O primeiro episódio de frio do outono na América do Sul trouxe neve intensa na Cordilheira dos Andes, forçou o bloqueio de rodovias entre Argentina e Chile e derrubou os termômetros abaixo de zero em diversas cidades argentinas. A massa de ar frio avança agora em direção ao Brasil, com efeitos limitados ao Sul do país.
A primeira massa de ar frio do outono na América do Sul avança neste começo de semana pela Argentina e pelo Chile com queda acentuada da temperatura e neve forte na Cordilheira dos Andes. O episódio obrigou o fechamento de passagens rodoviárias internacionais entre os dois países nas montanhas, incluindo a passagem Cristo Redentor em Mendoza, que permanece bloqueada desde a noite de sábado. A medida foi adotada em conjunto por autoridades argentinas e chilenas diante do risco à segurança viária causado pela neve acumulada.
Conforme a METSUL, na madrugada desta segunda-feira, 23 de março, o frio do outono já se fazia sentir com intensidade no Oeste e no Sul argentino. Os termômetros registraram mínimas de −1,6°C em Maquinchao, −0,6°C em Calafate e 1,0°C em Rio Grande. A massa de ar frio avança agora em direção ao Brasil, onde seus efeitos devem ser limitados ao Sul do país, com redução nas temperaturas máximas entre terça e quarta-feira no Rio Grande do Sul.
Neve forte na Cordilheira dos Andes: passagens entre Argentina e Chile bloqueadas
O impacto mais severo do frio do outono concentrou-se na Cordilheira dos Andes. A passagem internacional Cristo Redentor, em Mendoza, está fechada desde a noite de sábado após um novo episódio de instabilidade na região.
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O bloqueio começou nos acessos de Uspallata e Guardia Vieja e o fechamento total do túnel internacional entrou em vigor à meia-noite. A medida segue por tempo indeterminado, dependendo da evolução das condições meteorológicas na cordilheira. As autoridades de ambos os países recomendam que viajantes evitem se deslocar rumo às montanhas enquanto a situação não se normalizar.
Na estação de esqui de Las Leñas, também na província de Mendoza, a neve surpreendeu no domingo e caiu forte por várias horas nas montanhas acima de 3 mil metros de altitude, produzindo acumulação significativa. Já a passagem Cardenal Samoré, na província de Neuquén, registrou neve ao longo do domingo, mas segue aberta para o trânsito de veículos com exigência de correntes.
O cenário reforça a intensidade dessa primeira incursão do frio do outono sobre a região andina, que pegou muitos viajantes de surpresa num período que costuma ainda ser de temperaturas amenas.
Temperaturas abaixo de zero na Argentina: o frio do outono derruba os termômetros
A madrugada desta segunda-feira foi de frio do outono intenso em diversas cidades argentinas. No Oeste e no Sul do país, a influência direta da massa de ar frio derrubou os termômetros a valores negativos.
Maquinchao, na Patagônia, registrou mínima de −1,6°C. Calafate marcou −0,6°C. Rio Grande chegou a 1,0°C. Paso de Indios ficou em 1,8°C. E Gobernadores Gregores e Trelew atingiram 2,0°C. Esses valores estão abaixo da média para o período e indicam que a massa de ar polar associada a esse episódio tem força considerável.
O maior impacto ocorre no lado argentino da cordilheira, onde as acumulações de neve foram capazes de comprometer completamente a circulação rodoviária. A combinação de temperaturas negativas com ventos fortes cria condições de risco não apenas para o trânsito, mas também para a população local.
As autoridades argentinas reforçaram os alertas e recomendam que moradores de regiões elevadas tomem precauções extras até que a massa de ar frio perca intensidade ao longo dos próximos dias.
A massa de ar frio do outono chega ao Brasil: o que esperar no Sul do país
Após atingir com força a Argentina e o Chile, a massa de ar frio do outono avança em direção ao Brasil. Porém, de acordo com a MetSul Meteorologia, a influência desse episódio será limitadíssima no território brasileiro, com efeitos modestos concentrados mais ao Sul do país.
O principal reflexo será a redução das temperaturas máximas no Rio Grande do Sul entre terça-feira (24) e quarta-feira (25), trazendo marcas mais agradáveis após dias de calor intenso.
As madrugadas de terça e quarta poderão ser de temperatura mais baixa no Sul gaúcho, mas sem previsão de frio do outono severo ou geada. No final desta semana, a tendência é de retorno do calor forte no Rio Grande do Sul e nas demais regiões do Brasil.
Para o restante do país, a massa de ar frio não deve provocar mudanças significativas. Trata-se de um episódio típico de início de outono, quando as primeiras incursões polares ainda não têm força suficiente para avançar além da região Sul.
O que é uma massa de ar frio e por que ela é mais forte no início do outono na América do Sul
Uma massa de ar frio é um grande volume de ar com temperatura significativamente mais baixa do que a região por onde avança. Ela se forma nas latítudes polares e se desloca em direção ao equador impulsionada por sistemas de pressão atmosférica.
Quando essa massa encontra a Cordilheira dos Andes, o relevo força o ar úmido a subir, provocando condensação e queda de neve nas altitudes elevadas. É exatamente o que ocorreu neste primeiro episódio de frio do outono na América do Sul.
No início do outono, essas massas de ar frio costumam ser pontuais e de curta duração. À medida que a estação avança e o inverno se aproxima, os episódios se tornam mais frequentes, mais intensos e capazes de alcançar regiões mais ao norte do Brasil.
Este primeiro episódio de frio do outono funciona como um sinal de que a estética das estações já mudou, mesmo que o calor volte nos próximos dias. As próximas semanas devem trazer novos avanços de ar polar, progressivamente mais fortes.
Você já sentiu a mudança na temperatura?

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