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Obra de R$ 1 bilhão transforma fábrica em SP com R$ 672,9 milhões do BNDES, reduz 70 mil toneladas de CO₂ por ano, corta 40% da energia e cria maior produtora de cloro por membrana da América do Sul

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/04/2026 às 19:43
Atualizado em 22/04/2026 às 19:55
Modernização bilionária da Unipar em Cubatão reduz CO₂, corta energia e transforma planta na maior produtora de cloro por membrana da região.
Modernização bilionária da Unipar em Cubatão reduz CO₂, corta energia e transforma planta na maior produtora de cloro por membrana da região.
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Investimento bilionário em Cubatão reposiciona indústria química com foco em eficiência energética, redução de emissões e avanço tecnológico, marcando nova fase do polo industrial paulista e ampliando competitividade com apoio público e adoção de matriz produtiva mais limpa e alinhada a padrões internacionais.

A modernização da fábrica da Unipar Carbocloro em Cubatão, no litoral de São Paulo, reuniu investimento superior a R$ 1 bilhão e marcou a adoção integral da tecnologia de membrana, reposicionando a unidade dentro da estratégia industrial da companhia e elevando seu padrão operacional.

Com essa mudança estrutural, o complexo passou a operar como a maior unidade de produção de cloro por membrana da América do Sul, consolidando um salto tecnológico relevante no setor químico e atraindo atenção do governo federal para iniciativas industriais com foco ambiental.

Poucos meses após a conclusão das obras, entregues em dezembro de 2025, o local recebeu a visita do presidente em exercício, Geraldo Alckmin, em 20 de abril de 2026, reforçando o simbolismo político e econômico do projeto.

Financiamento do BNDES impulsiona modernização industrial

Parte expressiva do investimento contou com apoio público, já que R$ 672,9 milhões foram financiados pelo BNDES, por meio de linhas voltadas à sustentabilidade e à modernização de processos industriais considerados estratégicos para a economia nacional.

Nesse pacote, foram incluídos R$ 400 milhões oriundos do Fundo Clima e outros R$ 272,9 milhões do programa BNDES Finem Meio Ambiente, estruturados para incentivar iniciativas com potencial de redução de emissões e melhoria de eficiência energética.

Ao longo da intervenção, a empresa promoveu a substituição completa de sistemas baseados em mercúrio e diafragma pelo método de membrana, considerado atualmente mais seguro e menos agressivo ao meio ambiente, além de tecnicamente mais eficiente.

Como resultado direto dessa mudança, a planta paulista passou a desempenhar papel central na reorganização produtiva da companhia, ao mesmo tempo em que consolidou a migração de 210 mil toneladas equivalentes por ano para o novo modelo tecnológico.

Redução de CO₂ e eficiência energética na produção de cloro

Entre os principais ganhos ambientais projetados, destaca-se a expectativa de redução de cerca de 70 mil toneladas de CO₂ por ano, considerando como base os níveis de emissão registrados pela empresa em 2020 antes da modernização.

Além disso, a nova configuração permitiu alcançar queda de aproximadamente 40% no consumo específico de energia térmica e elétrica, fator que impacta diretamente a competitividade da produção e reduz custos operacionais no médio e longo prazo.

Outro indicador relevante envolve a diminuição de 18% no consumo total de energia da unidade, resultado que reforça a eficiência do novo sistema e evidencia a importância da atualização tecnológica em setores intensivos em energia.

Paralelamente, a operação passou a eliminar cerca de 150 toneladas anuais de resíduos industriais, avanço considerado significativo na rotina produtiva e que contribui para a redução de passivos ambientais históricos associados à indústria química.

Ao adotar integralmente a tecnologia de membrana, a planta também se alinha às diretrizes da Convenção de Minamata, acordo internacional que estabelece restrições ao uso de mercúrio e orienta políticas de controle ambiental em diversos países.

Obra iniciada em 2023 amplia capacidade e gera empregos

O processo de modernização teve início em setembro de 2023 e foi conduzido como um dos principais projetos de transformação operacional já executados pela companhia em sua estrutura industrial recente.

Durante a fase de implementação, o financiamento aprovado previa a geração de 1.232 empregos diretos e indiretos, contribuindo para a dinâmica econômica local e para a movimentação da cadeia produtiva ligada à construção e à indústria química.

Ao mesmo tempo, a empresa indicou que a nova configuração da planta cria condições físicas para futuras expansões, fator considerado estratégico dentro do planejamento de crescimento e ampliação de capacidade produtiva.

Energia renovável reforça estratégia de descarbonização

Além da modernização dos equipamentos, a unidade passou a ser abastecida por energia renovável proveniente da autoprodução da própria companhia, reforçando o compromisso com a redução de emissões indiretas associadas ao consumo energético.

Nesse contexto, a operação recebe eletricidade de ativos eólicos e solares contratados pela empresa, incluindo o Complexo Eólico Tucano, localizado na Bahia, e o Parque Solar Lar do Sol, em Minas Gerais.

Essa integração entre produção industrial e fontes limpas faz parte de uma estratégia mais ampla voltada à descarbonização e ao uso crescente de energia renovável em todas as unidades operacionais da empresa.

Governo anuncia incentivos para indústria química

Durante a visita à unidade, o presidente em exercício destacou iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor químico, com ênfase na sustentabilidade e na competitividade frente ao cenário internacional.

Entre as medidas mencionadas está a regulamentação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química, o Presiq, apresentado como instrumento para estimular investimentos e modernizar a cadeia produtiva nacional.

No âmbito desse programa, o governo projeta a liberação de R$ 15 bilhões em créditos tributários ao longo de cinco anos, com média estimada de R$ 3 bilhões anuais destinados a insumos e novos projetos industriais.

De forma complementar, o Regime Especial da Indústria Química, o Reiq, contará com R$ 3,1 bilhões em 2026, funcionando como mecanismo de transição até a implementação integral do novo modelo previsto para 2027.

Cubatão reforça transição para economia de baixo carbono

Inserido nesse cenário, o projeto da Unipar é apresentado como exemplo de investimento industrial capaz de reduzir impactos ambientais sem alteração da capacidade nominal declarada da planta.

Mesmo sem expandir formalmente a produção instalada, a empresa sustenta que a nova configuração contribui para reduzir custos fixos e variáveis, além de ampliar a eficiência operacional e permitir incremento de até 5% na entrega de produtos.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar a relevância estratégica da unidade de Cubatão, que passa a ocupar posição central dentro da operação brasileira da companhia.

Historicamente associada a elevados níveis de poluição, a cidade vem consolidando uma mudança de perfil ao concentrar projetos voltados à economia de baixo carbono e à requalificação ambiental de seu parque industrial.

Nesse contexto, iniciativas financiadas pelo BNDES e apoiadas por políticas públicas aparecem como instrumentos para modernizar estruturas antigas, preservar a produção local e reduzir emissões em setores industriais intensivos em energia.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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