Localizada em São Borja, a Coudelaria de Rincão é a fazenda militar responsável por fornecer entre 150 e 170 cavalos por ano ao Exército Brasileiro. O processo de criação dura até cinco anos, começa com seleção por genética rigorosa e termina com treinamento para funções cerimoniais e de patrulha em unidades de destaque como as de Brasília.
No interior do Rio Grande do Sul, a cerca de 580 quilômetros de Porto Alegre, existe uma fazenda militar que a maioria dos brasileiros desconhece. A Coudelaria de Rincão, localizada no município de São Borja, ocupa 15 mil hectares e tem uma missão muito específica: criar, selecionar e treinar cavalos que serão enviados ao Exército Brasileiro. A instalação fornece entre 150 e 170 animais por ano para as forças armadas do país. Cada cavalo passa por um processo de preparação que dura até cinco anos, desde o nascimento até o momento em que está pronto para servir em cerimônias oficiais e operações de patrulha.
A fazenda militar investe em planejamento genético rigoroso, seleção comportamental e treinamento progressivo. Os cavalos são avaliados desde os primeiros meses de vida por critérios de genética, habilidades físicas e temperamento, e só avançam no processo aqueles que atendem a todos os requisitos. O destino final da maioria desses animais são unidades militares de destaque, com ênfase nas guarnições de Brasília, onde participam de cerimônias com chefes de Estado e patrulhamento em áreas estratégicas da capital federal.
O que é a Coudelaria de Rincão e por que ela existe

A Coudelaria de Rincão é uma unidade do Exército Brasileiro dedicada exclusivamente à criação e ao treinamento de cavalos militares. Localizada em São Borja, na região das Missões gaúchas, a fazenda militar ocupa uma área equivalente a mais de 15 mil campos de futebol.
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A instalação desempenha um papel essencial na continuidade das operações militares do Brasil e na preservação de tradições equestres que remontam à formação do próprio Exército. Apesar de sua importância estratégica, a coudelaria é pouco conhecida pelo grande público.
O uso de cavalos pelas forças armadas brasileiras não é apenas simbólico. Em Brasília, os animais treinados na fazenda militar participam de cerimônias de posse presidencial, recepções a chefes de Estado estrangeiros e eventos oficiais do governo federal.
Além disso, são empregados em operações de patrulhamento em áreas onde veículos motorizados têm acesso limitado. A Coudelaria de Rincão garante que o Exército tenha sempre animais preparados para essas funções, sem depender de fornecedores externos.
Seleção genética: como a fazenda militar escolhe os cavalos desde o nascimento

O processo de criação na Coudelaria de Rincão começa muito antes do treinamento. A fazenda militar trabalha com planejamento genético rigoroso, cruzando garanhões e éguas selecionados por linhagem, porte físico e temperamento.
O objetivo é produzir potros que reúnam as características ideais para o serviço militar: resistência física, equilíbrio emocional e capacidade de resposta a comandos. Cada cruzamento é registrado e acompanhado por profissionais que monitoram a saúde e o desenvolvimento dos filhotes desde os primeiros dias.
Nem todos os potros nascidos na coudelaria seguem para o treinamento militar. Ao longo dos primeiros meses de vida, os animais passam por avaliações comportamentais e físicas que determinam se têm aptidão para o serviço.
Cavalos que demonstram nervosismo excessivo, problemas articulares ou falta de adaptável ao convívio humano são descartados do programa. Esse filtro garante que apenas os melhores animais avancem para a etapa seguinte, onde começam a ser preparados para as funções que exercerão no Exército.
Cinco anos de treinamento: o caminho do potro até o cavalo do Exército
O treinamento completo de um cavalo na fazenda militar dura até cinco anos. Nos dois primeiros, o foco está na socialização e na adaptação ao ambiente humano. Os potros aprendem a aceitar sela, freio e comandos básicos de condução.
A partir do terceiro ano, o treinamento se intensifica e os cavalos começam a ser preparados para situações específicas: desfiles cerimoniais, patrulhamento urbano, travessia de terrenos irregulares e exposição a multidões e barulhos intensos.
A etapa final do processo inclui simulações de cerimônias e operações reais. Os cavalos precisam manter a calma diante de fogos de artifício, bandas militares, veículos em movimento e grandes aglomerações de pessoas.
Somente após aprovarem todas as etapas os animais são transferidos para as unidades do Exército em Brasília e outras cidades. A Coudelaria de Rincão combina técnicas tradicionais de equitação com métodos modernos de condicionamento animal, garantindo que cada cavalo esteja preparado para anos de serviço ativo.
Além das fronteiras: a fazenda militar que exporta genética para a América Latina
A Coudelaria de Rincão não atende apenas ao Exército Brasileiro. A fazenda militar também colabora com exércitos de países vizinhos, como Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai. Esses intercâmbios incluem troca de material genético, envio de animais e compartilhamento de técnicas de treinamento.
A parceria reforça os laços de defesa entre os países do Cone Sul e posiciona a coudelaria brasileira como referência regional na criação de cavalos militares.
A dimensão internacional da Coudelaria de Rincão revela que essa fazenda militar vai muito além de uma simples unidade de criação de animais. Ela funciona como peça estratégica na logística militar e nas relações de defesa do Brasil com seus vizinhos.
O fato de exércitos estrangeiros buscarem a genética e o conhecimento desenvolvidos em São Borja demonstra o nível de excelência alcançado pela coudelaria ao longo de décadas de trabalho contínuo.
Tradição e tecnologia: como a Coudelaria de Rincão se mantém relevante
Em pleno século XXI, manter uma fazenda militar dedicada à criação de cavalos pode parecer anacrônico. Mas a realidade mostra o contrário. A Coudelaria de Rincão combina técnicas tradicionais de equitação gaúcha com tecnologia moderna de reprodução assistida, monitoramento genético e condicionamento comportamental.
Essa combinação permite que a fazenda militar continue produzindo cavalos de altíssima qualidade para as mais diversas funções dentro do Exército.
A Coudelaria de Rincão é uma das instituições mais antigas e menos conhecidas do Exército Brasileiro. Seus 15 mil hectares em São Borja guardam não apenas cavalos, mas também uma tradição que conecta o passado das cavalgadas militares ao presente das cerimônias de Estado em Brasília.
Para as forças armadas, a fazenda militar não é um resquício do passado. É uma engrenagem viva que garante a continuidade de operações que dependem diretamente desses animais.
Você conhecia essa fazenda militar?

Nunca fui na fazenda mas conheci militares que adquiriram belos animais para o hipismo clássico.
Muito interessante!! Sou do RS, mas jamais tinha ouvido falar. Mas treina cavalos somente para exércitos ou para outras áreas militares?
Muiti obrigada