A missão INCUS vai colocar três satélites da NASA na mesma rota para acompanhar tempestades tropicais, medir o ar que sobe dentro das nuvens e ampliar o estudo de chuvas intensas. Os dados só virão após o lançamento previsto para 2027 e a missão ainda não é uma previsão do tempo pronta.
A NASA prepara três pequenos satélites para observar como tempestades tropicais ganham força e formam chuvas intensas. A missão INCUS vai acompanhar o ar e a água que sobem dentro das nuvens, processo que ajuda a explicar por que alguns temporais crescem tão rápido.
O lançamento está previsto para 2027, portanto ainda não há dados científicos produzidos pelos equipamentos no espaço. A informação foi publicada pela NASA, agência espacial do governo dos Estados Unidos, que informou a conclusão da montagem e dos testes de dois satélites.
O terceiro aparelho continua em preparação. Quando todos estiverem em órbita baixa da Terra, os equipamentos vão passar pela mesma tempestade com intervalos de 30 segundos e 90 segundos, permitindo observar mudanças rápidas dentro das nuvens.
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O que faz uma tempestade tropical crescer tão rápido
Uma tempestade tropical ganha força quando muito ar quente e úmido sobe de uma vez. Ao alcançar regiões mais altas da atmosfera, esse ar esfria, forma nuvens maiores e concentra água que pode cair em forma de chuvas fortes.

Esse movimento recebe o nome de corrente ascendente. Em palavras simples, é como uma grande coluna de ar e água subindo dentro da nuvem, alimentando a tempestade e ajudando a elevar seu tamanho e sua intensidade.
A missão INCUS vai estudar esse processo de perto. O objetivo é entender melhor onde, quando e por que uma tempestade tropical se forma, cresce e pode provocar condições severas.
Três satélites vão observar a mesma tempestade em 30 e 90 segundos
Um satélite sozinho registra apenas uma parte do que ocorre dentro de uma nuvem. Os três satélites da missão INCUS vão voar em sequência e observar a mesma área em momentos muito próximos.
O primeiro e o satélite central terão uma diferença de 30 segundos. Entre o satélite central e o terceiro, o intervalo será de 90 segundos. Essa organização cria uma sequência de medições, como se cada aparelho registrasse um novo capítulo da mesma tempestade.
A comparação ajuda os pesquisadores a acompanhar mudanças rápidas nas nuvens. Isso é importante porque muitas tempestades tropicais podem se desenvolver em pouco tempo, com grandes deslocamentos de ar e água.
Radares vão medir o ar e a água que sobem dentro das nuvens
Cada satélite levará radares preparados para observar o movimento vertical de ar e água dentro das tempestades. O radar usa ondas para identificar sinais que não podem ser vistos claramente a olho nu.
Essas medições devem mostrar como a água e o ar avançam para regiões mais altas das nuvens. Esse detalhe ajuda a entender o processo que transforma uma nuvem carregada em uma área de chuva intensa.
O satélite central também terá um radiômetro de microondas, equipamento que amplia a leitura das medições feitas pelos radares. Ele será usado para dar mais contexto aos dados sobre a chuva dentro da tempestade.
A missão também vai analisar a relação entre temperatura do ar, umidade, pressão e vento. Esses fatores influenciam o crescimento das nuvens e podem mudar a forma como uma tempestade se comporta.
Dois satélites já foram testados, mas a missão ainda depende do lançamento
NASA, agência espacial do governo dos Estados Unidos, detalhou em 5 de junho de 2026 que dois dos três satélites da missão INCUS já concluíram a montagem e os testes. O terceiro equipamento ainda passa por preparação antes do lançamento previsto para 2027.

Os dois aparelhos já testados enfrentaram exames de vibração e vácuo térmico. Essas etapas simulam os impactos do lançamento e as temperaturas extremas que os satélites encontrarão no espaço.
Os refletores usados pelos radares também passaram por testes de abertura. Depois dessa fase, os dois satélites retornaram para novas verificações e ficarão armazenados até seguirem para a instalação de lançamento da NASA em Wallops, na Virgínia.
A conclusão dos testes do terceiro satélite está programada para não ocorrer antes de setembro de 2026. Mesmo com dois equipamentos prontos, a missão ainda precisa concluir todas as etapas antes de sair da Terra.
O que a missão INCUS pode mudar no estudo de chuvas intensas
A missão INCUS poderá ampliar o conhecimento sobre a formação de tempestades tropicais e o comportamento de nuvens muito altas. Esse tipo de dado pode fortalecer estudos ligados a chuvas intensas, água disponível e riscos provocados por temporais.
O foco não é criar um sistema imediato de alerta para cidades brasileiras. A missão é uma pesquisa espacial que pode ajudar cientistas a melhorar o entendimento usado em modelos de previsão do tempo e no planejamento diante de eventos severos.
A utilidade prática dependerá da análise dos dados coletados depois do lançamento. Pesquisadores ainda precisarão verificar o funcionamento dos satélites em órbita, reunir medições e fazer a validação científica dos resultados.
A pesquisa ainda não significa previsão pronta para tempestades
O lançamento previsto para 2027 será apenas o começo da missão. Antes de gerar resultados úteis para pesquisas, os equipamentos terão de passar pelo comissionamento, fase em que o funcionamento é conferido no espaço.
Depois disso, será necessário coletar informações e comparar os dados com outras medições meteorológicas. Esse processo é essencial para confirmar a qualidade das observações e entender como elas podem ser usadas em estudos futuros.
A missão INCUS deve ser vista como uma ferramenta de pesquisa científica, não como uma promessa de alerta imediato para chuva forte. A expectativa real está em descobrir melhor como tempestades tropicais se formam e mudam de intensidade.
Os três pequenos satélites representam uma tentativa de observar tempestades tropicais por uma perspectiva difícil de alcançar com equipamentos em solo. A missão vai registrar movimentos de ar e água dentro das nuvens, mas ainda depende do lançamento previsto para 2027.
O projeto pode ampliar o estudo de chuvas intensas e ajudar pesquisadores a compreender processos que acontecem acima das cidades, dos oceanos e das florestas. Os resultados, porém, só poderão ser avaliados depois da operação dos satélites no espaço.
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