1. Início
  2. Curiosidades
  3. Um idoso de mais de 70 anos viu a água da chuva ir embora pelas colinas e decidiu cavar sozinho um canal de 3 km por quase 30 anos para transformar terra seca em área agrícola abastecida na Índia rural
Faça um comentário 6 min de leitura

Um idoso de mais de 70 anos viu a água da chuva ir embora pelas colinas e decidiu cavar sozinho um canal de 3 km por quase 30 anos para transformar terra seca em área agrícola abastecida na Índia rural

Imagem de perfil do autor Noel Budeguer
Escrito por Noel Budeguer Publicado em 04/07/2026 às 19:12 Atualizado em 04/07/2026 às 19:16
Assista o vídeo
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Em uma aldeia rural da Índia, a chuva existia, mas não chegava aos campos. A solução veio de Laungi Bhuiyan, que abriu manualmente um canal para aproveitar a água das monções e ajudar agricultores da comunidade.

Durante anos, moradores de Kothilwa, no distrito de Gaya, em Bihar, viam a chuva descer pelas colinas e seguir seu caminho até os rios. O problema era que, enquanto a água passava, os campos da aldeia continuavam secos, dependentes do clima e vulneráveis à falta de irrigação.

Foi nesse cenário que Laungi Bhuiyan, agricultor indiano descrito pela Outlook India em 2024 como um homem de cerca de 70 anos, decidiu fazer algo pouco comum: cavar sozinho um canal para conduzir a água da chuva das colinas até um lago e áreas agrícolas usadas pela comunidade. De acordo com informações publicadas por NDTV, Hindustan Times, Al Jazeera e Outlook India, a obra levou quase 30 anos e teria alcançado cerca de 3 km de extensão.

A história ganhou força porque une um número difícil de ignorar, uma paisagem rural marcada pela escassez e uma solução construída sem máquinas, grandes obras ou equipe técnica. O que começou como uma tentativa individual de controlar a água da chuva acabou revelando um problema maior: em regiões agrícolas pobres, a falta de infraestrutura pode transformar até a chuva em recurso perdido.

Um canal aberto onde antes a água apenas passava

Laungi Bhuiyan, agricultor indiano de cerca de 70 anos, ficou conhecido em Bihar após cavar sozinho um canal de cerca de 3 km durante quase três décadas.
Laungi Bhuiyan, agricultor indiano de cerca de 70 anos, ficou conhecido em Bihar após cavar sozinho um canal de cerca de 3 km durante quase três décadas.

Laungi Bhuiyan vive em Kothilwa, aldeia descrita por veículos indianos como uma área remota, cercada por colinas, florestas e terrenos difíceis. A região fica no distrito de Gaya, em Bihar, estado indiano que enfrenta períodos de seca e dependência das chuvas de monção.

De acordo com a NDTV, o objetivo de Bhuiyan era simples: impedir que a água da chuva escorresse sem uso e conduzi-la até um reservatório local. A partir dali, ela poderia abastecer animais, ajudar lavouras e melhorar a vida de moradores que dependiam da agricultura.

A obra não nasceu de um projeto oficial. Ele cavava enquanto cuidava do gado e seguia abrindo caminho com ferramentas simples. O trabalho avançava pouco a pouco, em uma rotina repetida por anos, até formar um canal capaz de direcionar a água das colinas para áreas que antes ficavam secas.

Quase 30 anos de trabalho e números que variam entre as fontes

O dado mais citado pela imprensa é o de quase 30 anos de escavação e cerca de 3 km de canal. Essa é a versão registrada por NDTV, Hindustan Times, Al Jazeera e Outlook India, que trataram Bhuiyan como um símbolo de persistência rural em Bihar.

Há, no entanto, variações entre os relatos. O Times of India falou em 20 anos e em um canal de 2 km. Já ABP Live citou uma estrutura de 5 pés de largura e 3 pés de profundidade, além de mencionar uma extensão maior em atualizações posteriores sobre novas escavações.

Por isso, a forma mais segura de apresentar a história é dizer que, segundo os principais relatos da imprensa indiana e internacional, Bhuiyan passou quase três décadas cavando um canal de cerca de 3 km, enquanto outros veículos locais registraram medidas diferentes ao acompanhar a obra e seus desdobramentos.

