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O que ainda não foi resolvido após o maior derramamento de petróleo do Brasil: vazamento que se espalhou por 11 estados, afetou a saúde, a economia e a vida de milhares de pessoas em 2019 ainda gera consequências até hoje

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 21/01/2026 às 17:10
Assista o vídeoEstudo da Fiocruz e da UFBA analisa como o derramamento de petróleo de 2019 afetou a saúde, a renda e a vida de comunidades pesqueiras em 11 estados do Nordeste, revelando riscos que ainda persistem.
Estudo da Fiocruz e da UFBA analisa como o derramamento de petróleo de 2019 afetou a saúde, a renda e a vida de comunidades pesqueiras em 11 estados do Nordeste, revelando riscos que ainda persistem.
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Estudo da Fiocruz e da UFBA analisa como o derramamento de petróleo de 2019 afetou a saúde, a renda e a vida de comunidades pesqueiras em 11 estados do Nordeste, revelando riscos que ainda persistem.

Quase seis anos depois do maior derramamento de petróleo já registrado no Brasil, o problema continua longe de terminar. O óleo que atingiu o litoral nordestino em 2019 não desapareceu com as ondas. Pelo contrário. Segundo um novo artigo científico, os efeitos seguem vivos no cotidiano de milhares de pescadores e pescadoras artesanais, que ainda enfrentam impactos diretos na saúde, na renda e na própria sobrevivência.

O estudo foi desenvolvido pela Fiocruz, em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), movimentos sociais e instituições de pesquisa. A análise mostra que o desastre não foi apenas ambiental. Ele se transformou em um problema social e sanitário de grandes proporções.

Ao todo, o derramamento de petróleo atingiu 11 estados do Nordeste. Somente em Pernambuco, mais de 5 mil toneladas de óleo foram recolhidas. Mesmo assim, a contaminação não se limitou às praias. Ela avançou por manguezais, rios e comunidades inteiras.

Um desastre que se soma a décadas de abandono

A pesquisa integra o projeto Desastre do petróleo e saúde do povo das águas, coordenado por Idê Gurgel e Mariana Olívia, da Fiocruz Pernambuco. O trabalho foi realizado em articulação com o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP), a Articulação Nacional das Pescadoras (ANP) e o Fórum Suape – Espaço Socioambiental.

De acordo com o estudo, o derramamento de petróleo não pode ser visto como um evento isolado. Ele se sobrepôs a um cenário de vulnerabilidades históricas. Falta de políticas públicas, baixa renda e acesso precário à saúde já faziam parte da rotina dessas populações.

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Segundo José Erivaldo Gonçalves, doutor em Saúde Pública pela Fiocruz Pernambuco e coordenador de campo da pesquisa, o Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho (Lasat) se mobilizou para compreender como a exposição ao petróleo afetou a reprodução social dessas comunidades.

“O desastre não pode ser analisado de forma isolada, pois se soma a um conjunto de vulnerabilidades históricas que já marcam o modo de vida da pesca artesanal”, afirma.

Limpeza sem proteção: quando o socorro virou risco

Um dos dados mais alarmantes do estudo é o envolvimento direto dos próprios pescadores nas ações de limpeza. Sem treinamento e sem equipamentos de proteção, muitos entraram em contato direto com o petróleo.

“Foram os próprios pescadores que iniciaram a contenção e a retirada do óleo em praias, manguezais e rios, em um contexto de ausência de orientações e proteção”, destaca o pesquisador.

Essa exposição ampliou significativamente os riscos à saúde. Além do contato com substâncias tóxicas, houve inalação de vapores e absorção pela pele, sem qualquer acompanhamento médico adequado.

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Além da contaminação direta, o estudo aponta dificuldades no acesso a serviços de saúde capazes de reconhecer e tratar intoxicações relacionadas ao petróleo. Muitos profissionais não estavam preparados para identificar os sintomas.

A situação se agravou com a pandemia de Covid-19. O colapso dos serviços de saúde aprofundou ainda mais as fragilidades sociais e sanitárias já existentes.

Os pesquisadores identificaram relatos de problemas respiratórios, alterações neurológicas e outros sintomas que surgiram entre um e três meses após o contato com o petróleo.

Novas pesquisas e o desafio das políticas públicas

Com base nos dados coletados, novos estudos estão em andamento para analisar a relação entre os níveis de exposição ao petróleo e os sintomas autorrelatados pelas comunidades.

A expectativa é que os resultados ajudem a formular políticas públicas de monitoramento da saúde, além da criação de redes de resposta rápida para futuros vazamentos.

Mesmo assim, especialistas alertam que, sem ações contínuas, o risco de novos desastres envolvendo petróleo continuará recaindo sobre as mesmas populações.

Para você, como uma cidade poderia se preparar para um possível derramamento de petróleo? Seu local, por exemplo, estaria preparado para proteger a saúde das pessoas e a economia local?

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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