade. De um lado, revela uma planta extraordinariamente adaptada a um ambiente árido e hostil. De outro, significa que uma árvore perdida não é reposta com facilidade: reflorestar a espécie exige paciência de gerações, o que torna cada perda ainda mais grave.

Socotra, a “Galápagos do Oceano Índico”

A casa da árvore-dragão é tão singular quanto ela. O arquipélago de Socotra reúne quatro ilhas e dois ilhéus rochosos que pertencem ao Iêmen, sendo que a ilha principal concentra cerca de 95% de todo o território. Fica a aproximadamente 400 quilômetros ao sul da Península Arábica e a 220 quilômetros a leste do Chifre da África, abrigando por volta de 60 mil pessoas.

Não é exagero o apelido de “Galápagos do Oceano Índico”. Entre dunas de areia branca, uma cordilheira central e planaltos calcários, brotam espécies que não existem em nenhum outro canto do mundo como a árvore-pepino e a árvore-garrafa, vizinhas botânicas da árvore-dragão. Todas compartilham a mesma história de isolamento que moldou a ilha.

15 milhões de anos evoluindo em isolamento

A explicação para tanta raridade está na geologia. Socotra é um fragmento que sobrou da separação entre a Arábia e a África, ocorrida há cerca de 30 milhões de anos — o mesmo movimento que abriu o Mar Vermelho e o Golfo de Áden. Desde então, a vida no arquipélago evoluiu praticamente isolada por pelo menos 15 milhões de anos, seguindo caminhos próprios.

O resultado é um verdadeiro laboratório natural. Segundo a UNESCO, mais de um terço das plantas de Socotra, 90% de seus répteis e 95% das espécies de caracóis terrestres não são encontrados em nenhum outro lugar da Terra. O mar ao redor acompanha a fartura, com tartarugas marinhas, tubarões-baleia e mais de 250 espécies de corais formadores de recifes.

Um paraíso difícil (e perigoso) de alcançar

Toda essa exuberância vem cercada de obstáculos. Chegar a Socotra nunca foi simples: em 2023, os visitantes dependiam de um único voo semanal partindo de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos — uma passagem que precisava ser reservada pelo WhatsApp e que era cancelada com frequência, sem explicação. Quem opta pelo mar encara uma travessia longa e desconfortável.

Foi justamente por navio que uma equipe da National Geographic chegou lá, em uma viagem de dois dias e meio a bordo de um cargueiro indiano, dividindo as noites com milhares de baratas. Além do acesso difícil, a região convive com a guerra civil no Iêmen e com a ação de piratas, e vários governos, incluindo o dos Estados Unidos, desaconselham qualquer viagem ao país, citando riscos de terrorismo, sequestro e até minas terrestres.

A expedição que registrou o paraíso ameaçado

Mesmo diante de tantos riscos, documentar Socotra virou uma missão urgente. O fotógrafo Martin Edström, de 30 anos, ao lado da exploradora Ella Al-Shamahi e do cineasta Leon McCarron, foi à ilha justamente para mostrar como diversas crises se aproximam desse refúgio. “Há muita turbulência política, muita mudança climática, muitas ameaças que queremos expor”, resumiu Edström.

Na ilha, o time acompanhou o tradutor Muhammed coletando a resina de uma árvore que ele conhecia desde sempre. Para ele, era um gesto rotineiro; para os visitantes, uma cena reveladora. “Dá para perceber claramente a conexão espiritual entre ele e aquela árvore”, contou o fotógrafo — um lembrete de que a árvore-dragão não é só natureza exuberante, mas também parte da vida de quem divide a ilha com ela.

As ameaças que pairam sobre a árvore-dragão

Por trás da beleza, há um alerta. A mudança climática altera o regime de neblinas e chuvas do qual a árvore-dragão depende para sobreviver, enquanto a instabilidade política dificulta qualquer esforço organizado de conservação. Somadas ao crescimento lento da espécie, essas pressões formam uma combinação perigosa para o futuro da planta.

Preservar a árvore-dragão, portanto, é mais do que salvar uma curiosidade da natureza. É proteger um símbolo vivo de 15 milhões de anos de história natural, de um povo que aprendeu a conviver com ela e de um equilíbrio ecológico que, uma vez rompido, pode não voltar. O que está em jogo em Socotra ultrapassa em muito os limites da ilha.

E você, conhecia a árvore-dragão de Socotra?

Uma árvore em forma de guarda-chuva que sangra vermelho, cresce pouquíssimo por ano e resiste há séculos em uma das ilhas mais isoladas do mundo: a árvore-dragão parece ficção, mas é real — e ameaçada. Você já tinha ouvido falar dessa espécie e de Socotra? Acha que ainda dá tempo de proteger paraísos naturais como esse, ou estamos perdendo essas maravilhas rápido demais? Conta pra gente aqui nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x