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Nasceu para superar a NASA, mas não decolou: os ônibus espaciais do projeto soviético Buran apodrecem em hangares gigantes no deserto do Cazaquistão e atraem visitantes que buscam aventuras de risco

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 24/11/2025 às 16:54 Atualizado em 24/11/2025 às 16:57
Buran, ônibus espaciais
Imagem: Panikovskij (CC BY-SA 4.0)
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Escondidos em hangares isolados no Cazaquistão, dois Burans remanescentes simbolizam a ascensão e o colapso de um programa espacial soviético, atraindo exploradores, reforçando debates e expondo desafios de preservação após décadas de abandono no local

Escondidos em hangares abandonados na vasta estepe do Cazaquistão, dois ônibus espaciais soviéticos permanecem como símbolos de um projeto interrompido. Eles nunca deixaram o solo, embora representassem ambições elevadas da União Soviética, porque buscavam rivalizar com o programa da NASA.

A construção de um projeto ousado

O programa Buran surgiu nos anos 80 e buscava demonstrar avanços próprios, portanto os engenheiros soviéticos adicionaram recursos que não apareciam nos veículos americanos.

A capacidade de voar sem tripulação ampliava a segurança, além disso, permitia operações versáteis mesmo em condições arriscadas. Essa autonomia impressionava especialistas.

Outra diferença marcante estava no uso do foguete Energia, que funcionava como lançador independente e reduzia custos, porque um foguete completo custava pouco mais que os motores principais do ônibus americano.

Essa estratégia econômica reforçava a tentativa soviética de criar uma solução mais flexível e acessível. Mesmo assim, o financiamento insuficiente colocou todo o projeto em risco.

O Buran só alcançou o espaço uma vez, em 15 de novembro de 1988, quando realizou um voo totalmente autônomo.

Esse feito demonstrou capacidade técnica, porém não garantiu a continuidade do programa. Com a desintegração da União Soviética, os recursos evaporaram e o projeto foi encerrado oficialmente em 1993.

O abandono dos ônibus espaciais soviéticos em Baikonur

Desde então, os veículos remanescentes repousam no Cosmódromo de Baikonur, que fica no Cazaquistão, mas segue sob administração russa.

O local continua ativo para lançamentos como os foguetes Soyuz e Proton, portanto ainda atrai atenção internacional enquanto guarda relíquias do passado espacial soviético. O hangar MZK se tornou o ponto mais cobiçado.

Dentro dele estão as duas naves preservadas. Uma recebe o nome de Ptichka e nunca voou, embora estivesse pronta para testes.

A outra serviu como protótipo. Depois do desabamento ocorrido em 2002, que destruiu o único exemplar que voara, esses dois modelos tornaram-se ainda mais valiosos.

A transformação dos ônibus espaciais em destino de exploradores

Com o tempo, esses gigantes abandonados passaram a inspirar exploradores urbanos, porque o acesso é difícil e perigoso. Muitos viajam longas distâncias pela estepe, enfrentando calor intenso ou frio extremo.

Outros se arriscam ao driblar a segurança que protege as instalações, criando histórias que circulam em comunidades de aventurers.

Em 2017, o YouTuber Ninurta divulgou imagens internas dos veículos, mostrando cabines quase vazias e compartimentos amplos.

Além disso, o fotógrafo francês David de Rueda visitou o local e registrou cenas marcantes. Ambos relataram trajetos árduos, reforçando a aura de mistério que envolve o hangar.

O relato de Rueda ilustra isso. Ele contou que atravessar a região foi uma aventura cheia de incertezas, porque o ambiente exigia preparo e atenção constante.

Mesmo assim, avaliou que cada obstáculo compensou o esforço, já que encontrou estruturas enormes marcadas por décadas de abandono.

Debates sobre preservação dos ônibus espaciais

O interesse aumentou ainda mais depois da morte de um turista francês no início do ano. Ele faleceu por desidratação perto do cosmódromo.

A imprensa russa afirmou que ele não buscava o hangar dos Burans, mas a tragédia estimulou reforço de segurança e ampliou a curiosidade pública.

Enquanto isso, discussões sobre o futuro dos veículos continuam. Alguns defendem que as naves sejam levadas a um museu para evitar deterioração maior, portanto sugerem programas de restauração.

Outros preferem manter o estado atual, alegando que o abandono preserva a essência histórica desses artefatos soviéticos.

A verdade é que o tempo segue atuando sobre os dois Burans restantes. Eles permanecem silenciosos no escuro do hangar, acumulando poeira e atraindo novos relatos.

Além disso, seu destino indefinido reflete como projetos grandiosos podem desaparecer quando falham investimentos e mudam contextos políticos.

Essas estruturas abandonadas continuam despertando debates, porque representam conquistas técnicas esquecidas e lembram como decisões políticas moldam trajetórias científicas inteiras hoje também.

Com informações de Xataka.

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Romário Pereira de Carvalho

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