Após taxação de 50% dos produtos, governo dos EUA cogita bloquear o GPS no Brasil, ampliando crise diplomática e gerando alerta técnico
A relação entre Brasil e Estados Unidos entrou em uma nova fase de tensão. Após a taxação de 50% sobre todos os produtos brasileiros, anunciada pelo presidente Donald Trump, outra ameaça veio à tona: o possível bloqueio do sistema GPS no território brasileiro. A medida gerou debates, críticas e dúvidas técnicas sobre sua viabilidade.
Sistema militar com uso civil
O GPS, sigla para Sistema de Posicionamento Global, foi criado com fins militares no final do século 20. Hoje, está presente em celulares, carros, aviões, sistemas de logística e até no setor financeiro.
A tecnologia funciona por meio de sinais enviados diretamente por satélites para dispositivos ao redor do mundo. Esses sinais são unidirecionais e de acesso livre.
-
Eletricistas viram peça rara no Brasil: falta de mão de obra qualificada já afeta obras, indústrias, energia solar e manutenção, enquanto salários chegam a R$ 4,1 mil no regime CLT e empresas correm para formar novos profissionais
-
Um ferro-velho virou um museu de aviões a céu aberto, feito de fuselagens aposentadas e com negócio até com a Embraer, onde dá para entrar nas aeronaves, brincar de dar partida nos motores e levar um avião inteiro para casa por cerca de 100 mil reais
-
Eletroposto de R$ 171 mil pode virar renda passiva no Brasil: carregador rápido de 60 kW promete faturar até R$ 21,6 mil por mês, mas depende de ponto cheio, energia barata e motoristas elétricos em busca de recarga urgente na cidade
-
Com 4 andares, mais de 1.100 m² e coberto de painéis solares, esta mansão flutuante de US$ 15 milhões tem 5 suítes, 7 banheiros, piscina e tecnologia usada em navios da indústria petrolífera
Bloquear o GPS no Brasil seria possível?
Para o comentarista de tecnologia Pedro Doria, a resposta é clara: não. Segundo ele, bloquear o GPS em larga escala seria um “feito de engenharia inimaginável”.
A explicação é simples. O sistema permite, no máximo, interferência localizada em áreas muito pequenas.
“É possível bloquear o sinal de GPS apenas em uma área de 12 km². O Brasil tem 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Então, seria muito trabalho ficar fazendo isso, 12 quilômetros por vez e o tempo todo”, afirmou Doria.
Mesmo sendo improvável, se houvesse um bloqueio do GPS, setores cruciais seriam afetados. Aviação, transporte marítimo, logística, telecomunicações, fornecimento de energia e até o sistema financeiro brasileiro dependem do GPS.
Um dos usos mais importantes é o fornecimento preciso de dados de tempo, essencial para a segurança de transações eletrônicas.
GNSS: mais que apenas GPS
Popularmente, todo sistema de localização por satélite é chamado de GPS. Mas, tecnicamente, o nome correto é GNSS — Sistema Global de Navegação por Satélite.
O GPS é apenas um dos sistemas existentes. Outros exemplos são o Glonass (Rússia), o Galileo (Europa) e o BeiDou (China).
Dispositivos modernos, como celulares e sistemas embarcados, geralmente acessam vários desses sistemas ao mesmo tempo.
Ou seja, mesmo que o GPS dos EUA fosse bloqueado, os outros GNSS ainda estariam ativos no Brasil. Isso reduziria bastante o impacto de uma eventual medida.
Crescimento da crise diplomática
As ameaças recentes têm como pano de fundo o aumento da tensão entre os dois países. A situação se agravou após medidas econômicas e diplomáticas dos Estados Unidos.
Além da taxação e do possível bloqueio do GPS, Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, revogou o visto do ministro Alexandre de Moraes.
Ele justificou a decisão alegando uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro.
A carta enviada por Trump ao Brasil, que determinou a nova taxação, cita a Seção 301. Essa regra permite que os EUA apliquem sanções contra países acusados de práticas comerciais desleais.
Já foi usada anteriormente contra a China e agora serve como base para justificar as medidas adotadas contra o Brasil.
Com informações de Xataka.

-
2 pessoas reagiram a isso.