Durante anos, o cabelo loiro dos melanésios foi creditado aos colonizadores europeus ou a uma dieta de peixe e sol. Mas um estudo, divulgado no Portal da Holanda, derrubou as duas explicações, e mostrou que a cor vem de uma mutação genética própria, a troca de um único aminoácido, em um raro caso de evolução convergente.
No meio do Pacífico, um povo carrega uma combinação que parece contradição. Os melanésios das Ilhas Salomão têm pele escura e, ao mesmo tempo, cabelos loiros naturais, algo que pouquíssimos grupos no mundo apresentam de nascença. A imagem surpreende quem vê pela primeira vez.
Por muito tempo, esse loiro foi atribuído aos colonizadores europeus ou a uma dieta de peixe e sol. Mas um estudo, divulgado há mais de uma década, apontou outra origem. A cor vem de uma mutação genética própria dos melanésios, que os cientistas descreveram como um caso de evolução convergente.
Pele escura e cabelos loiros, a marca dos melanésios

As Ilhas Salomão formam um arquipélago de milhares de ilhas, na Oceania, com mais de meio milhão de habitantes.
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É ali que vivem os melanésios, um povo com uma característica física que chama atenção no mundo inteiro.
Pele escura e cabelos loiros, ao mesmo tempo, e de forma natural.
A combinação é rara fora das populações de origem europeia, e por isso os melanésios estão entre os pouquíssimos povos do planeta a reunir esses dois traços de nascença.
Durante muito tempo, isso deixou geneticistas com mais perguntas do que respostas.
As teorias que tentaram explicar o loiro, e furaram

Muitos atribuíram o cabelo claro à herança dos europeus que passaram pela região, sobretudo britânicos, alemães e australianos.
A história até dava sustento a essa leitura, já que várias ilhas estiveram sob domínio alemão no século XIX, e em 1893 o Reino Unido transformou as Ilhas Salomão em protetorado, com empresas britânicas e australianas expandindo o cultivo de coco logo em seguida.
Os próprios melanésios nunca compraram essa versão.
Por anos, eles defenderam que o loiro vinha de uma dieta rica em peixe e da exposição constante ao sol.
No fim, nenhuma das duas explicações se sustentou. Nem o sangue europeu, nem o cardápio, a resposta verdadeira estava em outro lugar.
A resposta estava nos genes dos próprios melanésios
Um estudo resolveu o enigma olhando para o DNA.
A descoberta impressiona pela simplicidade, porque tudo se resume à troca de um único aminoácido em uma proteína, com a arginina dando lugar à cisteína.
Essa mudança minúscula no código genético é o que separa o cabelo escuro do loiro nessa população.
E não é um gene importado, é deles.
Segundo o estudo, cerca de um quarto dos habitantes das Ilhas Salomão carrega essa variante, que é recessiva, ou seja, o loiro só aparece quando a criança herda a mutação do pai e da mãe.
O pesquisador Myles chamou o caso de “evolução convergente”, o mesmo resultado alcançado por um caminho genético completamente diferente do europeu.
Já o antropólogo Jonathan Friedlaender, da Temple University, explicou que a mutação provavelmente surgiu por acaso em uma única pessoa e se espalhou porque a população original das ilhas era pequena.
Uma ancestralidade que vem de muito longe
A pesquisa não parou no cabelo.
Ela também foi atrás das origens do povo melanésio e encontrou algo curioso no passado pré-histórico desse grupo.
Enquanto praticamente todos os humanos que deixaram a África carregam genes herdados dos neandertais, os melanésios guardam uma ancestralidade um pouco diferente.
O parentesco aqui é com os denisovanos.
Acredita-se que esse povo tenha herança de cruzamentos com o hominídeo de Denisova, um primo distante dos neandertais, o que deixou nos habitantes das ilhas um conjunto genético particular.
Mas atenção a um detalhe.
Essa ancestralidade ajuda a explicar o que torna os melanésios geneticamente distintos, enquanto a cor loira em si vem da mutação específica descrita pelo estudo.
No fim, a história dos melanésios é menos sobre mistério e mais sobre identidade.
O cabelo loiro que tanto intrigou de fora não foi presente de colonizador nem efeito de dieta, e sim uma marca genética que o povo das Ilhas Salomão carrega por conta própria, ao longo de gerações.
A ciência só precisou de tempo para enxergar o que estava escrito no DNA.
E você, já tinha ouvido falar dos melanésios e dessa combinação de pele escura com cabelos loiros? Conhece outro caso parecido pelo mundo? Conte nos comentários, com respeito às diferenças e à diversidade dos povos, e compartilhe esta matéria com quem gosta de genética e de curiosidades sobre a humanidade.


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