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El Niño ganha força até setembro e pode seguir até 2027, diz alerta com órgãos do governo federal: fenômeno tem mais de 90% de chance de permanência, pode aquecer oceanos acima de 2°C e transformar chuva no Sul em risco de temporais, alagamentos e deslizamentos

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Escrito por Carla Teles Publicado em 03/07/2026 às 11:25 Atualizado em 03/07/2026 às 12:34
El Niño ganha força até setembro e pode seguir até 2027, diz alerta com órgãos do governo federal fenômeno tem mais de 90% de chance de permanência, pode aquecer oceanos acima de
El Niño acende alerta federal para chuva no Sul, temporais e deslizamentos até 2027, com chance acima de 90%.
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Boletim federal divulgado em junho indica que o El Niño deve permanecer até o início de 2027, com probabilidade superior a 90%. A previsão aponta intensificação entre primavera e verão, chuva acima da média no Sul, calor no país e atenção maior a temporais, inundações, alagamentos e deslizamentos em cidades.

O El Niño deve seguir influenciando o clima brasileiro até, pelo menos, o início de 2027, com probabilidade superior a 90% de permanência. O alerta aparece no primeiro boletim oficial sobre o fenômeno, divulgado em 29 de junho por órgãos do governo federal e repercutido pelo NSC Total em 1º de julho de 2026.

O documento indica alta chance de o fenômeno atingir categoria muito forte entre a primavera e o verão de 2026, quando a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial supera 2°C acima da média. No Sul do Brasil, a previsão reforça atenção para chuva acima da média, temporais, alagamentos, inundações e deslizamentos.

Boletim federal reúne vários órgãos de monitoramento

O alerta sobre o El Niño foi elaborado em conjunto pelo Instituto Nacional de Meteorologia, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais, Serviço Geológico do Brasil e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Essa composição é relevante porque o fenômeno não afeta apenas a previsão do tempo. Ele influencia agricultura, recursos hídricos, defesa civil, risco de desastres, temperatura, chuva e planejamento de municípios, especialmente nas regiões mais expostas a extremos.

Fenômeno foi confirmado após aquecimento no Pacífico

Em junho, os órgãos federais confirmaram a configuração do El Niño após o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera padrões de circulação atmosférica e interfere na distribuição de chuvas em diferentes partes do Brasil.

O boletim também aponta que previsões de centros meteorológicos internacionais indicam continuidade e intensificação nos próximos meses. A preocupação não está apenas na presença do fenômeno, mas na possibilidade de ele ganhar força rapidamente até a primavera.

Chance de permanência passa de 90%

A probabilidade superior a 90% de permanência até o início de 2027 coloca o El Niño no centro do planejamento climático dos próximos meses. A previsão indica que o fenômeno pode atravessar 2026 ainda influenciando chuva e temperatura no país.

A projeção do APEC Climate Center, da Coreia do Sul, citada pelo NSC Total, indica 100% de probabilidade de manutenção do El Niño no trimestre de julho a setembro e 99,4% de chance de ocorrência de um episódio de forte intensidade.

Aquecimento acima de 2°C indica evento muito forte

O boletim trabalha com a possibilidade de anomalias da temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial acima de 2°C. Embora o termo “super El Niño” seja usado popularmente, a classificação técnica destacada é de evento muito forte.

A escala citada divide o fenômeno em fraco, moderado, forte e muito forte. Acima de 2°C, o El Niño entra em um patamar elevado e menos comum, com maior potencial de reorganizar padrões de chuva e temperatura em várias regiões.

Sul deve ter chuva acima da média

Para o trimestre entre julho e setembro, a previsão climática indica chuvas acima da média na maior parte da Região Sul. Esse é um dos pontos mais sensíveis do alerta, porque o excesso de precipitação pode se transformar em transtornos urbanos e rurais.