A aldeia que duvidou da ideia

Laungi Bhuiyan aparece no canal de terra que abriu manualmente em Bihar, na Índia, obra que levou quase três décadas para conduzir água da chuva das colinas até reservatórios e áreas agrícolas da comunidade.
Laungi Bhuiyan aparece no canal de terra que abriu manualmente em Bihar, na Índia, obra que levou quase três décadas para conduzir água da chuva das colinas até reservatórios e áreas agrícolas da comunidade.

A Al Jazeera trouxe um dos pontos mais humanos da história: familiares e vizinhos chegaram a duvidar da decisão de Bhuiyan. Sua esposa, Ramrati Devi, e moradores da aldeia viam o esforço como uma insistência quase impossível, principalmente porque o trabalho parecia grande demais para uma única pessoa.

A dúvida não era difícil de entender. Abrir um canal em terreno rural, sem maquinário pesado e sem apoio permanente, exigia tempo, força física e uma convicção rara. Enquanto muitos moradores migravam para cidades em busca de trabalho, Bhuiyan continuava tentando resolver um problema que permanecia na paisagem todos os anos.

O caso não precisa ser tratado como conto de superação exagerado. A força da história está no contraste concreto: a água existia, mas não era aproveitada; a terra precisava dela, mas não havia estrutura; e um morador tentou ligar esses dois pontos com as próprias mãos.

O impacto chegou aos campos e chamou atenção nacional

Com o avanço do canal, a água da chuva passou a ser conduzida para reservatórios e áreas agrícolas. A NDTV registrou relatos de moradores afirmando que o trabalho não foi feito apenas para benefício próprio, mas para a comunidade.

A Al Jazeera informou que, após a repercussão do caso, a aldeia conseguiu cultivar trigo naquele ano. Já o Outlook India, em reportagem posterior, afirmou que o esforço ajudou a armazenar água em lagoas e a levar recurso hídrico a áreas áridas próximas.

Outras fontes ampliaram a dimensão do impacto. A ABP Live citou cerca de 3 aldeias e aproximadamente 3 mil pessoas beneficiadas. O Times of India, com base em relato local, mencionou a possibilidade de irrigar cerca de 100 acres de terra. Como os números variam, o uso mais responsável é atribuir cada estimativa ao veículo que a publicou.

Reconhecimento veio, mas a estrutura continuou frágil

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A repercussão nacional trouxe reconhecimento. Segundo a Al Jazeera e o South Asia Monitor, Anand Mahindra, presidente do Mahindra Group, decidiu presentear Bhuiyan com um trator depois que a história se espalhou. A Al Jazeera também registrou uma doação simbólica de 100 mil rupias feita pela Mankind Pharma.

Mas o reconhecimento não resolveu todos os problemas. O Outlook India voltou ao caso em 2024 e mostrou uma atualização importante: apesar da fama, Bhuiyan ainda cobrava apoio básico e o canal não havia sido transformado em uma estrutura definitiva de concreto.

A mesma reportagem apontou que o canal sofria desgaste com as chuvas e que promessas públicas ainda dependiam de etapas burocráticas, incluindo autorizações relacionadas ao Departamento Florestal. O caso, portanto, não terminou apenas com aplausos. Ele continuou expondo a distância entre visibilidade, infraestrutura e resposta pública.

Quando uma obra manual revela um problema maior

A história de Laungi Bhuiyan chama atenção porque parece extraordinária, mas nasce de uma necessidade comum em muitas áreas rurais: armazenar a água no momento certo e levá-la até onde ela faz falta.

Bihar tem sistemas tradicionais de manejo de água da chuva, como o ahar-pyne, citado pelo India Water Portal, que combina reservatórios e canais para enfrentar períodos secos. O canal de Bhuiyan dialoga com essa lógica antiga, ainda que tenha sido feito de forma individual e improvisada.

O caso vai além de um homem cavando por quase 30 anos. Ele mostra como a falta de infraestrutura pode fazer a chuva passar por uma aldeia sem resolver a sede da terra, e como uma solução manual, mesmo limitada, pode revelar com força aquilo que obras públicas deveriam enfrentar antes que alguém precise dedicar uma vida inteira a isso.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fonte
Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x