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Os Estados Unidos acabaram de proibir a importação de novos modelos de roteadores fabricados no exterior e o principal alvo é a China que controla 60% do mercado americano e é acusada de espionagem em massa

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 24/03/2026 às 13:17
Atualizado em 27/03/2026 às 23:52
Os Estados Unidos proibiram a importação de novos modelos de roteadores fabricados no exterior. A China, que domina 60% do mercado americano, é o principal alvo.
Os Estados Unidos proibiram a importação de novos modelos de roteadores fabricados no exterior. A China, que domina 60% do mercado americano, é o principal alvo.
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A FCC, agência reguladora dos Estados Unidos, anunciou a proibição da importação de novos modelos de roteadores fabricados no exterior sob o argumento de risco à segurança cibernética. A China é o principal alvo da medida, já que controla 60% do mercado americano de roteadores domésticos. A ordem não afeta modelos já existentes.

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, a FCC, anunciou nesta segunda-feira (23) a proibição da importação de novos modelos de roteadores fabricados no exterior. O argumento oficial é que esses aparelhos representam preocupações graves com a segurança cibernética dos Estados Unidos. O principal alvo da medida é a China, que controla cerca de 60% do mercado americano de roteadores domésticos, segundo a agência Reuters. A ordem não afeta a importação ou o uso de modelos já existentes, mas proíbe todos os que forem lançados a partir de agora.

Uma análise convocada pela Casa Branca concluiu que roteadores importados representam, nas palavras do relatório, um grave risco de segurança cibernética capaz de interromper a infraestrutura crítica dos Estados Unidos. A FCC citou ataques como Volt Typhoon, Flax Typhoon e Salt Typhoon, todos atribuídos a grupos hackers chineses, como exemplos das vulnerabilidades exploradas em novos modelos de roteadores fabricados no exterior. O último desses ataques teria sido capaz de invadir sistemas de e-mail de assessores do Congresso americano.

O que a FCC proibiu e o que continua permitido nos Estados Unidos

A ordem da FCC é específica: ela proíbe a importação de novos modelos de roteadores fabricados fora dos Estados Unidos. Isso significa que qualquer roteador que ainda não tenha sido lançado ou certificado no mercado americano não poderá entrar no país a partir de agora.

Modelos já existentes e em operação não são afetados pela medida. Consumidores que já possuem roteadores fabricados na China ou em outros países podem continuar usando seus aparelhos normalmente.

A determinação também inclui uma exceção: roteadores que o Pentágono considere que não representam riscos inaceitáveis podem ser isentos da proibição.

A medida segue a mesma lógica aplicada em dezembro de 2025, quando a FCC proibiu a importação de todos os novos modelos de drones chineses sob argumento semelhante de segurança nacional. O padrão de restrições a equipamentos de tecnologia fabricados na China vem se ampliando nos Estados Unidos nos últimos anos.

Por que a China é o principal alvo: 60% do mercado americano de roteadores

A China domina o mercado americano de roteadores domésticos com uma participação estimada em 60%. Esses aparelhos conectam computadores, telefones e outros dispositivos à internet em milhões de residências e escritórios nos Estados Unidos.

Para o governo americano, essa presença massiva de novos modelos de roteadores fabricados na China representa uma porta de entrada para espionagem e ataques cibernéticos contra a infraestrutura do país.

A FCC afirmou que agentes mal-intencionados já exploraram brechas de segurança em roteadores fabricados no exterior para atacar residências, interromper redes, permitir espionagem e facilitar o roubo de propriedade intelectual.

Os ataques Volt Typhoon, Flax Typhoon e Salt Typhoon foram citados como provas concretas dessas vulnerabilidades. Todos foram atribuídos a grupos hackers com vínculos ao governo chinês, embora a China nunca tenha admitido envolvimento direto.

A TP-Link Systems, uma das maiores fabricantes de roteadores do mundo, está no centro dessa disputa. A empresa foi processada em fevereiro pelo procurador-geral do Texas, Ken Paxton, por supostamente comercializar seus roteadores de forma enganosa e permitir que Pequim acessasse dispositivos dos consumidores americanos.

A TP-Link, que é sediada na Califórnia mas tem origem numa fabricante chinesa, disse que defenderia vigorosamente sua reputação.

A companhia afirmou que o governo chinês não possui nenhuma forma de propriedade ou controle sobre a empresa, seus produtos ou dados de usuários.

Segundo a Reuters, o governo Trump havia suspendido uma proposta anterior de proibição das vendas domésticas de roteadores fabricados pela TP-Link, mas a nova ordem da FCC atinge o problema por outro ângulo: em vez de proibir a venda, proíbe a importação de novos modelos de roteadores que ainda não tenham sido certificados. A Embaixada da China em Washington não se pronunciou sobre a medida.

Reação política nos Estados Unidos: apoio bipartidário à proibição

A decisão da FCC recebeu apoio de parlamentares americanos que já vinham levantando preocupações de segurança sobre roteadores fabricados na China. O deputado John Moolenaar, presidente republicano do comitê seleto da Câmara sobre a China, elogiou a ordem publicamente.

Moolenaar declarou que a decisão protege os Estados Unidos contra os ataques cibernéticos da China e deixa claro que dispositivos chinêses devem ser excluídos da infraestrutura crítica americana.

O deputado também enfatizou que roteadores são essenciais para manter a população conectada e que não se pode permitir que tecnologia chinesa ocupe o centro dessa cadeia.

A proibição de novos modelos de roteadores importados reflete uma tendência crescente nos Estados Unidos de restringir a presença de tecnologia chinesa em setores considerados estratégicos. Antes dos roteadores, os alvos foram equipamentos de telecomunicações da Huawei e da ZTE, câmeras de vigilância e, mais recentemente, drones.

O que essa proibição significa para o mercado de roteadores e para os consumidores

No curto prazo, a proibição não altera nada para quem já possui um roteador fabricado na China. Os modelos existentes continuam funcionando e sendo vendidos normalmente.

O impacto real recai sobre as fabricantes chinesas que planejavam lançar novos modelos de roteadores no mercado americano, que agora estão impedidas de importar qualquer produto que ainda não tenha sido certificado pela FCC.

Para os consumidores americanos, o efeito de médio prazo pode ser uma redução na variedade de opções disponíveis e um possível aumento de preços, já que a concorrência de fabricantes chineses era um dos fatores que mantinha os valores acessíveis.

Para a China, a medida representa mais um capítulo na guerra tecnológica com os Estados Unidos, que já alcançou semicondutores, inteligência artificial, redes 5G e agora chega aos roteadores domésticos. A proibição de novos modelos de roteadores importados sinaliza que a tendência de restrições deve continuar se ampliando nos próximos anos.

E você, o que pensa sobre essa proibição?

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Bruno Teles

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