No primeiro ano de El Niño, primavera e verão costumam ser estações mais chuvosas no Sul. Por isso, o risco não fica restrito a um episódio isolado: a atenção precisa acompanhar a evolução do fenômeno ao longo dos próximos meses.

Santa Catarina aparece em estado de preparação

Em Santa Catarina, a tendência é de chuva acima da média nos próximos meses, com acumulados aumentando gradualmente entre julho e setembro. A previsão do Fórum Climático Catarinense indica passagem mais frequente de frentes frias e outros sistemas que favorecem precipitação.

O governo estadual assinou em 18 de maio o Decreto de Alerta Climático para antecipar medidas de prevenção ao fenômeno. A medida busca reduzir burocracias e permitir atuação de Estado e municípios antes da chegada de chuvas fortes.

Temporais e deslizamentos entram no radar

A combinação entre El Niño e sistemas típicos do inverno pode favorecer temporais, veranicos e episódios de frio mais curtos. Em áreas urbanas, o risco aumenta quando chuva intensa encontra solo saturado, drenagem limitada e ocupações em encostas.

Alagamentos, inundações e deslizamentos são os impactos mais citados para Santa Catarina no contexto de chuva intensa. O monitoramento passa a ser essencial porque o problema não depende apenas do volume de chuva, mas também da duração, da localização e da vulnerabilidade do terreno.

Calor também preocupa em grande parte do país

O El Niño não significa apenas excesso de chuva no Sul. O boletim também prevê temperaturas acima da média na maior parte do Brasil, aumentando o potencial para ondas de calor e favorecendo risco de queimadas em áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

A previsão indica chuvas abaixo da média em boa parte do centro-norte do país, especialmente em áreas do Nordeste e das regiões Norte e Centro-Oeste. O mesmo fenômeno pode, portanto, ampliar chuva em uma região e agravar calor e seca em outras.

Campo terá efeitos diferentes por região

No setor agrícola, os efeitos variam conforme a localização e o tipo de cultura. O cenário pode favorecer a colheita de milho de segunda safra, algodão e cana-de-açúcar no Centro-Oeste, além de beneficiar culturas de inverno no Sul.

Ao mesmo tempo, temperaturas mais altas podem prejudicar pastagens, reduzir umidade do solo e afetar a preparação da próxima safra em algumas áreas. O impacto do El Niño no campo não é uniforme: depende de calendário agrícola, solo, cultura e disponibilidade de água.

Monitoramento em Santa Catarina foi reforçado

Santa Catarina opera uma rede de 172 estações hidrometeorológicas com dados atualizados a cada 15 segundos, além de quatro radares meteorológicos distribuídos pelo território e equipe de meteorologistas em escala permanente.

Essa estrutura ajuda a acompanhar chuva, rios e condições atmosféricas em tempo quase real. Em um cenário de El Niño forte, sistemas de alerta e respostas rápidas se tornam tão importantes quanto a previsão sazonal.

Entender o fenômeno evita leitura simplista

O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal da superfície do Oceano Pacífico Equatorial, perto da faixa próxima à América do Sul. Esse aquecimento interfere na circulação dos ventos e altera a formação de nuvens e chuva.

No Sul do Brasil, essa mudança pode fazer frentes frias ficarem concentradas por mais tempo na região, aumentando a chance de chuva persistente. Já em outras áreas, o padrão pode favorecer calor, déficit de precipitação e aumento do risco de queimadas.

El Niño exige planejamento antes da chuva forte

O alerta federal mostra que o El Niño deve ser tratado como fator de planejamento para defesa civil, agricultura, cidades e famílias em áreas de risco. A previsão de permanência até 2027 e a chance de evento muito forte tornam a preparação mais urgente.

O desafio é transformar boletins climáticos em ações concretas antes dos temporais. Você mora em região que costuma sofrer com chuva forte durante El Niño? Acha que cidades brasileiras estão preparadas para alagamentos, inundações e deslizamentos? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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